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ARTIGOS



INCUBADORAS

Uma incubadora de empresas é um mecanismo de estímulo à criação e ao desenvolvimento de micro e pequenas empresas (industriais, de prestação de serviços, de base tecnológica ou de manufaturas leves). Oferece suporte técnico, gerencial e formação complementar do empreendedor. A incubadora também facilita e agiliza o processo de inovação tecnológica nas micro e pequenas empresas.

Em geral, as incubadoras dispõem de um espaço físico especialmente construído ou adaptado para alojar temporariamente micro e pequenas empresas. Oferecem uma série de serviços, tais como cursos de capacitação gerencial, assessorias, consultorias, orientação na elaboração de projetos a instituições de fomento, serviços administrativos, acesso a informações, etc. Contribuem para o desenvolvimento sócio-econômico ao induzir o surgimento de unidades produtivas geradoras de grande parte da produção industrial e criadoras da maior parte dos postos de trabalho no País.

Basicamente existem três tipos de incubadoras de empresas: 1) as de base tecnológica: abrigam empresas nas quais os produtos, processos ou serviços são gerados a partir de resultados de pesquisas aplicadas; a tecnologia representa alto valor agregado; 2) as de setores tradicionais: abrigam empresas ligadas aos setores tradicionais da economia, detentoras de tecnologia largamente difundida, mas desejosas de agregar valor aos seus produtos, processos ou serviços por meio de um incremento em seu nível tecnológico; devem estar comprometidas com a absorção ou o desenvolvimento de novas tecnologias; e 3) as mistas: abrigam empresas dos dois tipos já descritos. As incubadoras apóiam também empresas dos setores culturais, artesanato, cooperativas, agronegócios, dentre outras.

As micro, pequenas e médias empresas constituem cerca de 98% das empresas existentes, empregam 60% da população economicamente ativa, geram 42% da renda produzida no setor industrial e contribuem com 21% do Produto Interno Bruto – PIB, segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, criado em 1972 para apoiar o desenvolvimento sustentável das empresas de pequeno porte ( acesso em 30.ago.2004).

A taxa de mortalidade entre empresas com passagem pelo processo de incubação é reduzida a 20%, contra 70% detectado entre empresas nascidas fora do ambiente de incubadora, de acordo com estatísticas de incubadoras americanas e européias.

No Brasil, a taxa de mortalidade das micro e pequenas empresas com passagem pelas incubadoras também fica reduzida a patamares comparáveis aos europeus e americanos, conforme estimativas. Para as nascidas fora do ambiente de incubadora, o SEBRAE aponta uma taxa de mortalidade de 80% antes de completarem o primeiro ano de funcionamento.

O problema gerencial é o principal causador dessa elevada taxa de mortalidade, segundo o SEBRAE. Outras razões, citadas pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria do Estado de São Paulo - SIMPI, não menos importantes, são as dificuldades burocráticas (incluem uma legislação complexa, exigente e provocadora de altos custos burocráticos, tributários, de produtos e comercialização), além das dificuldades concorrenciais para os micro e pequenos empresários com atuação em mercados oligopolizados, nos quais grandes empresas ditam prazos e condições de pagamentos para a aquisição de produtos e fornecimento de insumos.

Além disso, as taxas de juros sobre os empréstimos, superiores às pagas pelas grandes empresas, bem como as exigências dos emprestadores por garantias reais (geralmente sem condições de oferecer), deixam o micro e pequeno empresário sem acesso ao crédito. Completa esse quadro de entraves o difícil acesso a tecnologias para a inovação em produtos e em processos de produção.

As incubadoras de empresas podem contribuir principalmente para a solução de duas dessas dificuldades, quais sejam: 1) a capacidade gerencial dos empresários; 2) incorporação de tecnologia aos produtos e processos da empresa.

As incubadoras também podem minimizar os efeitos nocivos dos outros problemas mencionados. Certamente maximizam a utilização pelos micro e pequenos empresários de seus recursos humanos, financeiros e materiais os micro e pequenos empresários.

Contribuem as incubadoras para a sobrevivência das empresas com passagem pelo processo de incubação e estimulam o empreendedorismo ao divulgar a possibilidade de se criar um negócio próprio, com chances reais de êxito, como opção à busca de empregos.

As micro e pequenas empresas, sem contar com o apoio das incubadoras, tem menores chances de incorporar inovações em seus processos de produção ou de prestação de serviços.

Os micro e pequenos empresários, de modo geral, têm seu tempo consumido pelo trabalho cotidiano e rotineiro, enfrentam dificuldades financeiras e contam com um quadro de recursos humanos diminuto, muitas vezes recrutado na própria família, quase sempre sem especialização e capacitação para incorporar inovações à empresa. Comparado a essa situação, o ambiente de uma incubadora é um habitat desejável para as empresas nascentes. Além do apoio técnico-econômico, há sinergia criada pela concentração de empreendedores comprometidos com o sucesso empresarial.

