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ARTIGOS



ATUALIDADES ECONÔMICAS – GUERRA CAMBIAL

Guerra cambial é um termo muito militar, mas é verdade: muitos países usam suas moedas como armas, disse Dominique Strauss-Kahn, diretor do FMI (Folha de S. Paulo, São Paulo, 08 out. 2010, p. B4).

2. A tentativa de usar as taxas de câmbio desvalorizadas como instrumento de estímulo ao crescimento configura a guerra cambial, denunciada acertadamente pelo ministro Guido Mantega, da Fazenda. O Brasil é um dos países mais prejudicados com as consequências negativas dessa guerra escondida, observa Luiz Carlos Mendonça de Barros (´Uma guerra silenciosa e cruel´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 08 out. 2010, p. B11).

3. A guerra de moedas (continua Mendonça de Barros) ocorre já há muito tempo, mas agora enfrentamos situação extrema devido à forte recessão econômica no mundo desenvolvido. Várias economias importantes, como o Japão e a Coreia e, mais recentemente, a China, usaram de forma sistemática a arma de moedas desvalorizadas em relação às dos países mais ricos (principalmente em relação ao dólar americano) para crescer de forma sustentada (id.).

4. Agora são os EUA, a Alemanha e a Itália a necessitarem exportar para o mundo em desenvolvimento com vistas a reverterem o quadro recessivo e de altos índices de desemprego. Assim, o dólar e o euro precisam desvalorizar-se em relação às moedas das nações emergentes (id.).

5. Todos os países não podem resolver seus problemas econômicos simultaneamente por meio do estímulo às exportações. É contraproducente, alerta o Financial Times (Folha de S. Paulo, São Paulo, 08 out. 2010, p. B4).

6. A definição da taxa de câmbio não deveria ser deixada nas mãos das forças do mercado, porquanto a taxa cambial flutuante tenderia a ser volátil demais, defendeu R. Nurkse em estudo elaborado em 1944 pela Liga das Nações. A definição também não deveria ser deixada apenas na mão de governos individuais, lembra Marcio Holland, professor da Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas – FGV (Folha de S. Paulo, São Paulo, 09 out. 2010, p. B9).

7. O mundo conheceu e defendeu as virtudes do regime de câmbio fixo por meio do acordo de Bretton Woods, de 1944. Mas os EUA, por mais de uma vez, como agora, precisaram deixar sua moeda desvalorizar-se para corrigir desequilíbrios do balanço de pagamentos (id.).

8. A política cambial (prossegue Holland) pode ser entendida como o uso da taxa de câmbio para alcançar a estabilidade de preços ou maiores taxas de crescimento econômico. Assim, a taxa de câmbio é poderoso instrumento de política econômica para alcançar baixas taxas de inflação ou altas taxas de crescimento, motivada por aumento nas exportações (id).

9. A onda de intervenções para manter baixa a cotação das moedas é sintoma da tentativa de recuperação econômica a partir do comércio exterior. Com o câmbio baixo, exportações se tornam competitivas, afirma o ministro Guido Mantega, da Fazenda (Folha de S. Paulo, São Paulo, 10 out. 2010, caderno Mundo, p. 7). Os países ricos (conclui Mantega) devem crescer com ênfase na demanda doméstica e não tentar recuperar-se às custas dos emergentes.

10. O yuan, a moeda chinesa, precisa subir 20% em 2 anos para deixar de distorcer o comércio global, de acordo com os EUA. Mas a elevação do consumo na China provocaria correção mais natural da moeda, explica Anoop Singh, diretor do FMI (Folha de S. Paulo, São Paulo, 10 out. 2010, caderno Mundo, p. 7). A China (continua Singh) tem PIB equivalente a 1/5 dos EUA, mas seu consumo chega apenas a 1/8.

11. O FED anunciou mais compra de títulos públicos para elevar a liquidez. Os juros já estão perto de zero, e o FED ampliará a emissão de moeda. Se houver mais dólares em circulação, a moeda dos EUA continuará desvalorizando-se em relação às outras, alerta Mírian Leitão (´Novelo cambial´. Diário do Nordeste, Fortaleza, 16 out. 2010, Negócios, p. 10).

