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ARTIGOS



BANCOS E MERCADO DE LONGO PRAZO

Aos bancos cabem três importantes papéis na sociedade: 1º) proteger e rentabilizar a poupança dos indivíduos e das empresas; 2º) financiar o consumo e o investimento; 3º) prover serviços de pagamento e de recebimento. São missões importantes, com diferentes matizes de acordo com os momentos econômicos. O crescimento da economia brasileira nos últimos anos tem várias raízes. Uma delas é o crescimento do crédito. Saímos de um total de R$ 380 bilhões em 2002 para cerca de R$ 1,6 trilhão em setembro último, assinala Fábio Barbosa, presidente da Febraban (´O papel dos bancos´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 05 dez. 2010, p. B15).

2. A economia brasileira não apresenta bolha de crédito. A tendência é o aumento da relação do crédito em relação ao PIB. O atual patamar do crédito, equivalente a 47% do PIB, ainda está bem abaixo do nível apresentado por países com desenvolvimento econômico semelhante ao brasileiro, analisa Roberto Setubal, presidente do Itaú Unibanco (Valor, São Paulo, 02 dez. 2010, C5).

3. O sistema bancário privado (continua Setubal) precisa obter recursos específicos para participar mais ativamente da concessão de crédito longo prazo. Uma das sugestões é a criação de mercado secundário forte para títulos de longo prazo. Esse mercado é muito pouco ativo no Brasil (id.).

4. É necessário criar mecanismos para permitir aos bancos participarem do financiamento dos projetos de infraestrutura, complementa Fábio Barbosa, presidente do Grupo Santander (Folha de S. Paulo, São Paulo, 05 dez. 2010, p. B15).

5. O Brasil precisa agora focar nas necessidades de investimento de infraestrutura, e o sistema financeiro deve buscar respostas a esse desafio. O sucesso do sistema financeiro em atender esse desafio ajudará a economia a caminhar de forma mais sólida, avalia Fábio Barbosa (id.).

6. O Banco Central do Brasil anunciou, na manhã de 03 dez. 2010, medidas de cunho macroprudencial, destinadas a evitar o aumento excessivo do crédito ao consumidor final de bens duráveis, em especial de automóveis (Circulares nos 3.513 e 3.514 sobre elevação da alíquota do recolhimento compulsório sobre recursos à vista e recursos a prazo; e Circular nº 3.515 sobre maior exigência de capital sobre exposições de operações de crédito com prazo contratual superior a 24 meses) (´Cartão de visita´. Folha de S. Paulo, 05 dez. 2010, p. A2).

7. As medidas também objetivam a retirada gradual dos incentivos introduzidos para minimizar os efeitos da crise de 2008. Mas, para observadores de política monetária, a ação teria o caráter de medida não muito ortodoxa de enxugamento de moeda com o objetivo de esfriar o mercado de crédito, o consumo e, dessa forma, a inflação. A autoridade monetária estaria menos disposta a recorrer ao caminho tradicional de conter a alta de preços por meio da política de aumento da taxa de juros de curto prazo e da coordenação das expectativas de mercado. Alguns analistas passaram a reduzir suas estimativas de alta dos juros para 2011 (id.).

8. Diante das medidas de 03 dez. 2010, as instituições financeiras devem reduzir a expansão do crédito em 2011, avalia Renato Oliva, presidente da ABBC (Folha de S. Paulo, São Paulo, 04 dez. 2010, p. B3).

9. As mudanças inibem o surgimento de ´bolhas´ no crescimento do crédito e riscos passíveis de serem negativos para a saúde da economia no futuro, disse Henrique Meirelles, presidente do BCB (Folha de S. Paulo, São Paulo, 04 dez. 2010, p. B1).

10. O crédito bancário cresce acima da média histórica no Brasil, e isso exige dos bancos brasileiros colchão de capital maior para enfrentar incertezas e cobrir eventuais perdas quando a economia desacelerar, de acordo com recomendação do Comitê de Basileia. O Brasil é um dos países com maior aquecimento no mercado de crédito, junto com Coreia do Sul e Cingapura. No Brasil, o crédito bancário ao setor privado saltou de 26,6% do PIB para 45,3%, nos últimos 5 anos (Valor, São Paulo, 22 dez. 2010, p. A1).

11. O Novo Mercado de Renda Fixa é o principal foco de ação da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais – Anbima em 2011. A estruturação desse mercado (semelhante ao Novo Mercado de Ações, lançado em dez. de 2000, responsável por revolução na bolsa brasileira) vem na sequência do conjunto de medidas de estímulo ao crédito de longo prazo anunciado pelo Ministério da Fazenda em 15 dez. 2010. A Anbima pretende estruturar ações para melhorar os produtos e serviços destinados a investidores e emissores. Os investidores devem ter mais confiança e condições de liquidez para alongar os prazos das aplicações (Valor, São Paulo, 22 dez. 2010, p. C7).