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ARTIGOS



GUERRA DO IRAQUE

Em 11 de setembro de 2001, os EUA foram atacados por terroristas baseados no Afeganistão sob a proteção do Talibã. Eles investiram contra nós em nome da “Al Qaeda”. Destruíram dois prédios causando a morte de 3 mil pessoas e atingiram o Pentágono, além de provocarem a queda de um avião no interior da Pensilvânia. Quando partimos atrás dos membros da “Al Qaeda”, percebemos a existência de outras organizações terroristas no mundo comprometidas com as ações de 11 de setembro, explicou Colin Powell, secretário de Estado, durante sua visita ao Brasil (Veja, São Paulo, n. 1875, 13.out.2004, p. 11).

O inimigo também é responsável por 330 mortes (155 crianças) em Beslan, na Rússia (04 set. 2004); por 191 mortes na explosão de vagões de trem em Madri, na Espanha (11 mar. 2004); por 180 mortes nos acontecimentos em Bali, na Indonésia (12 out. 2002).

Decorridos 3 anos, o Afeganistão já se prepara para uma eleição presidencial para a qual se registraram para votar 10 milhões de afegãos e existem 10 candidatos a presidente. O mesmo deve ocorrer no Iraque, com eleições previstas para janeiro de 2005, quando os iraquianos passarão a ter um governo representativo. As eleições municipais já estão acontecendo em todas as partes do Iraque. O país está relativamente seguro no norte. No centro, estamos enfrentando maiores dificuldades. Os sunitas, sempre privilegiados por Saddam Hussein, em detrimento dos xiitas e dos curdos, querem a volta da ditadura e praticam o terrorismo. Mas os líderes iraquianos, à frente o primeiro-ministro Allawi e todo o seu gabinete, estão dedicados à construção de um novo país tendo como base a democracia e estão determinados para a realização das eleições e a eliminação do terrorismo. Saddam não tinha um arsenal, mas tinha a capacidade e a vontade de construir um, e o faria, se não tivesse sido impedido.

Estamos interessados em ajudar cada país a encontrar um caminho para sua própria democracia. Mas a democracia deve ter alguns requisitos básicos: 1o.) o povo tem de ter a chance de eleger seus próprios líderes; 2o.) todos têm de poder participar da sociedade de forma livre e aberta. As democracias devem dar espaço a um sistema econômico aberto, um sistema de mercado capaz de funcionar na economia do século XXI e em um mundo globalizado.

Após os ataques terroristas de 11 de set. de 2001 (a primeira ação em larga escala e bem-sucedida verificada nos EUA desde a invasão britânica de 1812, via Canadá, lembra Anthony Giddens, britânico, sociólogo, Exame, São Paulo, n. 834, 19 jan. 2005, p. 34), o início das operações do governo Bush no Afeganistão ocorreu em out. 2001. No Iraque, em 20 mar. 2003.

Não havia evidências da existência de armas de destruição em massa no Iraque. Checamos boa parte dos lugares indicados pela CIA e não encontramos nada. Avisei o Conselho de Segurança sobre a fragilidade das provas apresentadas pelos EUA, afirma Hans Blix, sueco, chefe da Comissão de Monitoramento, Verificação e Inspeção para o Iraque, instituída pelas Nações Unidas, autor do livro “Desarmando o Iraque”, recém-lançado no Brasil. A Coréia do Norte é o caso mais perigoso de ameaça nuclear. Outro grande problema é o Paquistão, o qual vendeu tecnologia e equipamentos à Líbia e ao Irã. (Veja, São Paulo, n. 1.850, 21.abr.2004, p. 11).

O arsenal de destruição em massa era “apenas uma justificativa burocrática” para a invasão do Iraque, reconheceu Paulo Wolfowitz, subsecretário de Defesa dos EUA.

A América possui um passado de imperialismo na marra, observa Harold Bloom. Roubamos o Texas ao México e nos orgulhamos disso. A aventura atual, no Iraque, embora custosa em sangue e dinheiro, não é uma novidade na nossa história. A função do governo deveria ser manter o bem-estar social da nação. Mas a visão de governar do atual mandatário da nação é gastar dinheiro com poderio militar externo e força policial interna, para manter a ordem (“A palavra-estrondo de Bloom e os suspiros do mundo”, Primeira Leitura, São Paulo: Primeira Leitura, n. 23, jan 2004, p. 73).

A invasão do Iraque e a prisão, sem justa causa, de centenas de iraquianos revoltados com o ato motiva juristas do mundo inteiro a questionar a posição dos EUA em relação ao princípio do devido processo legal (“due process of law”) e o inerente direito à ampla defesa, analisa Ives Gandra da Silva Martins (Valor, São Paulo, 06 maio 2004, p. B2). Subscritores da declaração universal dos direitos dos homens (de 10.dez.1948, garantidora da ampla defesa e do devido processo legal), os EUA vêm argumentando não haver fundamento para reconhecer esses direitos quando autoridades americanas estão julgando, fora dos EUA, cidadãos estrangeiros. A matéria será submetida à Suprema Corte.

O ditador Saddam Hussein não estocava armas biológicas ou químicas nem tinha projetos nucleares em andamento, teses utilizadas por Bush para justificar a invasão do Iraque, concluiu o trabalho de equipe de especialistas chefiada por Charles Duelfer. Saddam se desfez do arsenal proibido depois da Guerra do Golfo, em 1991, para escapar das sanções econômicas e das inspeções de técnicos em armamento das Nações Unidas. (Veja, São Paulo, n. 1875, 13 out. 2004, p. 51).

