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ARTIGOS



GUIGNARD, INIMÁ & BRACHER

“O mineiro sabe que o importante é ser e não parecer.” (Guimarães Rosa)

Alberto da Veiga Guignard (Nova Friburgo–RJ, 1896 – Belo Horizonte–MG, 1962) mudou-se em 1944 para Belo Horizonte, a convite de JK, então prefeito. A Prefeitura admitiu Guignard como professor de desenho e pintura de uma pequena escola instalada no Parque Municipal.

Guignard desencadeou em Minas Gerais a mais profunda revolução no terreno das artes plásticas, assinala Renato Sampaio, autor de “Inimá, Uma Biografia”, fundador da Galeria Inimá de Paula. Afirma Sampaio: “Guignard foi o arauto nº 1 da modernidade entre nós.”

O acervo deixado por Guignard faz dele um artista definitivo e imortal, diz Carlos Perktold, psicanalista, colecionador de arte. Guignard, lembra Perktold, dividiu quarto em Paris com Fernand Léger, do qual recebeu, com dedicatória, dois óleos, pertencentes hoje a uma coleção belo-horizontina.

Guignard, continua Perktold, herdou de Dufy, seu mestre, a coragem do uso das cores e do pincel fino, privilégio de quem conhece a técnica do desenho. Essa técnica possibilitou Guignard brilhar na arte do retrato, pela qual “o artista se projeta e convence o público de seu talento por ser a ‘arte mais difícil’ ”.

Inimá José de Paula (Itanhomi-MG, 1918 – Belo Horizonte-MG, 1999), após passagem pelo Rio de Janeiro (RJ), transfere-se em 1944 para Fortaleza e ajuda a fundar no mesmo ano a Sociedade Cearense de Artes Plásticas (SCAP), junto com Aldemir Martins, Antônio Bandeira e outros. Participa em 1948 do IV Salão de Abril e é premiado com a Medalha de Ouro. Participa em 1945 de coletiva de artistas cearenses na Galeria Askanazy, no Rio de Janeiro.

Laureado em 1952 com o “Prêmio de Viagem ao Exterior”, no Salão Nacional de Arte Moderna, Rio de Janeiro, freqüenta em Paris o ateliê de André Lhote. José Roberto Teixeira Leite observa: “Do aperfeiçoamento com Lhote ficou-lhe certo amor pelos espaços bem ordenados da disciplina cubista, embora a aventura abstracionista o tivesse seduzido por volta de fins da década de 1950 ... “.

Inimá sucedeu o Guignard como verdadeiro chefe de escola de toda uma legião de pintores mineiros, avalia Leite, o qual conclui sob o título “Personalidade Inconfundível”: “Num desenho vigoroso, Inimá esquematiza suas formas, às quais pespega um colorido violento e expressivo. Figura humana, natureza-morta ou casario, tudo lhe sai com tal truculência, com tamanho vigor e crueza ... “.

Perktold opina sobre Inimá: “Uma pintura de muita cor, muita composição equilibrada representando paisagens e naturezas-mortas, um desenho primoroso e, principalmente, uma vitalidade desconcertante. Há ainda uma pintura internacional, cujos conteúdo é de Brasil puro.”

“O mineiro Inimá é cearense por adoção”, afirma Ruben Navarra, enquanto Servulo Tavares avalia: “Fortaleza que mostrou a Inimá, em suas ondas azuis, os caminhos da Europa.”

Frederico Morais comenta sobre a pintura de Guignard e Inimá: “A pintura de Guignard é transparente e cheia de delicadezas tonais, a de Inimá é espessa, transbordante e capitosa. Um prefere as curvas, o outro as diagonais cortantes; um abre espaços para que as nuvens se banhem de sol e claridade, o outro esconde o céu trazendo tudo para o primeiro plano; um é etério e romântico, o outro compacto, quase rude.”

Carlos Bracher (Juiz de Fora-MG, 1940) pinta “com a simplicidade de traços que trazem um resultado reservado para aqueles que têm a dádiva de Deus, o talento”, observa Perktold, o qual afirma não ter Bracher recebido a influência de Guignard. “(Os quadros de Bracher) trazem as exigências que toda obra de arte requer: cor, equilíbrio, composição, tensão e um mistério que nos intriga, instiga e nos incomoda agradavelmente”, avalia Perktold.

Já Renato Sampaio comenta: “(A pintura de Bracher) é vigorosa, densa, máscula e compulsiva, carregada de impacto e de energia.” Acrescenta Sampaio: “Seja em suas paisagens ou em suas naturezas-mortas, em seus objetos ou em suas flores, os resultados por ele alcançados guardam sempre um pouco da inquietude e do ímpeto domados no instante único em que a beleza e a expressão conseguem se fundir em uma coisa só.”