Digite a palavra-chave

A busca é efetuada em todas as páginas do site e abrange todo o seu conteúdo.
Página principal




ARTIGOS



ATUALIDADES ECONÔMICAS – CRÉDITO E GARGALOS

Atenção: o mês em 10 minutos. Transforme a informação em conhecimento e o acontecimento em experiência. O objetivo do texto não é chegar a um ponto final. Mas é a história ter um depois de amanhã.

´Na vida, ninguém fracassa tanto quanto acredita nem ninguém alcança o sucesso tanto quanto imagina.´ (Joseph Rudyard Kipling via Jorge Luís Borges). Levo muito em conta essa conta reflexão, diz José Serra (Veja. São Paulo: Abril, n. 2.161, 21 abr. 2010, p. 72). ´O único limite às nossas realizações futuras são as nossas dúvidas no presente.´ (Franklin Delano Roosevelt). Uma frase complementa outra, diz José Serra.

Decálogo do bom governante, segundo José Serra (Veja. São Paulo: Abril, n. 2.161, 21 abr. 2010, p. 65): 1º) Governar desde o primeiro dia. 2º) Formar boa equipe. 3º) Hierarquizar os problemas. 4º) Gastar o dinheiro público com austeridade. 5º) Não atender a indicações políticas. 6º) Prestigiar o Legislativo no orçamento. 7º) Cooperar com outras esferas de governo. 8º) Saber conciliar interesses. 9º) Por em prática ativismo estatal. 10º) Revalorizar a produção (é preciso ouvir todos os mercados, incluindo o agrícola, o industrial e o de serviços).

O Conselho Monetário Nacional, por meio da Resolução nº 3.880, de 22 jun. 2010, fixou, para o ano de 2012, a meta para inflação de 4,5%, com intervalo de tolerância de menos 2,00 p.p. e de mais 2,00 p.p., de acordo com o parágrafo 2º do art. 1º do Decreto nº 3.088, de 1999.

2. Nos últimos 6 anos, a inflação média foi de 4,7%, bem próxima à meta de 4,5% para todo esse período. Adotam o regime de metas de inflação 26 países. Entre eles, o Brasil tem a terceira maior meta, apenas inferior à de Gana (14,5%) e da Turquia (6,5%). Um pouco mais de inflação não permite um pouco mais de crescimento, e a médio prazo a inflação desorganiza a economia e encurta os horizontes de planejamento. Por conseguinte, tende a aumentar os prêmios de risco e a incerteza inflacionária, além de elevar a taxa de juro real, explica Henrique Meirelles, presidente do BCB (Valor, São Paulo, 05 jul. 2010, p. C8).

3. O governo expandiu o crédito direcionado(*). Ele atingiu 33% da carteira total. A vigência de taxa de juros fixada fora do âmbito da política monetária pode demandar, na avaliação do Relatório de Inflação, uma taxa Selic pouco maior, aduz Meirelles (id.).

4. A expansão do crédito direcionado(**) é fator de pressão sobre o Banco Central para o aumento do juro básico, a taxa Selic, avalia o Departamento Econômico do Banco Santander. As operações do BNDES respondem por 67% do crescimento do crédito direcionado, com base em maio/2010 (Valor, São Paulo, 07 jul. 2010, p. C8).

5. O avanço consistente do crédito no Brasil, passando de 24,6% do PIB em 2003 para 45,3% em maio/2010, determinou o aumento da importância do crédito como canal de transmissão de política monetária. A despeito do crescimento nos últimos anos, não é possível considerar o mercado de crédito brasileiro maduro. Ainda está em fase de expansão, afirma Octávio de Barros, diretor do Departamento Econômico do Bradesco (Valor, São Paulo, 07 jul. 2010, p. C8).

6. O desequilíbrio do setor externo ganha destaque em cenários de médio prazo. O déficit em conta corrente(***) tende a crescer. Ele deverá continuar sendo financiável, mas cada vez mais sob risco e dependente de investimentos de longo prazo vultosos para fechar a conta sem problemas, explica Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados (Valor, São Paulo, 09 jul. 2010, p. C8).

7. A Petrobras provoca desconfiança no mercado financeiro internacional em face de: 1º) dúvidas sobre sua capacidade financeira para cumprir o seu programa de investimentos; e 2º) percepção de maior risco de acidente na exploração em águas profundas, após o acidente da BP. A estatal aprovou programa de investimentos de US$ 224 bilhões até 2014, o maior do mundo no setor, e necessita levantar recursos, incluindo a emissão de ações. Com o pré-sal, a Petrobras sairá de perfurações de até 2.000 metros, na bacia de Campos, para 7.000 na de Santos (Folha de S. Paulo, São Paulo, 10 jul. 2010, p. B1).

