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ARTIGOS



LEONILSON (1957 – 1993)

José Leonilson escolheu o “eu” como o grande tema de seus trabalhos, diz a crítica. Realizou uma obra voltada para si mesmo, com influência da religião, sexualidade e romantismo. A experiência individual é o centro da obra. Deixa transparecer suas crenças e desejos.

Leonilson, continua a crítica, andou pelo mundo colhendo imagens e palavras e as devolveu em forma de arte. A obra tem a capacidade de tocar pela singeleza. Leonilson devolveu o “eu” para o centro da arte brasileira.

Em um de seus bordados, ele escreveu: “Voilà mon coeur” (Aqui está meu coração). “Meu trabalho é uma questão pessoal”, declarou ele antes de morrer.

O legado artístico de Leonilson é diversificado. Começou com desenhos, de linha abstracionista, e depois produziu pintura e bordados (trabalhos em tecidos e aviamentos).

Leonilson é um dos maiores expoentes da “Geração 80”. Essa corrente trouxe de volta a estética “pop” à produção artística nacional.

Ele passou quase toda a década de 80 viajando por países da Europa e para os Estados Unidos. Queria conhecer os trabalhos de seus pares no exterior. Nessa época, elegeu a pintura como meio de expressão.

Soube inovar na pintura. Foi o primeiro artista brasileiro a retirar o chassi de proteção de suas telas. A expressão é o importante, não o suporte. Caso uma tela se rasgasse, bastava costurá-la. Essa atitude atesta sua visão dessacralizada do objeto artístico. São dessa fase as telas “São tantas as verdades”, “Rios de palavras” e “O pescador de palavras”. Em todas as telas dessa fase, Leonilson expressou seu “eu” por imagens e também por palavras.

No início dos anos 80, desenhou figurinos hilários para o grupo teatral “Asdrúbal trouxe o trombone”. O artista sempre se interessou pela moda, mas ponderou: “É muito diferente quando um estilista faz uma roupa e quando um artista costura”.

A primeira exposição individual ocorreu em 1983 na Galeria Luíza Strina.

Em 1985, apresentou seus primeiros trabalhos tridimensionais em instalação na “XVIII Bienal de São Paulo”: uma pirâmide de livros e um globo. Deixou-se fotografar com esse globo nas costas, em referência ao mito de Atlas: “carregando o mundo”.

De 1991 até a morte, em 28 de maio de 1993, Leonilson ilustrou a coluna da jornalista Bárbara Gancia na “Folha de S. Paulo”. Foram desenhos também conjugando palavras e imagens, uma arte “verbovisual”. O livro de crônicas “Leonilson: use, é lindo, eu garanto”, editado pela “Cosac & Naify”, reúne os desenhos dessa época.

Lisette Lagnado, crítica de arte e curadora, em seu livro “Leonilson: São tantas as verdades”, publicado em 1995, classifica a produção de Leonilson em três fases: “Pinturas como prazer”; “Romantismo: anotações de viagem” e “Alegoria da doença”. Essa periodização, diz a autora, ajuda a elucidar o emaranhado de signos visuais e verbais integrantes do trabalho de Leonilson, evidenciando o denso repertório utilizado pelo artista para elaborar suas obras. A última fase, de 1989 até a morte, é a mais profícua e complexa.

Em 1995, a Galeria de Arte do SESI realizou uma exposição retrospectiva da obra de Leonilson.

O “Projeto Leonilson”, com sede na Vila Mariana, em São Paulo, dá uma idéia da extensão e da complexidade de José Leonilson Bezerra da Silva, nascido em 1957 no Ceará e radicado em São Paulo desde a infância.

Leonilson faleceu aos 36 anos em decorrência de complicações causadas pela “aids”. Presença influente na arte contemporânea, sua obra passa por forte valorização no mercado internacional. Um dos últimos bordados foi vendido recentemente em Miami por US$ 50 mil.

“Leonilson, cearense, um dos expoentes da Geração 80, fez sua primeira individual em 1983 e realizou outras seis, a última em 1998. “Ele morreu muito jovem e hoje faltam obras dele no mercado, que são disputadas”, avalia Thomas Cohn, o qual complementa: “Isso significa que devem se valorizar ainda mais. Há 20 anos, quando Leonilson foi lançado, um trabalho seu era vendido por cerca de US$ 2,5 mil contra os US$ 30 mil dos preços correntes.”

Em homenagem aos dez anos da morte do artista, a Pinacoteca do Estado de São Paulo realizou,de 14 jun. a 20 jul. 2003, a mostra “Leonilson na 18a. Bienal de São Paulo”, com curadoria de Ivo Mesquita, o qual comenta: “Ele trouxe a questão da identidade, do contador de histórias, o que o tornou uma referência e uma vertente bastante atual”.