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ARTIGOS



PORTINARI (1903 – 1962)

Pintor eclético, Candido Portinari utilizava linguagens seletivas e estilos para propósitos diferentes. Imprimia às suas obras uma série de características formais e estilísticas. Aproximava-se ora do cubismo, ora do surrealismo, ora dos muralistas mexicanos, sem nunca desviar-se muito da figuração e das convenções pictóricas tradicionais. O resultado era uma arte de aparência moderna, mas agradável aos olhos do grande público, comenta Rafael Cardoso (“Portinari além da grife”. Bravo!, São Paulo, jul. 2003, p. 79).

Além de grande retratista, outra dimensão do pintor era sua preferência por obras de temática social, como “Café”, de 1935, e sua simpatia por posições comunistas (filiou-se ao Partido Comunista Brasileiro e candidatou-se a deputado em 1945 e a senador em 1947). Mesmo com essas posições, o pintor manteve relações com o poder público e recebeu sucessivas encomendas do governo (execuções de murais e painés de azulejos, como no Ministério da educação).

Portinari, dentro de vocação para a arte social, colocou em suas telas a vida do povo brasileiro: trabalhadores, camponeses, cangaceiros, retirantes.

A obra de Portinari, composta de cerca de 4.700 trabalhos, merece ser conhecida. Ele é um artista reconhecido nacional e internacionalmente.

Em São Paulo (SP), o Museu de Arte de São Paulo (MASP) apresenta peças como “Os retirantes”, de 1944, “Enterro na rede”, de 1944, e o “O lavrador de café”, de 1939. A Pinacoteca do Estado mostra “O mestiço”, de 1934, uma das obras mais exibidas em exposições no exterior. O Instituto de Estudos Brasileiros da USP expõe permanentemente as principais obras da Coleção Mário de Andrade, como “A colona”, de 1938, e “Retrato de Mário de Andrade”, de 1935. O Memorial da América Latina abriga, em seu Salão de Atos, o painel “Tiradentes”, de 1948-49, uma das marcas mais importantes de Portinari (Medalha de Ouro do Prêmio Internacional da Paz, Varsóvia, 1950). O Museu da Casa Brasileira mostra a tela “Floresta e o veado”, de 1938 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 out. 2004, Sinapse, p. 34). A Via Dutra exibe painéis executados para o Monumento Rodoviário.

Em Belo Horizonte (MG), a Igreja de São Francisco, na Pampulha, projetada por Oscar Niemeyer, contém um mural sobre a vida de são Francisco, a Via Sacra e outros painéis de azulejo (idem).

No Rio de Janeiro (RJ), o Museu Nacional de Belas Artes exibe, em caráter permanente, a tela “Café”, de 1935, um dos marcos da obra de Portinari, premiada em 1935 na Exposição Internacional de Pintura do Instituto Carnegie, de Pittsburgh, EUA. O Ministério da Educação e Saúde (marco arquitetônico do modernismo brasileiro, projetado por Lúcio Costa, Oscar Niemeyer, Affonso Reidy, Jorge Moreira, Carlos Leão e Ernani Vasconcelos, com a supervisão de Le Corbusier) apresenta murais em azulejos (Vinícius de Moraes criou o poema “Azul e branco”, as cores da obra, para esses murais), de temática social, realizados de 1936 a 1944.

Em Washington, EUA, a Fundação Hispânica da Biblioteca do Congresso contém quatro grandes murais, de 1941, com temas da história latino-americana.

Em Nova Iorque, EUA, a sede das Nações Unidas, em seu “hall” de entrada dos delegados, apresenta os painéis “Guerra e paz”, medindo cerca de 14 x 10 m, concluídos em 1956, oferecidos pelo governo brasileiro (nesse ano, recebe o Prêmio Guggenheim). O Museu de Arte Moderna de Nova Iorque (MoMa) adquiriu em 1939 a tela “Morro” e realizou em 1940 uma retrospectiva do artista (o primeiro artista nacional distinguido pelo MoMa), com sucesso de crítica, venda e público.

Nascido em Brodósqui, interior do Estado de São Paulo, em 30 dez. 1903, Portinari em 1918 muda-se para o Rio de Janeiro, onde se matricula na Escola Nacional de Belas-Artes. Conquista em 1928 o Prêmio de Viagem ao Estrangeiro, a maior honraria dispensada pelo sistema de ensino artístico da época, e segue em 1929 para Paris, de onde retorna em 1931. Volta a Paris em 1946 para realizar exposição na Galeria Charpentier. O governo francês, diante do sucesso da exposição, o agracia com a “Legião de Honra”.

Portinari faleceu em 06 fev. 1962 vítima de intoxicação pelas tintas. A pintura foi o significado de sua vida e a causa de sua morte, lamentou Cecília Meireles (“Portinari, o trabalhador” in “Escolha o seu sonho”. 19a. ed. Rio de Janeiro: Record, p. 83). A pintura era a sua paixão e a nossa alegria. Ao lado da grande obra, Portinari, um trabalhador de sol a sol, legou aos jovens grande exemplo de paciência, perseverança, teimosia, tenacidade incansável, observa Cecília Meireles.

O “Tocador de trombeta”, quadro de Portinari datado de 1958, foi leiloado em 16 nov. 2005 na Christie’s, de Nova Iorque, por US$ 761,6 mil, o maior valor pago por um Portinari (Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 nov. 2005, p. E3).