Em 30 out. 2004, Osama Bin Laden, líder da rede terrorista Al-Qaeda, assumiu pela primeira vez explicitamente a responsabilidade pelos ataques de 11 set. 2001. Decidimos destruir as torres do World Trade Center nos EUA, afirmou Bin Laden, uma vez esgotada nossa paciência diante da injustiça e inflexibilidade da aliança americano-israelense contra nosso povo na Palestina e no Líbano. Em 1982, enquanto observava torres destruídas no Líbano por uma invasão de Israel com a ajuda dos EUA, ocorreu-me, a partir daí, a idéia de punir a tirania do mesmo modo e fazer a América sentir o mesmo gosto experimentado por nosso povo, além de dissuadi-la de matar nossas crianças e mulheres (“Bin Laden ressurge às vésperas da eleição e dispara acusações”. O Estado de S. Paulo, 30 out. 2004, p. A28).

As eleições previstas para 30 jan. 2005 serão apenas o primeiro passo de um longo processo para a democracia no Iraque, comentou George W. Bush, presidente dos EUA (O Povo, Fortaleza, 21 dez. 2004, p. 30). Os EUA ampliaram de 135 mil a quase 150 mil o número de tropas destacadas no Iraque, a fim de contribuir para a preparação do processo eleitoral.

O choque entre socialismo e capitalismo gerou debates políticos e influenciou partidos e seus programas em todo o mundo durante mais de um século. A derrocada da União Soviética significou o colapso do grande debate ideológico sobre a melhor maneira de organizar a vida econômica e política. A vitória do capitalismo deixou o mundo sem uma ideologia do descontentamento, sem um conjunto sistemático de idéias capazes de fazer crítica do mundo tal como ele existe. Esse vácuo ideológico é uma das forças relevantes por trás do antiamericanismo, agravado com atitudes do governo de George W. Bush. Ele desconsiderou instituições e alianças internacionais. A superpotência exercitou seu poderio de agir sozinha e incomodou outras nações. As limitações reveladas em décadas de diplomacia eram simplesmente auto-impostas pelos EUA. A postura de resistência ao poder americano conquistou votos em eleições recentes no Brasil, Alemanha, Paquistão, Kuwait e Espanha. O antiamericanismo, como atitude mental, extrapola o âmbito político e estende-se aos domínios da economia e da cultura. Os EUA desempenham, porém, um papel crucial como organizador de bens coletivos, nas áreas de terrorismo, aids, proliferação nuclear, reforma das Nações Unidas, ajuda externa. A situação do mundo, sem a presença dos EUA como líder global, seria, sem dúvida, desanimadora. O único outro ator, com recursos e tradição para desempenhar um papel global, seria a Europa, mas ela se encontra desunida demais para alcançar seus objetivos sem os EUA. Todo o poder europeu limitar-se-ia a determinar o fracasso dos planos americanos, conclui Fareed Zakaria, editor da Newsweek Internacional, autor de “O futuro da liberdade: democracias não-liberais dentro e fora dos Estados Unidos” (Veja, São Paulo, n. 1.886, 05 jan. 2005, p. 76).

A sobrevivência da liberdade em nossa terra depende cada vez mais do sucesso da liberdade em outras terras, disse George W. Bush em seu discurso de posse em 20 jan. 2005 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 21 jan. 2005, p. A8). Assim, é política dos EUA procurar e apoiar o crescimento dos movimentos e instituições democráticos em todos os países e culturas com o objetivo último de pôr fim à tirania em todo o mundo. Quem nega a liberdade aos outros não a merece para si e, sob o domínio de um Deus justo, não poderá mantê-la, afirmou Abraham Lincoln, citado por Bush.

A imprensa norte-americana foi acomodada e negligente ao aceitar a legitimação da invasão ao Iraque pelas informações oficiais, tomadas como verdadeiras, afirmando o controle por Saddam Hussein de um arsenal de armas químicas. A imprensa não checou as informações, perdeu credibilidade e teve de retratar-se publicamente, comenta Barbara Crossett, instrutora do Centro Internacional de Jornalistas - ICFJ (Diário do Nordeste, Fortaleza, 30 jan. 2005, p. 4)

A República do Iraque, com capital em Bagdá, tem uma população de 25,3 milhões de pessoas (árabes, 75 a 80%; curdos, 15 a 20%; turcomanos, assírios e outros, 5%).

Após 23 meses de ocupação por uma coalizão de 29 países, o Iraque realizou eleições em 30 jan. 2005 para a escolha de 275 deputados da Assembléia Nacional e representantes para os 18 Conselhos Regionais, um por Província. Os curdos votaram para a eleição de deputados de um Parlamento curdo autônomo. Nas eleições de 30 jan. 2005, votaram 60% dos eleitores registrados, apesar das ameaças do terror. O povo iraquiano tornou a eleição de 30 jan. 2005 um retumbante sucesso, disse o presidente Bush. Essa eleição dá início a um processo de elaboração e ratificação de uma nova Constituição para servir de base a um governo iraquiano democrático, acrescentou Bush. O Iraque não realizava eleições há cerca de 50 anos (Folha de S. Paulo, São Paulo, 31 jan. 2005, p. A8 e A10).

Em 16 mar. 2005, em Bagdá, a Assembléia Nacional iraquiana, formada por 275 membros escolhidos nas eleições nacionais de 30 jan. 2005, abriu os seus trabalhos. A principal tarefa é redigir a Constituição a ser apresentada em agosto de 2005 (Diário do Nordeste, Fortaleza, 17 mar. 2005, p. 9).