Digite a palavra-chave

A busca é efetuada em todas as páginas do site e abrange todo o seu conteúdo.
Página principal




ARTIGOS



BRASIL, DILMA, EUA E O GRANDE SALTO

O terremoto ocorrido em 11 mar. 2011 no Japão foi o maior do país e o 6º maior do mundo em magnitude (8,9 na escala Richter, escala logarítima criada em 1935 por Charles Richter). Com epicentro a 125 km da costa japonesa, o sismo provocou tsunami com até 800 km/h de velocidade de deslocamento no oceano. As ondas, de até 10 m de altura, determinaram grande destruição no noroeste japonês, especialmente em Sendai, cidade mais próxima do epicentro (Folha de S. Paulo, São Paulo, 12 mar. 2011, Mundo, p. 1).

2. Frente a uma das piores tragédias naturais a devastar o país, o Banco Central do Japão realizou injeção histórica de US$ 184 bilhões no sistema financeiro na esperança de manter o fluxo do crédito para empresas e consumidores. Manteve a taxa básica de juros em 0,10% (Folha de S. Paulo, São Paulo, 15 mar. 2011, p. A19).

3. O peso do Japão como consumidor de matérias-primas é forte: o 1º maior importador de milho do mundo, o 3º de soja e o 5º de trigo. Suas siderúrgicas compram 13% de todo o minério de ferro vendido no mundo. Tóquio é uma megalópole com 32 milhões de habitantes (Valor, São Paulo, 17 mar. 2011, p. A14).

4. Um dos efeitos do desastre no Japão será sobre o petróleo, avalia a presidente Dilma Rousseff (Valor, São Paulo, 17 mar. 2011, p. A6).

5. A demanda de petróleo e gás (continua Dilma) aumentará muito para substituir a energia nuclear. No Japão, 40% da energia de base é nuclear.

6. O Brasil tem na energia uma diferença estratégica e competitiva, e a energia define o ritmo de crescimento dos países. A nossa diferença é a água (potencial hídrico). A Europa já usou todo o seu potencial hídrico.

7. Não vamos utilizar o pré-sal como ganho fácil. O pré-sal é passaporte para o futuro. Queremos ter uma indústria de petróleo, desenvolver pesquisas, produzir bens e serviços e exportar para o mundo.

8. O Brasil vai crescer entre 4,5% e 5% este ano. Não vamos permitir a volta da inflação, sob qualquer circunstância. A meta é de 4,5% e vamos forçar para a inflação manter-se no centro da meta.

9. O corte de R$ 50 bilhões nos gastos públicos é parte de política de consolidação fiscal. É como cortar as unhas. Vamos ter de fazer isso sempre. Se não olharmos os gastos, eles explodem.

10. Três coisas explicam muito os EUA: aceleração do crescimento com a incorporação de toda a população ao mercado; processo de educação em todos os níveis para a população; e formação de pessoas ligadas à ciência e à tecnologia para permitir a geração de inovação.

11. Temos de apostar nesses três fatores para o Brasil dar um salto. Além disso, temos petróleo, biocombustível, hidrelétricas e minério, além de sermos potência alimentar. Mas não queremos ser só ´commoditizados´. Queremos agregar valor.

12. Por isso insistimos em parcerias estratégicas com outros países. Agora mesmo vamos propor aos EUA parceria na área de satélites, especialmente para avaliação do clima, e em algumas outras áreas. Queremos parceria na garantia de vagas nas melhores escolas. Para dar um saldo, todos os países apostaram antes na formação de profissionais no exterior.

13. A nossa proposta de erradicação da pobreza destina-se a retirar dessa condição, ao fim de 4 anos, o mais próximo do saldo remanescente de 19 milhões de brasileiros. Já começamos a mexer no Bolsa Família e aumentamos a parte de crianças.

14. O Brasil é o único entre os emergentes sem universidade ´top´ (universidade situada entre as 100 melhores do mundo). A U. Harvard, dos EUA, é a 1ª no ´ranking´ do Times Higther Education – THE, de Londres, principal referência no campo das avaliações de universidades do mundo. Os EUA são o grande destaque do ´ranking´, com 7 universidades entre as 10 primeiras e 45 entre as 100. Em seguida, vem o Reino Unido, com 2 entre as 10 primeiras (Oxford e Cambridge) e 12 no total. A Rússia aparece com 1 universidade (33ª posição), a China com 5 e a Índia com 1. O Brasil, assim como Itália, Espanha e Portugal, não figuram no ´ranking´ (Folha de S. Paulo, São Paulo, 10 mar. 2011, p. C3).

15. A economia chinesa cresceu em média 9% anuais nos últimos 34 anos. Esse crescimento não vai perdurar, dizem, há 33 anos, os economistas ocidentais. A sustentação da arrancada da economia chinesa parece realmente ser o salto na educação. Os chineses estão estrategicamente investindo nos seus jovens. Há cerca de 130 mil chineses em cursos de pós-graduação nos EUA. Há mais de 300 milhões de crianças aprendendo inglês na China. Quatro universidades chinesas apareceram no recente ´ranking´ das 100 melhores do mundo. O tal ´negócio da China´ parece ser mesmo o investimento na educação, assinala Fábio Barbosa, presidente do Conselho de Administração do Banco Santander (´Educação, o negócio da China´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 mar. 2011, p. B14).

16. As origens familiares e as condições sociais e econômicas ainda têm importância maior que a educação para alcançar postos profissionais mais qualificados, de acordo com a pesquisa ´A dimensão social das desigualdades´ elaborada pelo Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro – Iesp/Uerj. Embora desde o fim da década de 1980 o peso dessas origens esteja em queda, ainda é fator preponderante para impulsionar ascensão social (´Honra ao mérito?´. Valor, São Paulo, 18 mar. 2011, caderno ´Eu & fim de semana´, p. 8).