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ARTIGOS



O SETOR FINANCEIRO NA CHINA

O governo chinês abre os braços às instituições financeiras estrangeiras. Elas são bem-vindas para operar na China ou para cooperar com suas equivalentes chinesas, afirmou Huang Ju, vice-premiê da China, por ocasião da abertura de reunião do Instituto de Finanças Internacionais (IIF), realizada em Xangai em 16.abr.2004 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 22.abr.2004, p. B7).

Graças a 25 anos de reforma e abertura (disse o vice-premiê), a China gerou uma história de sucesso notável, merecedora do reconhecimento mundial. O Produto Interno Bruto (PIB) chinês vem crescendo à média anual de 9,4%. Até 2020, o PIB “per capita” deverá chegar aos US$ 3.000,00. A estrutura econômica tradicional do planejamento central foi inicialmente transformada numa estrutura de economia de mercado socialista. A economia, antes fechada ou semifechada, transformou-se numa economia em abertura para o mundo inteiro.

Atribuímos grande importância (continuou Huang Ju) ao papel crucial do setor financeiro na economia moderna O setor financeiro vem desempenhando um papel crescente no desenvolvimento econômico e social da China.

Para responder à tendência geral verificada no desenvolvimento econômico e financeiro mundial e às necessidades da modernização da China, vamos intensificar nossas reformas e concluir a abertura do setor financeiro.

Em primeiro lugar, vamos promover a reforma financeira em todas as áreas. As instituições financeiras devem ser dotadas de condições de competitividade internacional, uma vez transformadas em empresas modernas, com capital suficiente, administração interna forte, operações seguras, bons serviços e retornos econômicos satisfatórios.

Em segundo lugar, vamos abrir o setor financeiro ao mundo externo. Vamos encorajar o envolvimento maior de instituições financeiras estrangeiras no desenvolvimento financeiro e econômico. Ao final de 2003, a China contava com 191 agências de bancos estrangeiros, 2 corretoras com participação acionária conjunta, 11 administradoras de fundos com participação acionária conjunta e 67 filiais de seguradoras estrangeiras.

Em terceiro lugar, vamos acelerar as inovações e o desenvolvimento financeiros. Queremos desenvolver o mercado de capitais e o mercado de seguros, assim como o mercado de futuros. As instituições financeiras devem implementar inovações organizacionais, operacionais e de produtos.

Em quarto lugar, vamos manter a estabilidade financeira, por meio da estabilidade básica de nossa moeda; da melhoria dos mecanismos de formação da taxa de câmbio do yuan; de um balanço de pagamentos internacional melhor; do fortalecimento da regulamentação financeira; da melhoria do nosso sistema de credibilidade; da proteção de nossa segurança financeira contra possíveis impactos provocados pelo capital especulativo.

Para o bom funcionamento do sistema financeiro internacional e para garantir sua contribuição para a prosperidade, todos os países (avalia Huang Ju) precisam, em primeiro lugar, reforçar sua regulamentação financeira de modo a evitar riscos potenciais e, conjuntamente, conservar a segurança e a estabilidade do regime financeiro mundial. Um país com sérios riscos financeiros pode arrastar toda sua região para uma turbulência financeira e, também, enviar ondas de choque ao mercado financeiro global.

Em segundo lugar, todos os países devem procurar aperfeiçoar os serviços financeiros. As finanças desempenham papel essencial na distribuição de recursos. Todas as instituições financeiras devem fornecer a seus clientes serviços abrangentes, convenientes, velozes e seguros, intensificando sua consciência de serviço e melhorando seus padrões de atendimento.

Em terceiro lugar, todos os países devem promover ativamente as inovações financeiras. A inovação constitui fonte inesgotável da energia propulsora do desenvolvimento financeiro e econômico. As instituições financeiras devem acompanhar a tendência do desenvolvimento econômico, científico e tecnológico do mundo atual. Elas devem tornar-se mais dinâmicas e mais eficientes em relação aos custos, de modo a facilitar o desenvolvimento financeiro e econômico sustentável.

