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ARTIGOS



BRASIL – ENTUSIASMO EXCESSIVO

O Brasil se afigura atraente aos olhos estrangeiros diante das seguintes características (Veja, São Paulo: Abril, n. 2.165, 19 maio 2010, p. 126):

1ª) Estabilidade política e econômica. Há 16 anos sem inflação e com política econômica responsável, baseada no tripé formado por cambio flexível, responsabilidade fiscal e metas inflacionárias. Tem também democracia representativa em pleno funcionamento, sem risco de ruptura constitucional, e segurança jurídica.

2ª) Alto potencial de consumo da nova classe média. Entre 2000 a 2008, 35 milhões de pessoas ascenderam socialmente. Nesse período, por exemplo, 23,5 milhões de brasileiros subiram das classes D e E para a classe C.

3ª) Crescimento do PIB. Nos próximos anos, o crescimento do PIB brasileiro deve situar-se em torno dos 5%.

4ª) ´Commodities´ e alimentos. O Brasil é o maior ou um dos dois maiores produtores e exportadores mundiais de soja, carne bovina, suco de laranja, café, etanol e açúcar. Há ainda novas oportunidades com a descoberta do pré-sal.

5ª) gargalos na infraestrutura. As notórias deficiências do Brasil (aeroportos, portos, ferrovias, por exemplo) são vistas como manancial de bons negócios. São necessários investimentos de R$ 840 bilhões entre 2011 e 2014.

2. Após 40 anos, o Brasil volta a crescer ao ritmo do milagre econômico (de 1968 a 1973). Mas temos de desacelerar, porque faltaram: mais investimento e melhor educação. Não há país bem-sucedido sem importante esforço na educação. Não se conhece país desenvolvido somente com base nos recursos naturais, observa Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central do Brasil (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 maio 2010, p. B4).

3. Os estrangeiros estão entusiasmados com o Brasil porque temos passado pelas crises de forma melhor em relação ao nosso histórico. Há oportunidades na China, na Índia, no Leste Europeu, mas somos o mais ocidental dos emergentes. Às vezes o entusiasmo é excessivo. Não podemos relaxar. Caminhamos para déficit em conta corrente maior. Os juros são altos. Na área macroeconômica, o problema mais urgente a ser resolvido é o crescimento do gasto público (id.).

4. O Brasil deslancha na economia e torna-se, cada vez mais, um porto seguro para novos investimentos estrangeiros. As janelas de oportunidades criadas por essa economia próspera, entretanto, não serão devidamente aproveitadas por nossos jovens, por conta da baixa qualidade do ensino. Se, no passado, havia falta de oportunidades de emprego no mercado de trabalho, agora há falta de gente qualificada para aproveitá-las. A precariedade do ensino parece ser o grande entrave para o crescimento sustentável do Brasil, pontifica Milú Villela, membro fundador do movimento Todos pela Educação (´A educação mobilizando o Brasil´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 24 maio 2010, p. A3).

5. CADA ANO DE ESTUDO PRODUZ UM IMPACTO DE 15% NA RENDA MÉDIA DO TRABALHADOR BRASILEIRO, segundo Marcelo Néri, economista da Fundação Getúlio Vargas, membro do movimento Todos pela Educação (id.).

6. O mundo está faminto por informações sobre o Brasil. E temos de aproveitar essa oportunidade. Porque ela não é uma janela, ela é uma porta. Uma porta abrindo-se não só por causa da Copa do Mundo ou dos Jogos Olímpicos. Mas por um conjunto de conquistas das quais a Copa e os Jogos Olímpicos são um ´tipping point´, observa Nizan Guanaes (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 maio 2010, p. B16).

7. Gargalos institucionais (como leis defasadas e sobrecarga tributária) e de infraestrutura (logística e tecnologia) ainda travam, no cenário internacional, a competitividade do Brasil, 8ª economia do mundo, mas apenas o 38º no ´ranking´ da competitividade mundial, de acordo com o Instituto Internacional para o Desenvolvimento da Administração (IMD, na sigla em inglês) em parceria com a Fundação Dom Cabral. O ´ranking´ é liderado por Cingapura. Na sequência, Hong Kong, EUA, Suíça e Austrália (Folha de S. Paulo, São Paulo, 20 maio 2010, p. B1).

8. Desde 1995, a economia brasileira cresceu 52,9%, enquanto a arrecadação tributária deu salto de 87,8% acima da inflação. A carga tributária chegou à casa dos 34,28% do PIB (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 maio 2010, p. B12).

9. A carga tributária é o maior gargalo a frear o crescimento da indústria paulista, de acordo com pesquisa do Ibope, a pedido da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp. A tributação (65%) lidera o ´ranking´ dos gargalos, seguida dos juros e crédito (11%) e o custo de mão de obra (9%) (DCI, São Paulo, 25 maio 2010, p. A3).

10. O Brasil não tem como sustentar o crescimento a uma velocidade de 7% ao ano. O País poderá experimentar expansão de 7% em 2010, mas somente tem condições de crescer, de forma sustentável, entre 4,5% e 5%. A partir de 7% há risco de superaquecimento, se o país não aumentar seus investimentos em pesquisa e educação, afirma Dominique Strauss-Kahn, diretor-geral do FMI (Diário do Nordeste, Fortaleza, 26 maio 2010, Negócios, p. 10).

11. A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico – OCDE tem sugerido ao Brasil mais ações nas áreas tributária, educação e infraestrutura, afirma Pier Carlo Padoan, economista-chefe da OCDE (Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 maio 2010, p. A4).

12. O mercado imobiliário e os negócios no Nordeste vivem explosão de preços e de atividade. Mas a infraestrutura a sustentar o atual ritmo ´chinês´ pode ser definida como ´africana´. Os gargalos impõe desafios ao crescimento sustentável da região mais pobre do Brasil (Folha de S. Paulo, São Paulo, 30 maio 2010, p. B1).

No nível macro, a sustentabilidade da classe média depende do crescimento econômico a taxas elevadas (e ambientalmente compatíveis). Hoje, no Brasil, há um clima de exagerado otimismo, mas é preciso cautela para não cantarmos vitória antes do tempo, alerta Bolívar Lamounier, autor de `A nova classe média´, São Paulo: Campus-Elsevier, 2010 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 31 maio 2010, p. A9).