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ARTIGOS



BRASIL – BOLHA DE PRESUNÇÃO

Os investimentos do governo Lula fecharam o 1º semestre de 2010 no maior nível desde a redemocratização. Nos últimos 12 meses, eles somaram R$ 42 bilhões ou 1,25% do PIB. Desde 1989, quase todas as eleições presidenciais foram disputadas com taxas abaixo de 1% do PIB (Folha de S. Paulo, São Paulo, 04 jul. 2010, p. A1).

2. Mas a taxa de investimento público ainda é insuficiente para sustentar o crescimento. Por conseguinte, a produção não acompanhará o consumo e provocará o aumento da inflação e das importações (id.).

3. A economia do Brasil cresceu mais em comparação com a dos EUA nos últimos 6 anos. Mas o nível de renda dos brasileiros não está convergindo para o nível dos norte-americanos (Folha de S. Paulo, São Paulo, 04 jul. 2010, p. B1 e B3).

4. O PIB per capita do Brasil, em `Paridade do Poder de Compra – PPC´ (US$10.514,00), correspondia a 30,5% da posição dos EUA em 1980. Retrocedeu para 22,7% em 2009 (o PIB per capita dos EUA é de US$ 46.381,00 em 2009) (id.).

5. No mesmo período, a Coreia do Sul elevou a relação de 18,8% para 60,3%; a China, de 2,1% para 14,2%; e a Índia, de 3,3% para 6,3% (id.).

6. A principal razão para a convergência mais lenta do Brasil é o investimento ainda baixo em educação, alerta José Márcio Camargo, economista, professor da PUC-RJ (id.). A produtividade, medida importante de eficiência de uma economia, depende de investimentos em capital físico (máquinas e equipamentos) e humano (educação). A falta de mão-de-obra qualificada limita o crescimento de longo prazo.

7. O desafio brasileiro de reduzir o hiato de renda com países avançados é sustentar altas taxas de crescimento por várias décadas. O Brasil precisa aumentar a produtividade e, para tanto, tem de adotar medidas para simplificar o sistema tributário, reduzir a informalidade e melhorar o nível da educação, entre outras, recomenda Robert Wood, economista da ´Economist Intelligence Unit – EIU´ (id.).

8. Outro empecilho ao crescimento de longo prazo do Brasil é o grau de abertura da economia, ainda muito fechada. A relação entre a corrente de comércio (soma das exportações e das importações) e o PIB brasileiro é de apenas 18% em 2009, ante 45% da China, 30% da Índia, 40% da Rússia e 82% da Coreia do Sul. Numa economia fechada, o nível de concorrência é menor e, portanto, o potencial de melhoria da produtividade é mais baixo, explica José Márcio Camargo (id.).

9. A educação continuada será cada vez mais valorizada. O investimento em conhecimento é a melhor alternativa de aplicação para um profissional desejoso de sucesso em sua carreira.

10. O Brasil enfrenta a bolha de presunção. Ela nos ameaça quando entendemos: já conquistamos o mundo; não precisamos de reforma; somos e seremos sempre a bola da vez. Na realidade, temos muitos problemas: infraestrutura, educação, burocracia, impostos. China e Índia crescem mais porque não temos a mesma capacidade de investimento. Nossa taxa de investimento, ora de 18% do PIB, dá para ir para 22%, sem reformas, em 2011, tão logo o governo realoque recursos de gastos para investimentos e permita maior déficit em conta-corrente. Se o governo fizer mais reformas, nosso crescimento iria de 4% ou 5% ao ano para 6% ou 7%. Precisamos melhorar o ambiente de negócios e reduzir a burocracia, travadora do crescimento, alerta Ilan Goldfajn, economista chefe do Itaú-Unibanco (Folha de S. Paulo, São Paulo, 21 jul. 2010, p. B1).

11. Um dos pontos fortes do Brasil é a diversificação de sua economia. A próxima década será muito promissora para a área de ´commodities´, porquanto a Ásia continuará a demandar mais alimentos, minério e petróleo. Além disso, o setor de serviços financeiros deverá crescer bastante, graças à elevada capacitação de seu capital humano, avalia Kenneth Roggoff, professor de economia em Harvard (Exame. São Paulo: Abril, n. 971-E, jul.-2010, p. 38).