Em quarto lugar (concluiu Huang Ju), todos os países, como requisito da crescente globalização financeira e econômica, devem conduzir intercâmbios e cooperação financeira. Os governos e as comunidades financeiras devem apoiar-se e coordenar-se entre si nas áreas de prevenção de riscos, regulamentação econômica, instrumentos tecnológicos e intercâmbios de pessoal. Esforços coordenados podem combater a especulação financeira internacional, a lavagem de dinheiro e outros crimes financeiros. Os países também devem compartilhar informações e trocar idéias regularmente sobre as principais questões e os problemas financeiros, aprendendo com as experiências bem-sucedidas uns dos outros.

MILAGRE CHINÊS

A economia chinesa consome 50% da produção mundial de cimento; 31% do carvão e 21% do aço. Ela produz 30% dos aparelhos de ar condicionado consumidos no mundo; 24% das lavadouras de roupas; 19% dos telefones celulares; 18% dos televisores; 16% das geladeiras e 8% dos PCs. (Exame, São Paulo, n. 815, 14.abr.2004, p. 20).

A China alcançou o maior progresso contra a pobreza absoluta, de 1990 a 2001. O número de pessoas extremamente pobres (com renda inferior a US$ 1,00 por dia) caiu de 33% para 16,6% da população (de 377 milhões de pessoas para 212 milhões de pessoas, de acordo com relatório do BIRD (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23.abr.2004, p. A15).

O encanto da China para os investidores é o compromisso do governo com as reformas liberalizantes, avalia Octávio de Barros, economista do BRADESCO. O governo chinês dá conforto ao investidor. O governo tomou decisões definitivas em relação à economia de mercado como forma de responder às ameaças da globalização, conclui Barros (Globo, Rio de Janeiro, 24.abr..2004, caderno Economia, p.20).

A China devora 7% da oferta mundial de petróleo, 25% de todo o alumínio, 30% de minério de ferro, 31% do carvão mineral e 27% de todos os produtos de aço. O déficit de energia é de 30 milhões de quilowatts em 2004. A taxa de crescimento de vários setores da indústria não é sustentável. O crescimento deverá desacelerar, prevê Alan Greenspan, presidente do FED. Mesmo se o governo conseguir reduzir o crescimento para 7% ao ano, a China continuará criando novos empregos para atender a demanda. Entram no mercado de trabalho 10 milhões de chineses por ano (Valor, São Paulo, 07.mai.2004, p. A12).

BRASIL & CHINA

O Brasil já teve a sua fase “chinesa”. No período militar, o Brasil viveu sucesso econômico semelhante ao da China, particularmente nos anos de 1968 a 1973, quando o PIB cresceu ao fantástico ritmo de mais de 11% ao ano, acima da média chinesa recente. Tal como na China, o êxito no Brasil derivou da capacidade de o governo efetuar profundas mudanças estruturais na direção correta, em especial no período de 1964 a 1967, quando prioridades eram fixadas sem contestação, o setor público poupava, subsídios e incentivos podiam ser concedidos à larga, a economia era controlada com mão-de-ferro. Como o chinês, o modelo brasileiro tinha virtudes e defeitos. Erros na alocação de recursos, economia fechada, dirigismo excessivo, generosidade na concessão de subsídios e incentivos, dentre outras falhas, provocaram a exaustão da estratégia e legaram-nos crise fiscal, ineficiências na economia e aprofundamento do mau hábito de atribuir ao governo poderes fora de seu alcance, como o de baixar juros a seu talante.

Na bem-sucedida transição para a democracia, o Brasil pagou o preço de ter uma nova Constituição, ou seja, a ingênua idéia de resgatar a dívida social. Por causa dessa idéia enfrentamos piora na legislação trabalhista, déficit na Previdência, rigidez orçamentária, sistema tributário caótico e outras consequências. O quadro ainda não permitiu ao Brasil concluir a transição para uma economia descentralizada e orientada pelo mercado, como haverá de ser o novo modelo. A China ainda não iniciou sua transição para democracia e são imprevisíveis os custos da transição. Apesar de sua impressionante trajetória rumo ao capitalismo, a China, com ampla intervenção estatal na economia e na sociedade, está longe de ser uma economia de mercado. O Brasil já desvendou incógnitas e sabe onde o calo incomoda, mas a China ainda não sabe onde o calo irá surgir, conclui Mailson da Nóbrega (O Estado de S. Paulo, São Paulo, 30.mai.2004, p. B6).