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ARTIGOS



ATUALIDADES ECONÔMICAS - FANTASIA

Num eventual governo Dilma, devem ser mantidas as linhas básicas da política macroeconômica de Lula. A gestão monetária voltada para o controle da inflação dentro dos limites do sistema de metas, a geração de superávit fiscal primário capaz de estabilizar a relação dívida/PIB e a flutuação suja da taxa de câmbio. A candidata já manifestou várias vezes seu compromisso em relação a esse tripé, observa Luiz Carlos Mendonça de Barros (`Uma nova agenda de prioridades´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 30 jul. 2010, p. B10).

2. O mercado de telecomunicações do Brasil começou a dar sinais de agitação. São dois motivos: 1º) grupos brasileiros, espanhóis, mexicanos, portugueses, italianos e franceses brigam por um mercado de 185 milhões de linhas de telefone móvel; quase 70 milhões de usuários de internet; 43 milhões de linhas de telefonia fixa e oito milhões de assinantes de TV por assinatura; 2º) as empresas de telecomunicação não vêem apenas o telefone e querem oferecer celular, fixo, banda larga e TV por assinatura. O Brasil é 5º maior do mundo em celular (´Agito telefônico´. Diário do Nordeste, 06 ago. 2010, Negócios, p. 8).

3. Carlos Slim, um dos homens mais ricos do mundo, controlador da Embratel (maior empresa de telefonia de longa distância e de transmissão de dados do Brasil) e da Claro, além de sócio da Net, decidiu fundir as três empresas. Ele apresentará oferta, estimada em R$ 4,6 bilhões, para a compra de ações dos minoritários da Net, com atuação na televisão a cabo e internet em banda larga. A decisão de Slim ocorre uma semana após a venda da participação da Portugal Telecom na Vivo aos espanhóis da Telefônica e a entrada dos portugueses na Oi (Folha de S. Paulo, São Paulo, 06 ago. 2010, p. B3). A Empresa Brasileira de Telecomunicações S.A. – Embratel, por meio de edital de oferta pública publicado no Valor, São Paulo, 09 ago. 2010, p. A5, propõe aos acionistas minoritários a compra de ações preferenciais da Net Serviços de Comunicação S.A.

4. A telefonia brasileira, principalmente a móvel, é uma das mais competitivas do mundo. Em 1998, apenas 5% da população tinha acesso a celular. Hoje são 180 milhões de celulares, 70% em poder das classes C, D e E. A média de uso do celular, por consumidor, já é superior a 100 minutos mensais, realidade próxima aos dos EUA. As operadoras estão cada vez mais integradas, com oferta de serviços de voz, vídeo e dados em pacotes únicos. Mas o Brasil tem desafios a superar, e um dos principais deles é a qualidade da conexão. Hoje, cerca de 90% dos usuários brasileiros de banda larga têm velocidade máxima de 1 megabit por segundo. Em Portugal, a rede é 100 vezes mais veloz. Todas as escolas públicas de lá têm conexão de 64 megabits por segundo, observa Zeinal Bava, presidente da Portugal Telecom, adquirente de parte da Oi (Veja. São Paulo: Abril, n. 2.177, 11 ago. 2010, p. 17/21).

5. O BNDES, maior financiador a longo prazo do País, favorece a Petrobras, a Eletrobras e dez grupos privados, beneficiados com 57% dos R$ 168 bilhões destinados a contratações de 2008 até junho de 2010. Entre os grupos privados: Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Odebrecht (as três maiores construtoras do País), a mineradora Vale, o grupo Votorantim e o frigorífico JBS. A concentração da carteira do BNDES é reflexo das características da economia brasileira. O investimento é concentrado. As cinco maiores empresas brasileiras foram responsáveis por 15% dos investimentos realizados em 2009, explica João Carlos Ferraz, diretor do BNDES (Folha de S. Paulo, São Paulo, 08 ago. 2010, p. B1/B3).

