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ARTIGOS



ATUALIDADES ECONÔMICAS – GUERRA CAMBIAL II

Os EUA a China estão fazendo uma guerra cambial. Os EUA querem resolver o problema de seu déficit fiscal, e a China não pode continuar com sua moeda subvalorizada como está, disse o presidente Lula (Folha de S. Paulo, São Paulo, 04 nov. 2010, p. A4).

2. O Federal Reserve - FED, o banco central dos EUA, lança plano adicional de compra de títulos do Tesouro, no valor de US$ 600 bilhões, para promover ritmo mais forte da retomada econômica (Folha de S. Paulo, São Paulo, 04 nov. 2010, p. B1).

3. O Brasil e vários outros países emergentes criticaram a decisão dos EUA de inundar a economia mundial com US$ 600 bilhões. O temor é essa decisão provocar grande fluxo de dinheiro para fora dos EUA e determinar a valorização das moedas dos países emergentes. Com a valorização, haverá a perda de competitividade (Folha de S. Paulo, São Paulo, 05 nov. 2010, p. B1).

4. A guerra cambial pelo mundo será discutida pelo G20(*) em 11 e 12 nov. 2010 em Seul, Coreia do Sul. O evento contará com a presença do presidente Lula e da presidente eleita Dilma.

5. A reunião do G20 terminou sem acordo cambial ou comercial para a crise. A guerra cambial não acabou, mas ela ficou mais explícita e passou a ser discutida. Por conseguinte, poderemos adotar instrumentos para resolvê-la, avalia o ministro Guido Mantega, da Fazenda (Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 nov. 2010, p. B13).

6. A reunião do G20 em Seul, iniciada em ambiente de discórdia, encerrou-se com vago compromisso de cooperação para sanar os desequilíbrios da economia mundial e as desvalorizações competitivas. Resultado modesto, porém melhor em relação ao esperado, analisa Antônio Palocci Filho, deputado federal e ex-ministro da Fazenda (Folha de S. Paulo, São Paulo, 14 nov. 2010, p. B11). Enquanto não se alcança um ajuste harmonioso, os países com melhores políticas cambiais acabarão pagando alto preço, adverte Palocci.

7. A proliferação das medidas de controle de capital será uma das consequências do insucesso do G20 em chegar a algum acordo para restaurar o equilíbrio cambial. Um dos pontos de consenso do G20, por ocasião da reunião realizada em Seul, foi exatamente permitir aos países emergentes a adoção de controle de capital, caso estejam experimentando a valorização indesejada de suas moedas, em função do fluxo extraordinário de capital externo (Valor, São Paulo, 17 nov. 2010, p. A14).

8. O capital externo é atraído para o Brasil por causa das taxas de juros, uma das mais elevadas do mundo, e também pelos bons resultados do País ao superar a crise internacional. Mas também influi nesse fluxo anormal de recursos o excesso de liquidez global, originário das políticas monetárias expansionistas utilizadas pelos governos dos mercados mais desenvolvidos para tentar superar a crise. O exemplo mais acabado dessa estratégia são os EUA: já injetaram US$ 1,75 trilhão e agora se preparam para despejar mais US$ 600 bilhões com a compra de títulos (id.).

9. O pacote de US$ 600 bilhões não tem por propósito derrubar o dólar nem deve ser considerado como espécie de capítulo da guerra cambial, afirmou Janet Yellen, vice-presidente do FED (Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 nov. 2010, p. B5).

10. Nos EUA, os juros de curto prazo estão praticamente a zero e os de médio e longo prazos não superam os 2,5% ao ano (Folha de S. Paulo, São Paulo, 04 nov. 2010, p. B12).

11. A compra de US$ 600 bilhões em títulos do Tesouro pelo FED provocará liquidez excessiva nos emergentes. O mundo não precisa de mais capital, e sim de confiança. Os EUA devem dar-se conta de sua responsabilidade e obrigações como país emissor de moeda de reserva e adotar políticas macroeconômicas responsáveis, disse Zhu Guangyao, vice-ministro da China, sobre a posição chinesa na cúpula do G20 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 09 nov. 2010, p. B1).

12. A reativação da economia americana faria bem ao mundo como um todo, disse Barack Obama, presidente dos EUA, em resposta à enxurrada de críticas à decisão do FED de efetuar a compra de US$ 600 bilhões (Folha de S. Paulo, São Paulo, 09 nov. 2010, p. B1).

13. O Brasil saltará do 14º para o 10º lugar em número de cotas do FMI, a partir de 2012. Os EUA deterão 17,41% das cotas. Na sequência, Japão, 6,46%; China, 6,39%; Alemanha, 5,59%; França, 4,23%; Reino Unido, 4,23; Itália, 3,16%; Índia, 2,75%; Rússia, 2,71%; Brasil, 2,32%. (Folha de S. Paulo, São Paulo, 09 nov. 2010, p. B4).

14. As grandes economias deveriam avaliar a adoção de novo padrão-ouro(**) para guiar o mercado de moedas, disse Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial (Folha de S. Paulo, São Paulo, 09 nov. 2010, p. B4). Após a declaração, o preço de ouro subiu.

15. Empresários criticam o real valorizado e temem agravamento do processo de desindustrialização. Os industriais veem emergência cambial no País (Valor, São Paulo, 09 nov. 2010, p. A3).

16. Por trás do interesse da desvalorização da moeda, há o interesse dos países de beneficiar as exportações. As vendas externas se tornam mais competitivas, explica Eveline Barbosa, diretora geral do Instituto de Pesquisa e Estratégia Econômica do Ceará – IPECE (Disponível: <http://blog.ipece.ce.gov.br/?p=184>. Acesso em 17 nov. 2010).

17. No Brasil, o governo (continua Eveline Barbosa) tenta evitar a valorização ainda maior do real com a tributação sobre a entrada de capitais. Mas o aumento da tributação é apenas paliativo. O País tem uma das maiores taxas de juros do mundo. No Ceará, a valorização do real tem sido desafio para os exportadores, mas tem sido benéfica para a industrialização do Estado diante do avanço nas importações de bens de capital, conclui Eveline Barbosa.

18. O balanço de pagamentos de jan. a out. 2010 acusa: déficit na conta corrente de US$ 38,8 bilhões (157% acima em relação ao mesmo período em 2009) e superávit na conta de capital de US$ 82,9 bilhões; ao final, após a cobertura do déficit na conta corrente, resultado positivo de US$ 43,3 bilhões, em face do ingresso de recursos externos via conta de capital. Nos últimos 12 meses, o déficit na conta corrente equivale a 2,43% do PIB, maior patamar desde o fim do governo de FHC em 2002 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 24 nov. 2010, p. B4).

(*) Criado em 1999 para incluir países emergentes no debate econômico global, o G20 reúne 19 países e a União Europeia (Folha de S. Paulo, São Paulo, 07 nov. 2010, p. B1).
(**) Criado em 1944, no acordo de Bretton Woods, ratificado pelo Congresso dos EUA em 1945, o padrão-ouro previa a manutenção pelos países de reservas de ouro suficientes para lastrear a sua moeda. Esse padrão de conversibilidade da moeda em ouro se manteve até agosto de 1971, quando Richard Nixon, presidente dos EUA, anunciou o abandono do modelo.