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ARTIGOS



BRASIL – EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO

O Brasil tem hoje 92 milhões de pessoas empregadas, o maior contingente da história. Esse total representa mais de 90% da população em idade e em condições de trabalhar. Nas seis principais regiões metropolitanas, a taxa de desemprego atingiu 6,7% em 2010 (8% em 2008/2009; 9% em 2007; e 10% em 2005/2006), a menor taxa da história recente (o nível mais baixo desde o início do cálculo da série pelo IBGE, a partir de 2002) (Exame, São Paulo: Abril, n. 989, 06 abr. 2011, p. 32).

2. Caso o País mantenha até 2015 crescimento médio de 4,6% ao ano, será preciso um adicional de 8 milhões de pessoas educadas e qualificadas para assumir funções cada vez mais sofisticadas. Por coincidência, o País tem hoje 8 milhões de desempregados, mas a solução para a carência de profissionais não virá desse grupo, ora à margem do mercado por total falta de qualificação, herança maldita de um sistema educacional quase sempre inepto e ineficiente (id.).

3. Com recorde de emprego, o País busca profissionais. A demanda por profissionais corre muito à frente da oferta. Há o risco de apagão de mão de obra. Está em jogo a continuidade do crescimento. Quando um país não consegue suprir a demanda por mão de obra, a própria perspectiva de crescimento fica em xeque. Para quem trabalha, o momento é mágico. Além de oportunidades, os reajustes salariais têm sido generosos. São negociados acima da inflação (id.).

4. A produtividade brasileira evolui lentamente, e os ganhos salariais se transformam em aumento de custo. De 2000 a 2008, o índice de produtividade da Coreia do Sul cresceu, em média, 7,4% ao ano. O da China, 5,2%, o dos EUA, 4,6%, o da Argentina, 3%, e o do Brasil, 0,9%. O crescimento da produtividade brasileira é vagaroso em boa medida pela qualidade da educação. Na fase próspera dos anos 90, os EUA conseguiram evitar o efeito inflacionário do pleno emprego com melhoria da produtividade (id.).

5. A exuberância do mercado de trabalho contribuiu para a ascensão da classe C e a formação da nova classe média, a redução das desigualdades e o aumento do consumo. A expansão do mercado de consumo atrai empresas e investidores (id.).

6. Há grande espaço de crescimento para as instituições de ensino superior. Apenas 13,8% dos brasileiros com idade entre 18 e 24 anos estão matriculados em faculdades. Há atualmente 28,1 mil diferentes cursos de graduação em vigência. Desse total, 19,8 mil são ministrados em faculdades privadas e os outros 8,2 mil em faculdades públicas. Os 20 cursos mais procurados responderam por quase 70% das matrículas efetivadas em 2010. O valor médio das mensalidades, de R$ 367, com base em 2009, redução de 30% em relação ao ano 1999, ainda não cabe no bolso dos universitários das classes C e D. Prova disso é a taxa de evasão: atingiu 17,9% em 2009. Diante da evasão, apenas 56% dos alunos das faculdades privadas concluem o curso de graduação (Valor, São Paulo, 29 mar. 2011, p. B1).

7. O setor de ensino superior brasileiro é amplo, continua em fase de crescimento, apresenta baixa penetração em comparação a outros países, é fragmentado e atendido predominantemente por instituições privadas: amplo - 5º – maior mercado de ensino superior do mundo e o maior mercado de ensino superior da América Latina, com aproximadamente 6 milhões de matrículas; baixa penetração – comparado a outros países em desenvolvimento, o nível de penetração do setor de educação no Brasil é muito baixo, igual a 10% (Argentina, 68%; e Chile, 52%); fragmentado – maioria composta por pequenas instituições privadas, com escala ineficiente, administração familiar, acesso restrito a capital e baixa capacidade de investir em pessoal, infraestrutura e marketing; capacidade de crescimento – a perspectiva de ascensão profissional e o aumento salarial significativo para os trabalhadores com diploma superior são 2 fatores centrais associados à expansão do setor (´Relatório da Administração – 2010 – Anhanguera Educacional Participações S.A.´. Valor, São Paulo, 30 mar. 2011, p. A59).