6. Os instrumentos de captação disponíveis atualmente inviabilizam a concessão de crédito de longo prazo pelos bancos privados. No contexto atual, os depósitos são de prazo muito curto e não torna factível ao setor privado assumir responsabilidade por operações de longo prazo, afirma Fábio Barbosa, presidente da Febraban (DCI, São Paulo, 07 ago. 2010, p. B1). O investidor de depósitos de longo prazo precisa contar com mercado secundário para ter liquidez numa eventual necessidade de recurso, explica Barbosa.

7. Os investimentos fomentados por meio da Bolsa de Valores caíram de 15,6% de participação em 2008 para 3,7% em 2009. As captações externas cresceram de 6,1% para 8,9%. A emissão de debêntures, de 3,1% para 4,2%. E a presença do BNDES no crédito para investimento subiu de 30% para 39,6%. A taxa de investimento será de 19% em 2010 e está projetada para 19,4% em 2011, 20% em 2012, 21,4% em 2013 e 22,2% em 2014, aponta Luciano Coutinho, presidente do BNDES (DCI, São Paulo, 07 ago. 2010, p. B1).

8. A balança comercial do setor de manufaturados acusa, no primeiro semestre de 2010, seu pior desempenho desde 1997, início da série histórica. A piora do desempenho no setor de manufaturas já é generalizada, alerta Júlio Gomes de Almeida, economista (Folha de S. Paulo, São Paulo, 04 ago. 2010, p. B1).

9. Na perspectiva de futuro, o governo Lula é um fracasso. A situação fiscal piorou. O consumo do governo passou de 4,2% para 8,8% do PIB, enquanto os investimentos e inversões financeiras subiram apenas 0,4% para 1,6% do PIB, e mesmo assim por causa basicamente do suprimento de recursos ao BNDES para subsidiar grupos empresariais. A carga tributária passou de 32% para 36% do PIB e sua qualidade se deteriorou. A estatização foi retomada. A burocracia piorou. Surgiram milhares de normas confusas e conflitantes. O deficiente sistema de transportes virou obstáculo à operação da logística, com redução da competitividade. Ficaram na retórica as reformas para elevar o potencial de crescimento, particularmente a tributária, a trabalhista e a previdenciária, analisa Maílson da Nóbrega (´O custo oculto do governo Lula´. Veja. São Paulo: Abril, n. 2.177, 11 ago. 2010, p. 120).

10. A TAM e a LAN anunciaram acordo para a fusão dos grupos sob a ´holding´ Latam Airlines Group. Conjuntamente, a TAM, fundada em 1961, e a LAN, fundada em 1929, voam para 115 destinos em 23 países e somam: 240 aeronaves (143 TAM e 97 LAN), faturamento de US$ 9,1 bilhões em 2009 (5,6 TAM e 3,5 LAN) e 40 mil funcionários. A participação da TAM no mercado nacional é de 43%, ante 38,15 da Gol/Varig, 6,31% da Azul e 6,03 da Webjet (Folha de S. Paulo, São Paulo, 14 ago. 2010, p. B1).

11. A economia brasileira passa por excepcional momento, com a convergência de fatores positivos internos e externos. Do ponto de vista externo, o Brasil lucra por ser grande produtor de matérias-primas, com a China comprando toda a produção. Em relação ao mercado interno, com a inclusão de 30 milhões de consumidores originários da pobreza, junto com 20 milhões de pessoas assistidas por programas sociais, formamos massa de consumidores equivalente a uma Espanha ou a seis vezes Portugal. O crédito fez uma espiral positiva na economia, observa Benjamin Steinbruch, presidente da Fiesp (Isto É Dinheiro. São Paulo: Três, n. 671, 18 ago. 2010, p. 26).

