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ARTIGOS



CRISE EUROPEIA – CONTAS PÚBLICAS

A dívida da Grécia equivale a 195% do PIB. A de Portugal, 236%. A da Espanha, 342% (Folha de S. Paulo, São Paulo, 07 maio 2010, p. B3).

2. A crise grega acordou a todos sobre a gravidade dos desequilíbrios financeiros de países ricos e recolocou na ordem do dia os receios de nova crise de credibilidade no funcionamento da economia mundial. Um dos elementos mais importantes para o sucesso ou o fracasso de uma economia nacional será o nível do endividamento público. Talvez um dos pontos mais importantes para garantir o crescimento sustentado nos próximos anos seja relação ´dívida pública/PIB´ vista como sólida, avalia Luiz Carlos Mendonça de Barros (Folha de S. Paulo, São Paulo, 07 maio 2010, p. B2).

3. O temor da crise na Europa derrubou as cotações das bolsas pelo mundo. O sistema financeiro europeu detém 80% das dívidas da Grécia. Eventual calote grego afetará grandes bancos europeus (Folha de S. Paulo, São Paulo, 07 maio 2010, p. B1).

4. O Brasil fará aporte de US$ 286 milhões no FMI para ajudar a conter a crise na Grécia, disse Guido Mantega, ministro da Fazenda (Folha de S. Paulo, São Paulo, 08 maio 2010, p. B5).

5. A União Européia – EU(*) anunciou pacote de US$ 955 bilhões (750 bilhões de euros) para superar a crise, dos quais US$ 318 bilhões sairão do FMI. Os mercados reagiram com euforia. O pacote resolve o problema da liquidez e da histeria, avalia Juan Ruiz, economista-chefe do Banco Santander. A dívida total de Portugal, Itália, Grécia, Espanha e Irlanda soma a impressionante cifra de US$ 3,9 trilhões. A exposição a essa dívida não é apenas de bancos europeus, mas também de bancos dos EUA. Não foi à toa a iniciativa do presidente Barack Obama de cobrar ação forte e rápida de Nicolas Sarkozy, presidente francês, e Angela Merkel, chanceler alemã. Pelo menos a Grécia e, talvez, Portugal e Espanha terão de reestruturar a sua dívida, avalia Kenneth Rogoff, ex-economista-chefe do FMI (Folha de S. Paulo, São Paulo, 11 maio de 2010, p. B1).

6. Depois do pânico da semana anterior, a semana abriu em euforia, por conta do pacote de US$ 955 bilhões, e terminou em depressão, diante das incertezas em relação ao futuro do euro. Os problemas do endividamento público de países europeus viraram crise de confiança no euro. A moeda virou alavanca para países periféricos do sistema, beneficiados com a possibilidade de se financiarem com juros europeus. As diferenças entre os países parecem irreconciliáveis. Circulam rumores sobre a saída da França do sistema monetário europeu, alerta Mírian Leitão (Diário do Nordeste, Fortaleza, 15 maio 2010, Negócios, p. 10).

7. A crise econômica européia, disparada com a debacle da Grécia, não vai impedir o novo ciclo de expansão econômica do Brasil, garante Guido Mantega, ministro da Fazenda. O PIB brasileiro deve crescer 5,5% a 6% em 2010 (Valor, São Paulo, 11 maio 2010, p. A4). O ânimo do ministro para enfrentar as adversidades é elogiável. Ele surpreendeu em set. de 2008. Não se deixou contaminar pelo pessimismo e se esforçou para garantir a confiança nos sólidos fundamentos da economia brasileira, além de adotar pontualmente as medidas anticíclicas. Mantega merece o nosso reconhecimento.

8. O pacote de resgate de US$ 955 bilhões é solução de curto prazo. É importante seguir adiante com corte de gastos públicos e elevação de impostos. No caso da Grécia, em algum ponto o país terá mesmo de reestruturar a dívida, avalia John Williamson (Folha de S. Paulo, São Paulo 16 maio 2010, p. B8).

9. A economia dos EUA, ora em fase de recuperação, embora não fortíssima, não deverá ser abalada pela crise na zona do euro, complementa Williamson (id.)

10. Crises são o resultado inevitável do acúmulo de riscos e vulnerabilidades financeiros, macroeconômicos e de política econômica: bolhas de ativos, aceitação de riscos e endividamento excessivos, ´booms´ de crédito, política monetária frouxa, falta de fiscalização e regulamentação adequadas do sistema financeiro, cobiça e investimentos arriscados, explica Mouriel Roubini (Folha de S. Paulo, São Paulo 16 maio 2010, p. B8).

11. Os recentes acontecimentos na Grécia, em Portugal, na Irlanda, na Itália e na Espanha representam simplesmente o segundo estágio da recente crise financeira mundial, afirma Roubini (id.).

12. A socialização de prejuízos privados e o relaxamento fiscal necessários para estimular as economias em crise determinaram um perigoso acúmulo de déficits orçamentários governamentais e dívida pública (id.).

13. A crise da zona do euro traz riscos para nossa economia, porque a Europa é o maior mercado de nossas exportações. Temos déficit em conta corrente, e a crise pode dificultar o financiamento, pondera Armínio Fraga, ex-presidente do BCB (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 maio 2010, p. B4).

14. A Fitch rebaixou o ´rating´ da dívida espanhola de ´AAA´ (a melhor classificação) para ´AA+`. A Standard & Poor´s já havia feito o mesmo há um mês (Folha de S. Paulo, São Paulo, 29 maio 2010, p. B10).

15. Vindos da Europa e ameaçando de novo a retomada do crescimento mundial, os ventos inquietantes de hoje estão calcados no desequilíbrio das contas públicas em diferentes países. O equilíbrio das contas públicas, ao longo do tempo e em todos os continentes, se tem mostrado ponto nevrálgico do equilíbrio econômico. Precondição necessária, embora não suficiente, ao crescimento de longo prazo. Há outras variáveis. Os determinantes do crescimento de longo prazo são muitos, observa Antônio Palocci Filho, deputado federal, ex-ministro da Fazenda (´Crescimento de longo prazo´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 30 maio 2010, p. B16).

16. Educação de qualidade, acesso aos serviços básicos, bons níveis de poupança e investimentos em infraestrutura, assim como mercados financeiros fortes e bem regulados, promovem, efetivamente, o crescimento, de acordo com estudos econômicos de boa qualidade. O mesmo vale para a redução da desigualdade e para a redução de barreiras, principalmente contra bens de capital. Têm-se ainda a qualidade das instituições e sua capacidade de apoiar a boa governança pública e privada. Mas, independentemente do papel de cada uma dessas variáveis, não há crescimento de longo prazo sem equilíbrio fiscal e de preços, conclui Palocci (id.).

(*) Bloco multinacional hoje integrado por 27 países (500 milhões de habitantes), com PIB próximo aos 12 trilhões de euros.