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ARTIGOS



GESTÃO PARA CRESCER NA CRISE

São lições de gestão para enfrentar tempos de instabilidade econômica (Folha de S. Paulo, São Paulo, 31 out. 2004, Especial Carreira Executiva, p. 1):

  1. ESTEJA PRONTO PARA MUDAR – O desenvolvimento das vendas acontece com novos produtos e serviços cujo passaporte é a inovação. O grande administrador tem habilidade para fazer mudanças rápidas, até radicais. Diferencie-se. Há muitas empresas iguais no mundo fazendo coisas iguais, por preços iguais. Use seu produto ou seu serviço para propiciar uma experiência ao cliente (Tom Peters, PhD em gestão pela Stanford University).

    Bom gerenciamento é a razão número um do fracasso de grandes empresas, alerta Clayton Christensen, mestre em inovação e professor da Harvard Business School. Muitas vezes bom gerenciamento significa unidades chatíssimas com empregados chato dando atenção a grandes clientes burocráticos.

  2. FAÇA ECONOMIA INTELIGENTE – O controle de custo é cada vez mais imperativo, pois a globalização aumentou a competitividade com a oferta constante de produtos e serviços. O conhecimento real dos custos possibilita ao gestor melhorar os processos e liberar de mão-de-obra para a criação de produtos e serviços, assim como direcionar as atenções para atacar as atividades menos eficientes e menos agregadoras de valor (Robert Kaplan, professor da Harvard Business School, criador do sistema de gestão “Balanced scorecard”).

  3. CORTAR PESSOAL NÃO É A SAÍDA – A chave do sucesso de uma empresa está nos próprios funcionários, e é necessário motivá-los e possibilitar o seu crescimento profissional. Torna-se importante mudar a prioridade: de otimização de capital para otimização de pessoas. Uma nova espécie de empresa começará a ser criada quando as pessoas, em vez de serem tópico de custo, transformarem em fonte de negócios de sucesso (Arie de Geus, professor da London Business School, criador do conceito de “learning organization”).

  4. RECOMPENSE OS MELHORES – O líder adota as melhores idéias de um ou de outro funcionário e as transfere para toda a empresa. Incentiva o seu pessoal a falar e é aberto a novas idéias. Recompensa os funcionários bem-sucedidos e é tolerante com os erros. As pessoas vêem em primeiro lugar; a estratégia vem depois. O trabalho do executivo é vislumbrar oportunidades, colocar as pessoas certas à frente delas e oferecer-lhe os recursos para poderem criar. Além do fluxo de caixa, a satisfação do empregado e a satisfação do cliente são as três coisas mais importantes a aferir-se numa empresa (Jack Welch, ex-CEO da GE).

  5. PLANEJE COMO OBTER SUCESSO – O processo operacional deve ser consistente, centrado num plano operacional prevendo os resultados e também explicitando como obtê-los, ou seja, o plano faz a ligação de estratégia e pessoas com os resultados. O processo de estratégia define aonde um negócio quer ir, e o processo de pessoal define quem fará o negócio chegar lá. Há três grandes falhas no processo orçamentário ou no processo operacional da maioria das empresas: 1) não propiciar um diálogo sobre as premissas do plano; 2) ser desenvolvido em torno de resultados pretendidos pela alta gerência, sem discussão prévia; 3) não dar oportunidades para as pessoas trabalharem juntas por uma causa comum. Todas as partes de uma empresa devem ser sincronizadas, ou seja, devem ter um entendimento comum (Ram Charan, especialista em planos e estratégias de negócios).

  6. ALIE “MARKETING” E TECNOLOGIA – Com uma rede integrada de recursos, a empresa deverá criar novas formas de interação com o consumidor, e o “marketing” será dominado pelo desenvolvimento de “softwares” e por atividades de rede. Ainda hoje destinando boa parte de sua estratégia para influenciar o consumidor com base em estudos comportamentais, o “marketing” passará a ser uma arquitetura integradora capaz de garantir o contínuo processo de aprendizado organizacional, por meio do qual a empresa aprende, adapta-se e responde aos novos desafios de forma criativa e competitiva (Regis Mckenna, especialista em “marketing”).

  7. SÉCULO XXI EXIGE AÇÃO GLOBAL - O líder deve compreender as ações em curso no resto do planeta e modelar a empresa para o mundo. A tecnologia é uma ferramenta capaz de estabelecer economias de grande escala. Os vencedores deste século serão os administradores com o controle da interconexão com o cliente, do portal “on-line” e da entrega de bens e serviços (atividades essenciais para fechar o ciclo pedido/entrega). As demais funções da cadeia de fornecimento, os serviços de pós-vendas e outras atividades podem ser agrupadas ou terceirizadas nos melhores fornecedores ou parceiros. O mundo cibernético e interconectado clama por novas estratégias, novas visões e novos peritos para explorá-lo (Kenichi Ohmae, PhD em engenharia nuclear, ex-sócio da Mckinsey & Company).

  8. APLIQUE TEORIA À PRÁTICA – Nos últimos anos, três grandes idéias, impulsionadas por momentos de crise no Brasil e no mundo, transformaram profundamente o funcionamento das empresas a fim de permitir a continuidade de seu crescimento. Essas idéias foram: 1) a gestão de qualidade total (sistema “just-in-time” e outros); 2) a reengenharia: teve como objetivo redesenhar processos para eliminar tarefas duplicadas ou tarefas não agregadoras de valor, assim como implementar tarefas agregadoras de valor ainda não realizadas; 3) o capital intelectual: reconhecimento do peso dos ativos intangíveis em relação aos ativos tangíveis. Além dessas três idéias, aconteceram outras de grande importância, como o “downsizing”. Em qualquer tempo, as empresas hoje não podem mais abrir mão de uma gestão mais eficiente e enxuta, focada e dirigida pelo mercado, e aquelas idéias converteram-se em programas e ferramentas de gestão de caráter permanente, à exceção do “downsizing”, não aplicável de forma constante (Carlos Alberto Júlio, presidente da HSM do Brasil).

O Brasil é um país com uma grande população, um grande mercado e com pessoas inteligentes. Para tirar o máximo proveito desse potencial, tem de melhorar o nível de educação da mão-de-obra, avalia Thomas Stewart, autor do termo “capital intelectual”, um dos principais especialistas de gestão de negócios, editor-chefe da “Harvard Business Review”. Capital, na definição clássica, é um recurso utilizado para gerar riqueza. O capital intelectual é o saber, a engenhosidade, a capacidade, o talento ou o “know-how” profundo de um determinado assunto pelo qual se gera riqueza. Exemplo: o conhecimento de um advogado sobre a lei, explica Stewart (Folha de S. Paulo, São Paulo, 06 nov. 2004, p. B4).