12. O mercado interno vai continuar bom, mas não necessariamente a produção local vai estar trabalhando a plena capacidade. Num curto espaço de tempo, as empresas vão fazer esforço muito grande para exportar, por falta de possibilidade de vender o produto internamente. Há descontrole de importações em todos os setores. As empresas brasileiras podem parar a produção por excesso de estoques, enquanto o mercado está com demanda forte. As importações estão ocupando espaço. A economia vai bem, a demanda está forte, mas as empresas brasileiras estão com dificuldade de aproveitar essa bonança. Cerca de 95% dos óculos vendidos no País são importados. Escovas e pentes têm a mesma situação. Podemos controlar a importação, tanto do ponto de vista quantitativo como qualitativo. Precisamos limitar e penalizar os importados, alerta Benjamin Steinbruch (Valor, São Paulo, 17 ago. 2010, p. A12).

13. O poder de competição de um país depende do potencial para movimentar seus produtos. Quanto mais distante for possível levá-los, de maneira mais competitiva, maior será o mercado conquistado. Os países responsáveis por 50% do comércio mundial controlam 72% da frota de navios. Competitividade requer logística adequada. No Brasil, no entanto, o alto custo da logística ainda é um desafio. O custo de logística nos EUA representa 8% do PIB, enquanto no Brasil alcança 16%. Precisamos mudar a matriz de transportes, hoje ainda dependente excessivamente do modal rodoviário, conclama Sérgio Machado, presidente da Transpetro (´O desafio da logística´. O Povo, Fortaleza, 18 ago. 2010, p. 6).

14. O Brasil terá 2,9% de participação na produção da riqueza mundial (ou no Produto Interno Bruto – PIB do globo) em 2010, ante 2,92% de participação em 2002. Apesar de o Brasil ter crescido, o mundo cresceu mais. A China e a Índia tinham participação de 7% e 4%, respectivamente, em 2000, mas pularão para 13% e 5% em 2010, observa Ives Grandra da Silva Martins (´2,92 x 2,9% do PIB mundial´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 ago. 2010, p. A3). O peso da burocracia cresce assustadoramente: mais de 350 mil servidores públicos, concursados ou não, foram contratados a partir de 2003. Mais de 900 mil servidores aposentados da União geram déficit na Previdência de R$ 47 bilhões, enquanto 27 milhões de aposentados do setor privado geram apenas R$ 3 bilhões (id.).

15. Os maiores bancos de varejo estão acelerando o passo na expansão da rede de agências. Somente em 2010 o Bradesco, Itaú-Unibanco, Santander e Caixa devem abrir 545 novas agências. A previsão para 2011 é de mais 715 agências (Valor, São Paulo, 18 ago. 2010, p. C1).

16. O BNDES recebeu do Tesouro a injeção de R$ 180 bilhões e já desembolsou R$ 115 bilhões. A concentração dos desembolsos num grupo menor de empresas, a partir de 2009, merece reparos. Nas condições atuais, é um privilégio concedido às empresas receptoras (´O papel do BNDES´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 22 ago. 2010, p. A2).

17. Nas inspeções aos tribunais, o Conselho Nacional de Justiça – CNJ constatou uma prática de irregularidade recorrente em alguns Estados: a liberação de altos valores em cautelares, medidas liminares em detrimento de grandes empresas e grandes bancos, a favor de pseudo credores basicamente insolventes e sem qualquer garantia de caução, a configurar total desvirtuamento da autonomia do juiz. Um verdadeiro abuso de poder, conclui Gilson Dipp, corregedor nacional de Justiça (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 ago. 2010, p. A18).

18. O mercado de emissão de títulos privados precisará ser ampliado para fazer frente ao financiamento de projetos de infraestrutura no País. O volume de investimentos deverá atingir R$ 1,3 trilhão, diz Ernani Torres Filho, superintendente do BNDES (DCI, São Paulo, 30 ago. 2010, p. B2).

