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ARTIGOS



TAPEÇARIA

A aquisição de tapete persa pode ser um bom investimento, mas, como todo investimento em arte, deve significar prazer antes de lucro ou retorno financeiro.

O investimento em tapete persa, objeto de adorno admirado desde a Idade Média pelas cortes européias, exige muito cuidado, pois a variedade de peças e de produtores é enorme. A receita fundamental para realizar uma compra bem-sucedida é buscar sempre a raridade aliada à antiguidade. Quanto mais rara e antiga a peça, maior será seu valor com o passar dos anos. Uma peça única sempre encontrará compradores, mas, além de rara, a peça tem de possuir outras qualidades, como ser antiga e bem conservada. Consideram-se antigos os objetos com mais de cem anos ou manufaturados antes do século XX, de acordo com os antiquários.

Os tapetes realmente valiosos são os artesanais (manufaturados fora de linha de produção) e tingidos sem as tintas sintéticas. Um tapete feito com tinta vegetal sempre vale mais, pois mostra a maneira artesanal e única com a qual o artesão confeccionou a peça, explica Marcelo Felmanas, da galeria Pro Arte.

O risco na aquisição de um tapete pode ser minimizado pela escolha de uma peça "blue chip". De valor geralmente inegável, a "blue chip" costuma ser oriunda de dois centros de produção: do Irã e da região dos Montes Caucasianos (território próximo ao Mar Cáspio e abrange o sul da Rússia e países como o Azerbaijão e a Geórgia). Os tapetes do Irã são os tradicionais tapetes persas, mais perfeitos nas formas e nos desenhos. Os tapetes caucasianos, com desenhos simétricos nas formas e desenhos repetidos ao longo da peça, são mais rústicos, porque produzidos por tribos nômades e, por isso, também conhecidos como tribais.

Outra qualidade de tapeçaria é a quantidade de nós possuída por uma peça. Essa quantidade demonstra o trabalho minucioso da confecção. Um tapete de ótima qualidade não teria menos de cem nós por centímetro quadrado. As formas de fazer-se um nó variam de acordo com a região. Há então tapetes com uma menor quantidade de nós, mas de valor elevado por conta da região, época e modo artesanal da manufatura.

A palavra chave no mercado de tapetes é a conservação. Boas condições sempre levam a um ágio, afirma Jacqueline Coulter, da Sotheby's. As peças podem ter seu valor minimizado se não forem adequadamente restauradas ou se mostrarem falhas trazidas pelo tempo. É quase impossível achar um tapete com mais de oitenta anos sem restauração, diz Edith Porteleki, restauradora. O restauro é necessário para manter-se a beleza e a qualidade de um tapete oriental. Mas consertos demais também podem descaracterizar a peça original. A compra também deve ser pautada pela quantidade de restauros pelos quais passou a peça.

O Irã continua sendo o grande centro produtor em variedade e qualidade. Ainda existem no Irã artesãos preocupados em utilizar técnicas antigas e únicas. Lá é possível encontrar tapetes de cinquenta anos com excelente perspectiva de valorização, conclui Edith Porteleki.

Os tapetes não se mostraram melhor investimento porque eles são guiados pela moda, diz Louise Kendon, do Departamento de Tapetes da Christie's. Populares nos anos 70 e 80, perderam o apelo os tapetes com desenhos arrojados e cores como vermelho brilhante e índigo. As peças em vermelho e azul, com denso padrão de videiras entrelaçadas ao redor de um medalhão central, são agora bem mais difíceis de vender, observa Jacqueline Coulter. A moda atual é usar cores naturais e decorações em tons claros, e os tapetes mais populares hoje são os enquadrados nesse estética moderna. ("Belos e também lucrativos". Valor, São Paulo, 28.abr.2004, p. D1).