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ARTIGOS



EDUCAÇÃO E MUDANÇAS ESTRUTURAIS

A China é o maior fenômeno econômico da história. Nenhum outro país cresceu por 30 anos seguidos (1980-2010) à taxa média de 12% ao ano. Em 2010, ela se tornou a 2ª maior economia do mundo. Ainda nesta década poderá ser a 1ª. O sucesso chinês tem raízes amplas, profundas e provavelmente duradouras. O início foi em 1978, quando Deng Xiaoping restabeleceu a prioridade à educação, acolheu o investimento estrangeiro, privatizou empresas estatais e permitiu ampla participação do setor privado na economia. No ensino superior, foram adotados os modelos britânico e americano. A educação é central no êxito da China, assinala Maílson da Nóbrega (´A ascensão da China´. Veja, São Paulo: Abril, n. 2.221, 15 jun. 2011, p. 22).

2. A China está à frente do Brasil em duas áreas cruciais para garantir o crescimento sustentável: a formação de mão de obra qualificada e os avanços na educação. Os brasileiros com mais de 15 anos passam, em média, 4,9 anos na escola, e os chineses, 6,4 anos. Por conseguinte, a China está mais capaz de aproveitar momentos de expansão, avalia Masha Gordon, vice-presidente da Pimco, uma das maiores gestoras de recursos do mundo, com US$ 1,3 trilhão de patrimônio (Exame. São Paulo: Abril, n. 995, 29 jun. 2011, p. 118). A China vive um interessante período de transição de uma economia exportadora para uma focada em consumo, e isso gera oportunidades de investimento, especialmente em ações dos setores de consumo e imóveis.

3. A Moody´s elevou a nota atribuída à dívida do governo brasileiro (“upgrade”): a nota subiu de Baa3 para Baa2, ou seja, o Pais saiu do piso (Baa3) do grau investimento para um degrau acima (Baa2). O Brasil recebeu a nota Baa3 desde 2009 (Folha de S. Paulo, 21 jun. 2011, p. A11).

4. O Brasil precisará promover mudanças estruturais, e não apenas dar continuidade às políticas atualmente em prática, para dar um salto e alcançar a nota “A”, nível de outros emergentes como a Coreia do Sul e a Polônia, explica Mauro Leos, responsável na Moody´s pelo ´rating´ do Brasil (Valor, São Paulo, 21 jun. 2011, p. C2). Um dos desafios é promover crescimento sustentável na casa dos 5% ao ano, a exigir mais investimento e poupança interna, complementa Leos.

5. Falta de condições para competir no mercado internacional provoca um processo de desindustralização em pleno curso. Empresas nacionais, como a Unigel, Honda, Vicunha Têxtil e Vulcabrás, optam por produzir em países onde o custo fixo de produção proporciona melhores condições de competitividade ante a concorrência internacional. A reversão deste quadro, explica Régis Bonelli, economista do Instituto Brasileiro de Economia – Ibre (DCI, São Paulo, 23 jun. 2011, p. A6), passa por dois momentos: 1º) adoção de medidas de incentivo à indústria, corporificadas no Plano de Desenvolvimento da Competitividade – PDC, ora em fase de discussão entre o governo e as empresas; 2º) a aprovação das tão esperadas reformas institucionais, entre as quais a fiscal, a tributária e a trabalhista.

6. Enquanto tais medidas não chegam, o déficit comercial em alguns dos principais setores da indústria de transformação (química, máquinas e equipamentos, eletroeletrônicos, calçados e têxtil) continua a apresentar desempenho negativo. A balança comercial do setor de manufatura acusou déficit recorde de US$ 70,9 bilhões em 2010, 95% acima do saldo negativo de 2009 (id.).

7. A participação do setor produtivo na composição do Produto Interno Bruto – PIB nunca esteve tão baixa nos últimos 40 anos. Nos anos 1950, chegou a 18%, mas atualmente está em 15%. O auge ocorreu na década de 1980, quando alcançou 30% (id.).

8. A queda da participação da indústria é verificada em plena fase de expansão da demanda interna. O crescimento do consumo no 1º trimestre de 2011 foi atendido por produtos importados na proporção de 67%, de acordo com a Federação das Indústrias de São Paulo – Fiesp (id.).