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ARTIGOS



BRASIL – 2009/2010

O Brasil pode cumprir todas as melhores projeções de crescimento se mantiver a política econômica equilibrada, contrastando assim com outras economias, como França, Itália e Inglaterra, a enfrentarem momentos de baixo crescimento nos próximos anos, observa Roberto Setúbal, presidente do Itaú-Unibanco (Valor, São Paulo, 08 jan. 2010, Eu & Fim de Semana, p. 4).

2. A dinâmica de longo prazo alcançada pelo Brasil já pode ser comparada à dos países mais maduros. O País tem a melhor relação de ´potencial de crescimento versus riscos de desestabilização´ em comparação com a China, Rússia e Índia. As condições sustentáveis de crescimento no médio prazo, com baixo risco de desestabilização da economia, estariam no patamar de 4% a 5% ao ano. A partir daí e aumentados os investimentos, especialmente em infraestrutura, o crescimento poderá passar a 7% ou até 8% ao ano, avalia Louis Bazire, presidente do BNP Paribas no Brasil (id.).

3. O Brasil reúne condições para ser a quinta economia do mundo, graças ao grande potencial industrial, agrícola e de jazidas minerais. Mas não vai alcançar, até 2025, uma condição de bem-estar mais justa. Existirão bolsões de diferenças e desigualdades, mas não de miséria. O País precisa dar um salto de qualidade na educação. Estaremos no Segundo Mundo próspero, mas não no Primeiro Mundo de ponta, por falta de tecnologia, inovação e qualidade de gerência, todos elementos ligados à educação, alerta Francisco Carlos Teixeira, titular de história contemporânea da Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ (id.).

4. As exportações brasileiras recuaram 22% em 2009, a maior queda nas vendas externas desde 1950, quando os dados passaram a ser registrados. Os setores automobilístico e siderúrgico lideraram as perdas. As exportações caíram de US$ 197,9 em 2008 para US$ 152,2 bilhões em 2009. Já as importações recuaram 25,3%, de US$ 172,9 em 2008 para US$ 127,6 bilhões em 2009. O superávit comercial caiu 0,2%, de US$ 24,9 em 2008 para US$ 24,6 bilhões em 2009 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 05 jan. 2010, p. B3).

5. As ´commodities´ correspondem a 71,48% das exportações brasileiras; os produtos manufaturados, 28,52%. Nas empresas de capital nacional, as ´commodities´ têm participação de 85,02% nas exportações; nas empresas de capital estrangeiro, 50,35% (Valor, São Paulo, 08 jan. 2010, p. A4).

6. Os gastos do governo federal totalizaram R$ 572,4 bilhões em 2009, crescimento de 15,0% sobre 2008. Já as receitas totalizaram R$ 611,6 bilhões em 2009, crescimento de 4,8% sobre 2008. O resultado primário reduziu-se a superávit de R$ 39,2 bilhões em 2009 (1,25% do PIB), ante R$ 71,4 em 2008 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 jan. 2010, p. B3).

7. O superávit primário do setor público se fixou em 2,06% em 2009 (3,37% em 2007). O endividamento do setor público subiu de 37,3% em 2008 para 43% em 2009 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 29 jan. 2010, p. B6).

8. A taxa de desemprego se fixou em 8,1% em 2009, ante 7,9% em 2008. O impacto da crise no mercado de trabalho revelou-se limitado. O rendimento médio do trabalhador cresceu 3,2% em 2009, o mesmo ritmo de 2008 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 29 jan. 2010, p. B7).

9. O governo Lula (2003-2010) elevou de 19,9 para 23 mil o número de cargos de confiança, preenchidos sem necessidade de concurso público. Nos EUA, o presidente Barack Obama, ao assumir em 2009, tinha à disposição para provimento 9 mil cargos comissionados, dos quais 600 precisavam de aprovação pelo Senado (Folha de S. Paulo, São Paulo, 01 fev. 2010, p. A4).

10. Para 675 mil servidores públicos da União e inativos, o governo destinou R$ 183 bilhões no orçamento de 2010, seis vezes todo o orçamento de São Paulo, a maior cidade do País, com 11 milhões de habitantes. No orçamento, a verba foi de R$ 126,9 bilhões. O saldo, em dois anos, foi fantástico. Em 2010, o PAC terá apenas R$ 29 bilhões e o bolsa-família, pouco mais de R$ 12 bilhões. Pagamos tributos para sustentar os detentores do Poder. Somos reféns da burocracia. A carga burocrática condiciona a carga tributária, afirma Ives Gandra, advogado (Folha de S. Paulo, São Paulo, 04 jan. 2010, p. B2).

11. Os dez passos para o Brasil garantir o desenvolvimento sustentado são: 1) investimento em infraestrutura de transportes; 2) investimento em energia; 3) melhoria da educação para formar mão de obra qualificada; 4) aumentar a qualidade e reduzir os gastos públicos; 5) aumento das exportações por meio da redução dos custos de produção e promoção dos produtos brasileiros; 6) reforma tributária; 7) inclusão social para criar novos consumidores e investidores; 8) ciência e tecnologia; 9) bancarização (o acesso de novas pessoas ao sistema financeiro é importante para crescer os mercados de crédito e consumo); e 10) reforma política (Isto É Dinheiro, São Paulo: Três, n. 641, 20 jan. 2010, p. 34).

12. A edição de 2010 do ´ranking´ apresentado pelo ´Relatório de Monitoramento Global – Educação para Todos´, da Unesco, rebaixou a educação brasileira do 76º para o 86º lugar na classificação geral. Baseado em dados de 2007, o ´ranking´ é elaborado a partir de índice composto de quatro subindicadores: I – atendimento no ensino fundamental; II – taxa de alfabetização de adultos; III – igualdade entre meninos e meninas no acesso à escola; e IV – taxa de sobrevivência, ou seja, proporção de alunos com a quarta série completa. Em 2007, apenas metade dos 10,2 milhões de jovens de 15 a 17 anos cursava o ensino médio ou já havia concluído essa fase de estudos, de acordo com o Ipea (Folha de S. Paulo, São Paulo, 25 jan. 2010, p. A2).

13. Nos últimos oito anos, o Brasil teve desenvolvimento positivo em muitos aspectos. Houve avanço no combate à pobreza e melhoria na nutrição. Na educação, caiu a desigualdade entre grupos de renda, gênero, raça e região. Mas a desigualdade ainda existe. Os maiores fatores de preocupação no Brasil são a qualidade e a desigualdade das escolas, conforme mostra o índice de sobrevivência. Em São Paulo, ele é de 67%, número baixo para o Estado mais rico. No Pará e na Bahia, apenas um terço dos alunos faz a transição na idade certa. É preocupante, avalia Kevin Watkins, especialista da Unesco (Época. São Paulo: Globo, n. 611, 01 fev. 2010, p. 44).

14. O Brasil tende a ser basicamente exportador de commodities. Não é uma estratégia de longo prazo sensata. É muito difícil ser permanentemente bem sucedido apenas como exportador de produtos primários. O País tem de focar em desenvolver, por meio da pesquisa, vantagem em setores competitivos com maior valor agregado. Mas a grande história para o Brasil, com população grande e demografia favorável, é a sua economia doméstica, não o restante do mundo. No longo prazo, o Brasil precisa reduzir o desperdício nos gastos públicos, alerta Jim O´Neill, chefe de pesquisa econômica do Goldman Sachs (Folha de S. Paulo, São Paulo, 03 jan. 2010, p. B3).