8. O Brasil tem-se desenvolvido muito graças à forte disciplina fiscal e à estabilidade política. O agronegócio está entre os setores com maior potencial para crescer, com ênfase para o etanol. Além disso, a área de infraestrutura deve crescer impulsionada por eventos como a Copa do Mundo e a Olimpíada, observa James Dimon, presidente mundial do JPMorgan Chase (Exame. São Paulo: Abril, n. 971-E, jul.-2010, p. 38).

9. Os setores ligados à economia doméstica, como o imobiliário, o de automóveis e o de bens de consumo durável, vão continuar a beneficiar-se do crescimento do mercado graças à expansão do crédito e do ambiente de estabilidade da economia. A área de ´commodities´ e a de infraestrutura também deverão ter bom desempenho, analisa Luiz Fernando Figueiredo, sócio da Mauá Investimentos (Exame. São Paulo: Abril, n. 971-E, jul.-2010, p. 38).

10. O mais evidente gargalo de nossa economia está na logística. Envolve desde o transporte urbano até os portos, aeroportos e rodovias. Esses gargalos começaram a diminuir após a aprovação da lei de concessões. Ela permitiu agregar novos atores para investir na infraestrutura. Tanto na infraestrutura como em outras áreas da economia brasileira a sensação é a seguinte: bastante já foi feito, mas ainda há muito mais a ser feito, afirma Paulo Godoy, presidente da Associação Brasileira de Infraestrutura e Indústrias de Base – Abdib (Isto é dinheiro. São Paulo: Três, n. 666, 14 jul. 2010, p. 26).

11. O peso das empresas produtoras de ´commodities´ no Ibovespa é muito grande: entre 40% a 50% do índice. O desempenho negativo dessas ações reflete preocupação com ritmo mais forte de desaceleração da China e, por conseguinte, menor demanda por ´commodities´. As ações das empresas dos setores siderúrgico e agropecuário, representadas no Ibovespa, caíram 5,4% e 5% respectivamente, ante valorização de 11,1% das ações do setor de consumo. O saldo negativo entre saída e entrada de recursos de investidores estrangeiros na Bovespa chega a US$ 1,6 bilhão em 2010 (´Bovespa é a 2ª pior entre emergentes´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 jul. 2010, p. B1).

12. O déficit em conta-corrente está projetado em US$ 40 bilhões em 2010. Para a cobertura desse rombo, o País deverá captar US$ 33,7 bilhões de investimento estrangeiro direto – IED e US$ 6,30 bilhões em capitais de curto prazo, de natureza volátil. Desde 1997, é a mais alta dependência de capital volátil. O risco de crise de balanço de pagamento, como em 1999 e 2002, é relativamente baixo em face do nível de reservas (´Cresce dependência por capital volátil´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 jul. 2010, p. B1).

13. O déficit em transações correntes será em torno de 2,3% do PIB em 2010, mas a partir de 2012 ele volta a cair. Já tivemos resultados piores, de 4% a 5% do PIB, no começo da década. Não há nenhuma dificuldade agora para cobrir o déficit. Temos dívida externa líquida, ressalta Guido Mantega, ministro da Fazenda (Isto É Dinheiro. São Paulo: Três, n. 669, 04 ago. 2010, p. 30).

(*) O BNDES desembolsará R$ 130 bilhões em financiamentos em 2010, ante R$ 137 bilhões em 2009, de acordo com Guido Mantega, (Isto É Dinheiro. São Paulo: Três, n. 669, 04 ago. 2010, p. 30).

(**) Mesmo sem necessidade, empresas tomam os financiamentos do BNDES e aplicam os recursos no mercado a juros mais altos. Ganham sem fazer força, à custa de todos nós, alerta Maílson da Nóbrega (Veja, São Paulo: Abril, n. 2.174, 21 jul. 2010, p. 106).

(***) O balanço de pagamentos é composto de duas ´contas´ principais: I – conta de transações correntes (soma dos saldos do balanço comercial, do balanço de serviços e das transferências unilaterais); e II – conta capital e financeira (soma dos valores líquidos de investimentos externos diretos, investimentos em carteira e derivativos, entre outros).