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ARTIGOS



VIOLÊNCIA

Os espaços públicos não oferecem segurança. Vivemos tempo de reclusão involuntária, imposta pelo clima de insegurança, com graves consequências para a saúde mental do cidadão, adverte Henrique Figueiredo, psicanalista (Diário do Nordeste, Fortaleza, 28 mar. 2010).

Todos os pais estão com medo: as ruas têm o nome de desassossego e rastro de sangue, escreve João Soares Neto, empresário e escritor (id.).

A insegurança tomou conta da cidade. A população se defende como pode nesta verdadeira guerra não oficializada: cercas elétricas, alarmes, sensores, interfones, luzes de emergência, vídeo porteiro, vigilantes armados, cães amestrados, grades de proteção, etc. (id.).

Mas nada parece ser capaz de conter a fúria dos bandidos, a cada dia, mais ousados (id.).

No Condomínio Bob Kennedy, localizado na rua Vicente Linhares, 1222, os moradores apelaram para o material e o espiritual. Além da cerca de arame cortante, fixaram placa no portão com os seguintes dizeres: ´Ao entrar, Deus te abençoe. Ao sair, Deus te acompanhe´. A placa dá o tom do momento vivido pela população (id.).

Vamos voltar à nossa Fortaleza da década 1970/1980.

Privilegiados espaços públicos e privados passaram a ser invadidos na Aldeota, Papicu, Dunas e Praia do Futuro. O Estado não defendeu os espaços. Sensível ao aspecto social, preferiu não cumprir a lei. Os invasores eram os ditos ´excluídos´ da época.

Embora vendo a população desses ´excluídos´ em constante crescimento, o Estado não cuidou de transformar os jovens em cidadãos. Não houve falta de advertência. Começou o agravamento da marginalidade. Em pouco tempo, até os policiais receavam entrar nas favelas ou comunidades. Pais passaram a temer a periculosidade dos filhos, como o sr. Antônio, morador de comunidade na Praia do Futuro, homem trabalhador e honesto, nosso jardineiro por muitos anos, até o seu falecimento por acidente de moto.

Os casos de morte por assalto chegam agora perto de todos. Doeu em todos a brutal morte da jovem Marcela Montenegro, nossa vizinha no Papicu na decáda de 1980, amiguinha de nossas filhas. Ela tão linda, tão doce ... Ela sempre procurou agradar a Jesus, e Ele certamente a acolheu com todo o carinho.

As tempestades só acabam quando cessam as suas causas. No campo social, aplica-se a mesma regra. A violência não terminará enquanto os jovens das comunidades não forem preparados para a cidadania. Até lá, restará o reforço de policiamento.

O fracasso das autoridades em prover terras e serviços básicos para os mais pobres, reconhecendo sua cidadania, cria espaço para sistemas de poder alternativos à margem do Estado, afirma William Cobbett, diretor-geral da Aliança de Cidades, um dos maiores especialistas do mundo em favelas (Valor, São Paulo, 29 mar. 2010, p. A20). Esse fracasso não ocorre só no Brasil, complementa Cobbett.

Grupos empresariais vêm implementando ações sociais nas comunidades. No caso da Oboé, temos o Projeto Oboé de Cidadania (www.oboe.com.br) com centenas de jovens beneficiados, alguns dos quais se tornaram colaboradores das empresas do grupo.