8. O Brasil possui 5,5 milhões de estudantes no ensino superior e, por conseguinte, tem condições de tornar-se liderança mundial, avalia Bill Clinton, ex-presidente dos EUA (Folha de S. Paulo, São Paulo, 19 mar. 2011, p. B5). O Brasil é um dos primeiros países, em seu nível de renda per capita, a universalizar o ensino fundamental. Precisa agora universalizar o ensino médio e, ao final, os alunos devem estar preparados para o vestibular. O diploma de ensino superior tem um valor intrínseco, além do valor econômico. A pessoa entende melhor o mundo. Aumenta seu senso de segurança quando navega por todas as incertezas do planeta. O diploma ajuda a construir um bom senso de cidadania. O aumento de matrículas nas faculdades permitirá ao País construir uma classe média muito maior.

9. A educação ruim perpetua o atraso português. A força de trabalho sofre com falta de preparo e cortes de gastos públicos devem piorar a situação. Portugal é o país mais pobre da Europa Ocidental. É também o menos escolarizado, dolorosa vulnerabilidade em meio à sua crescente crise econômica (a dívida do governo se aproxima de 90% do PIB). Apenas 28% da população portuguesa entre 25 e 64 anos tem ensino médio completo. Na Alemanha, o percentual é de 85%; na República Checa, 91%; nos EUA, 89%. O ensino confere amplos benefícios econômicos. Há evidências substanciais, de acordo com a experiência de outros países. Uma geração atrás, a Irlanda era um dos países mais pobres na UE. Mas alocou subsídios da UE ao ensino técnico e renovou-se. Transformou-se em destino de empregos de alta tecnologia, duplamente atraente devido a baixos impostos. A Irlanda é agora, mesmo depois de uma crise bancária brutal, um dos países mais ricos da Europa. Só com um diploma de ensino fundamental não dá para fazer nada, apenas ser garçonete, diz Sophie Alves, de Penafirme. Em Portugal, se você conquistar um diploma, ganhará mais ou menos o dobro dos não diplomados, diz Paulo Gonçalves, também de Penafirme (Valor, São Paulo, 26 mar. 2011, p. A16).

10. O Brasil ficou em último lugar em levantamento sobre o percentual da população com diploma de 3º grau. Realizado pela OCDE, o levantamento incluiu 36 países. A média dos países da OCDE é de 28%. Apenas 11% dos brasileiros de 25 a 64 anos têm o referido diploma, com base em 2008 (O Povo, Fortaleza, 22 abr. 2011, p. 10).

11. Uma das ações mais ambiciosas da agente da presidente Dilma Rousseff, o Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego – Pronatec, lançado em 28 abr. 2011 (Dia da Educação), tem como meta oferecer 8 milhões de vagas, até 2014, na educação profissional para estudantes do ensino médio e de trabalhadores com necessidade de requalificação para voltar ao mercado. O sistema de capacitação profissional brasileiro se tornou um desafio à nossa capacidade de crescimento e, por isso, tem de ser enfrentado de maneira direta e articulada, disse Dilma. Temos 6 milhões de estudantes na educação superior e 1 milhão no curso técnico. Isso é um paradoxo com o qual não podemos conviver. No mundo essa relação é absolutamente diferente, comentou Fernando Haddad, ministro da Educação (O Povo, Fortaleza, 29 abr. 2011, p. 14).

12. Os analfabetos já são menos de 10%: a taxa de analfabetismo caiu de 12,8%, em 2000, para 9%, em 2010, de acordo com o Censo 2010 divulgado em 29 abr. 2011 pelo IBGE. O Brasil, com seus 190.755.799 habitantes, é mais alfabetizado. Mas a taxa de analfabetismo no Nordeste é 17,6% em 2010, ante 24,6% em 2000 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 30 abr. 2011, p. C4/C5).

13. A classe C é mais numerosa. Os domicílios com renda per capita na faixa de 0,5 a 2 salários mínimos representam 50,6% do total (Folha de S. Paulo, São Paulo, 30 abr. 2011, p. C4/C5):

Rendimento dos domicílios brasileiros, por faixas de salários mínimos per capita, em %

9,2

18,5

28,7

21,9

7

5,3

5,1

4,3

até 1/4

1/4 a 1/2

1/2 a 1

1 a 2

2 a 3

3 a 5

+ de 5

sem rendimentos

Fonte: IBGE

14. Em 2002, a maioria dos brasileiros da classe C tinha apenas o ensino fundamental completo. Desde 2010, mais da metade deles já conta ao menos com o ensino médio:

2002

2010

2014

Ensino fundamental

55%

43%

38%

Ensino médio

31%

39%

41%

Ensino superior

6%

9%

11%

Outros (*)

8%

9%

10%

(*) Alfabetização de adultos e supletivo

Exame, São Paulo: Abril, n. 991, 04 maio 2011, p. 30