12. Ao adotar medidas para provocar ainda mais a desvalorização do dólar (continua Mírian Leitão), os EUA, o emissor da moeda de referência do comércio internacional, deseja reativar o consumo. O excesso de dinheiro vem para os emergentes por vários motivos: vem pelo diferencial de juros, vem atrás de crescimento. Se o dólar continuar caindo e o real continuar subindo, mais cara fica a produção nacional comparada com o produto importado. Mais caros ficam também ficam os produtos brasileiros no exterior. O Brasil está enrolado num novelo cambial.

13. O aumento da liquidez nos EUA, por meio da recompra de títulos públicos, destina-se a estimular o crédito e a recuperação econômica. A economia ainda sofre com a inflação baixa e com o desemprego alto. Mas a ampliação da liquidez contribuirá para a queda do dólar e complicará a já grave disputa cambial, a perturbar as relações mundiais de comércio. Também colocará mais pressão sobre mercados emergentes, provável destino do excesso de dinheiro nos EUA (Folha de S. Paulo, São Paulo, 16 out. 2010, p. B16).

14. Entre as moedas de 20 dos principais emergentes, o câmbio real efetivo brasileiro acusa a maior valorização. O valor do real se apreciou 88,7%, de dezembro de 2003 a setembro de 2010 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 20 out. 2010, p. B1).

15. O Brasil tem operado com o regime de taxas flutuantes, mas com fortes intervenções do Banco Central (*), a configurar a flutuação suja. Eventual mudança na política cambial seria caminhar para o regime de câmbio fixo. Não faz muito sentido. Os regimes de taxa fixa ou administrada são recomendados para países com pouca credibilidade na gestão macroeconômica ou pouco abertos aos fluxos de comércio e de capital, analisa Roberto Padovani, mestre em Economia, estrategista-chefe do Banco WestLB (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 out. 2010, p. A3). (*) O BC passou a comprar mais moedas estrangeiras e as reservas pularam de US$ 188,1 em jan./2009 para US$ 275,2 em set./2010.

16. A apreciação do real é fortemente condicionada pelo diferencial entre as taxas de juros internas e externas, a favorecer a atração de capital estrangeiro para a compra de títulos de renda fixa e de ativos na Bolsa de Valores, alerta Maria Alejandra Caporale Madi, mestre e doutora em Economia (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 out. 2010, p. A3). Há preocupações com a deterioração da conta corrente e com os efeitos da apreciação do real sobre as exportações, complementa ela.

17. O Brasil não encontrou apoio na proposta de solução articulada entre países para conter os desequilíbrios cambiais. Na ausência de ação coordenada, países como o Brasil terão de adotar soluções mais radicais para tentar evitar mais desequilíbrios internos com a apreciação de suas moedas (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 out. 2010, p. B1).

18. Os EUA formularam proposta ao G20 para os países adotarem limite para o seu saldo em conta corrente. A intenção é reduzir os desequilíbrios globais. A Alemanha tem superávit de 6,1% em relação ao PIB. A China, 4,7%. O Brasil tem déficit de 2,2% nos últimos 12 meses (até jul.). Também com déficit, os EUA, apesar da crise, foram o maior importador global em 2009, responsável por 12,7% de todas as vendas externas (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 out. 2010, p. B3).

19. A tributação sobre investimentos estrangeiros, introduzida desde out. de 2009 para frear a queda do dólar, foi alterada pelo Decreto Federal nº 7.323, de 04 out. 2010. Houve a elevação da alíquota do IOF para a renda fixa (de 2% para 4%) e instituição de alíquota para a renda variável (2%) (Folha de S. Paulo, São Paulo, 08 out. 2010, p. B4).

20. O governo, por meio do Decreto Federal nº 7.330, de 18 out. 2010, mexeu novamente na tributação sobre investimentos estrangeiros. A alíquota sobre o ingresso de recursos para aplicação no mercado financeiro e de capitais subiu de 4% para 6%.

21. O Brasil tem muita munição para conter a valorização do real, mesmo se o recente aumento do IOF sobre aplicações estrangeiras não for suficiente, disse o ministro Guido Mantega, da Fazenda (Valor, São Paulo, 13 out. 2010, p. C3).