19. O balanço de pagamentos do País acumula déficit nas transações correntes de US$ 28,2 bilhões, de jan. a jul. 2010, já superior ao resultado negativo de 2009, de US$ 24,3 bilhões. O déficit apurado em jul./2010 é o pior dado da série histórica, com início em 1947. Nos últimos 12 meses (jul./2009 a jul./2010), o déficit é de US$ 43,7 bilhões, equivalente a 2,24% do PIB (Valor, São Paulo, 24 ago. 2010, p. C1).

20. A Vale, segunda maior mineradora do mundo, foi inscrita no Cadastro Informativo de Créditos Não Quitados do Setor Público Federal – Cadin pelo Departamento Nacional de Produção Mineral – DNPM. O débito exigido pelo DNPM é de cerca R$ 360 milhões (Folha de S. Paulo, São Paulo, 25 ago. 2010, p. B6).

21. Os avanços em ciência e tecnologia no Brasil são comprovados, entre outros indicadores, pela 13ª posição na produção científica mundial. Esses avanços são indissociavelmente ligados à pós-graduação, realidade das últimas décadas, legitimada internamente e reconhecida internacionalmente, assinalam Jorge Guimarães e Livio Amaral, presidente e diretor de avaliação, respectivamente, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior – Capes (´Avaliação trienal da Capes´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 ago. 2010, p. A3).

22. O governo federal estuda a privatização da operação de usinas nucleares, por falta de fôlego para construir sozinho as plantas nucleares previstas no Plano Decenal de Energia. Uma emenda à Constituição Federal passará a permitir a participação privada em projetos nucleares. Na França, principal usuária de energia nuclear (80% da eletricidade francesa vem da fissão do urânio), as usinas são construídas e operadas por empresas estatais. China e Rússia também mantêm seus parques nucleares nas mãos do Estado. Nos EUA, a construção e a operação são privadas (Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 ago. 2010, p. B3).

23. A escassez de matérias-primas e o elevado patamar de preço das commodities estimulam o investimento no setor mineral. Os projetos minerais somam US$ 62 bilhões até 2014, dos quais US$ 21 bilhões terão como origem capital estrangeiro, de acordo com o Instituto Brasileiro de Mineração – Ibram (Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 ago. 2010, p. B1).

24. A corrente de comércio internacional (soma das exportações e importações) fechará em 17% do PIB em 2010, ante 17,1% em 2000. O peso do comércio exterior é quase o mesmo do início da década. O Brasil ainda continua sendo uma economia muito fechada, diz Fernando Ribeiro, economista da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior – Funcex (Folha de S. Paulo, São Paulo, 29 ago. 2010, p. B3). É o país mais fechado entre os emergentes. Rússia, Índia e China ficam na faixa entre 40% e 60%.

25. O governo adotará medidas de incentivo ao financiamento privado de longo prazo no prazo de um mês e meio. Entre as medidas estão a modernização do sistema financeiro, redução do ´spread´ e taxa de juros, além da diminuição de impostos, afirma Guido Mantega, ministro da Fazenda (Diário do Nordeste, Fortaleza, 31 ago. 2010, Negócios, p. 6). Entre os desafios do próximo governo destacam-se a continuidade da desoneração, redução do custo Brasil e da burocracia, acrescenta o ministro.

26. O governo brasileiro enfrentou a crise de 2008 com políticas anticíclicas. Essa crise, de forma geral, foi bem administrada. Mas no Brasil, como em alguns outros países, quando as coisas começam a parecer bem, o principal problema passa a ser arrogância. Passa-se a acreditar num mundo de fantasia: o Brasil é a nova China. Todos os problemas anteriores não existem mais, porque o Brasil é um país diferente. A arrogância adotada na política externa, baseada na independência, tem o perigo de ser igualmente desastrosa para a administração macroeconômica. Mais: o Brasil é, de certa forma, um país esquizofrênico. O BNDES tem o pé no acelerador e o Banco Central tem o pé no freio, alerta Ricardo Hausmann, economista, diretor do Centro para o Desenvolvimento Internacional da Universidade Harvard (Folha de S. Paulo, São Paulo, 30 ago. 2010, p. A16).