Digite a palavra-chave

A busca é efetuada em todas as páginas do site e abrange todo o seu conteúdo.
Página principal




ARTIGOS



BANCOS E DESENVOLVIMENTO

O setor financeiro e, em especial, o setor bancário exercem papel fundamental para o desenvolvimento de qualquer país. Não é diferente no Brasil, afirmou Murilo Portugal em seu discurso de posse como presidente executivo da Federação Brasileira de Bancos – Febraban em data de 17 mar. 2011.

2. Os bancos, o principal componente do sistema de pagamento, permitem (continua Murilo Portugal) aos seus usuários a realização diária, de forma eficiente, rápida e segura, de pagamento de milhões de transações.

3. Exercem papel central na captação, preservação e remuneração das poupanças de dezenas de milhões de cidadãos brasileiros. Garantem a disponibilidade dessas poupanças quando seus proprietários delas necessitam.

4. Disponibilizam seus próprios recursos e os recursos mobilizados de seus depositantes e emprestadores para financiar a produção, o investimento e o consumo, canalizando esses recursos para os usos nos quais se espera o maior retorno e assumindo os vários tipos de riscos envolvidos nessas operações de empréstimo e financiamento.

5. Esses papéis são fundamentais para o desenvolvimento econômico e social do País.

6. A existência de um sistema financeiro sólido, ético e eficiente é condição essencial para o desenvolvimento econômico e social sustentável do Brasil. Mas os bancos não conseguem prosperar em seu conjunto se a economia do país vai mal. Há, assim, uma simbiose entre uma economia forte e próspera e um setor bancário sólido e eficiente. E esta simbiose contribui para gerar um alinhamento entre os incentivos do setor e os interesses do País.

7. O Brasil vive hoje momento positivo de sua história econômica recente. Estamos conseguindo conciliar estabilidade macroeconômica, crescimento rápido, solidez externa e maior distribuição dos benefícios do crescimento para a população de baixa renda.

8. Estes resultados econômicos e sociais altamente expressivos estão sendo alcançados num regime de liberdades políticas e democracia plena e num clima de paz e harmonia social, e isso é extremamente importante e em muito aumenta a confiança na estabilidade e continuidade deste bom desempenho.

9. A gravíssima crise internacional enfrentada recentemente foi demonstração importante da capacidade de resistência adquirida pela economia brasileira. Graças aos bons fundamentos econômicos, aos colchões financeiros acumulados antes da crise e a uma resposta efetiva do governo, a recessão foi curta e evitamos destruição da nossa capacidade de crescer. A economia voltou a expandir-se e o produto e o emprego já superam os níveis pré-crise.

10. Um componente muito importante da resistência da economia brasileira à crise externa e de sua rápida recuperação foi a solidez do nosso sistema financeiro. Os bancos brasileiros encontram-se entre os mais bem capitalizados e líquidos em todo mundo. A intervenção do governo durante a crise, para garantir o funcionamento do crédito e a credibilidade das instituições financeiras, foi relativamente modesta e localizada no Brasil, quando comparada às medidas adotadas em vários países desenvolvidos. Mais uma vez, restou demonstrada a importância do sistema bancário para o desenvolvimento do País.

11. Importância e responsabilidade precisam andar sempre juntas. Quanto maior a importância, maior tem de ser a responsabilidade. E os bancos têm consciência de suas responsabilidades com o Brasil. Têm consciência da responsabilidade com cada um de seus depositantes, emprestadores e clientes e com o conjunto dos cidadãos brasileiros.

12. Os bancos estão determinados a continuar contribuindo, de forma decidida, para o progresso do Brasil. Vão continuar aumentando a eficiência, melhorando a qualidade dos serviços prestados aos seus clientes e estendendo o acesso desses serviços a milhões de novos clientes, num processo continuado de bancarização, processo esse responsável por ajudar a incorporar dezenas de milhões de brasileiros à sociedade de consumo.

13. Nosso setor financeiro, é verdade, tem ainda desafios importantes a enfrentar. A nossa poupança doméstica precisa ser ampliada e, neste aspecto, uma maior contribuição da poupança pública é essencial. É necessário aumentar a participação do sistema financeiro privado no financiamento voluntário de longo prazo e, em especial, no financiamento do investimento. Isso ajudará a continuidade do aumento do nosso produto potencial, do qual depende nossa capacidade de crescer de forma sustentada, sem desequilíbrios internos e externos. Para isto é preciso ampliar as fontes de financiamento de longo prazo e criar mercados secundários profundos para assegurar liquidez a títulos de longo prazo, especialmente títulos privados.

14. É preciso continuar o processo de redução do custo do crédito, ainda muito elevado no Brasil, tanto da taxa básica de juros quanto dos ´spreads´ bancários. Os bancos têm interesse na redução do custo do crédito, assim como qualquer empresa tem interesse na redução dos seus custos de produção.

15. A continuidade da queda da taxa básica de juros depende da redução da inflação, da diminuição da volatilidade dos preços, de maior consolidação fiscal e da ampliação da incidência da taxa básica de juros para aumentar o seu poder de afetar a demanda agregada.

16. A redução dos ´spreads´ depende da redução da inadimplência e do custo da inadimplência, da diminuição da cunha fiscal, da redução dos custos administrativos dos bancos e da continuada concorrência no mercado de crédito.

17. Esta não é uma agenda de fácil implementação. Os bancos não podem persegui-la sozinhos. Tem de ser uma agenda de toda a sociedade brasileira. Mas é uma agenda com a qual os bancos estão comprometidos e à qual darão sua melhor contribuição, atuando em conjunto com o governo e a sociedade, concluiu Murilo Portugal.