São modalidades de empresas sob a condução das incubadoras: 1) empresa pré-incubada: período de tempo determinado, no qual o empreendedor poderá finalizar sua idéia com a utilização de todos os serviços da incubadora/hotel de projetos, para definição do empreendimento, estudo da viabilidade técnica, econômica e financeira ou elaboração do protótipo/processo necessários para o efetivo início do negócio; 2) empresa incubada: empreendimento participando do processo de incubação (empresas residentes e associadas); 3) empresa graduada: empreendimento já entrando no mercado após alcançar desenvolvimento suficiente e habilitar-se na incubadora; 4) empresa associada; 5) empreendimento incubado a distância.

O SEBRAE dá apoio ao movimento de incubadoras. Estimula o uso de incubadoras de empresas objetivando criar, desenvolver e consolidar empresas competitivas destinadas a contribuir para o fortalecimento da tecnologia brasileira e o desenvolvimento sócio-econômico nacional. O SEBRAE pretende ser referência nacional e internacional no estímulo à criação e ao desenvolvimento de incubadoras de empresas.

São objetivos do Programa Incubadora de Empresas do SEBRAE: 1) desenvolver a cultura de incubadoras no País; 2) apoiar na criação e consolidação das incubadoras de empresas; 3) fortalecer as parcerias para um maior comprometimento com o programa; 4) criar condições para as empresas apoiadas pelo programa tornarem-se competitivas.

O movimento das incubadoras teve início em 1984 com a criação de cinco fundações tecnológicas: Campina Grande (PB), Manaus (AM), São Carlos (SP), Florianópolis (SC) e Porto Alegre (RS), com a finalidade de promover a transferência de tecnologia das universidades para o setor produtivo.

A primeira incubadora a funcionar na América Latina foi a incubadora da Fundação Parqtec – São Carlos, inaugurada em dezembro de 1984, com quatro empresas instaladas.

O SEBRAE apoia, desde 1991, ações de implantação, desenvolvimento e fortalecimento de incubadoras de empresas. Utiliza os produtos normalmente disponíveis, tais como: treinamento gerencial, participação em feiras, rodas de negócios, programa de qualidade, missões técnicas.

Em dezembro de 2004, o Brasil contava com 283 incubadoras ante 207, em dezembro de 2003, e 183, em dezembro de 2002, diz José Eduardo Fiates, presidente da Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos de Tecnologias Avançadas – ANPROTEC (Valor, São Paulo, 22 dez. 2004, p. D8). As incubadoras mantinham 2.114 empresas incubadas e outras 1.580 graduadas. A meta da incubadora é proporcionar um ambiente favorável ao desenvolvimento do negócio e da tecnologia, explica Fiates. A apresentação para fundos de investimento é outra das missões da incubadora, complementa.

O Ceará tem 12 incubadoras (4 na Capital e 8 no interior) e cerca de 65 empresas incubadas (Diário do Nordeste, Fortaleza, 20.ago.2004, Caderno Negócios, p. 2).

O capital de risco (“venture capital”) é o investimento temporário em empresas emergentes com grande potencial de crescimento, por meio da participação direta no seu capital social, via aquisição de ações ou debêntures conversíveis em ações, buscando rentabilidade acima das alternativas disponíveis no mercado financeiro, em função da maior exposição ao risco.

Uma importante fonte de capital de risco são os Fundos Mútuos de Investimento em Empresas Emergentes, regulados pela Instrução CVM nº 209, de 25.mar.1994, constituídos sob a forma de condomínio fechado, representativos de comunhão de recursos destinados à aplicação em carteira diversificada de valores mobiliários (ações, debêntures, bônus de subscrição) de emissão de empresas emergentes.

O SEBRAE tem um Programa de Capital de Risco (PCR) com três objetivos principais: 1) desenvolvimento das micro e pequenas empresas; 2) desenvolvimento do mercado de capital de risco: o PCR deve ser visto, também, como um agente indutor do crescimento do mercado de capital de risco no Brasil e uma importante alternativa de fonte de recursos para micro e pequenas empresas. O PCR deverá apoiar o surgimento de novos gestores de fundos de investimentos de risco destinados a prestar às empresas investidas serviços de natureza contábil, “marketing”, jurídico, tecnológico, além do simples aporte de recursos financeiros; 3) rentabilidade dos investimentos: as ações do PCR devem prever o retorno do investimento realizado pelo SEBRAE (www.sebrae.com/br/Para sua empresa/Como obter crédito/Capital para sua empresa>).

A IncubAero, localizada em São José dos Campos (SP), implantada pela Fundação Casimiro Montenegro, é uma incubadora de empresas aeroespaciais, com foco voltado para a formação de novos empreendedores em áreas ainda não dominadas pelo Brasil, mas nas quais a independência se afigura estratégica no setor aeroespacial. A IncubAero dará prioridade aos projetos a serem transformados em produtos num prazo inferior a três anos (Gazeta Mercantil, São Paulo, 26 nov. 2004, p. A-13).