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ARTIGOS



BRASIL VERSUS EUA

O Brasil se tornou a menina bonita do baile, diz Oscar Clarke, presidente da Intel (Isto É Dinheiro, São Paulo: Três, n. 641, 20 jan. 2010, p. 37).

O total de crédito da economia passou de R$ 380 bilhões, em dez. de 2002, para R$ 1,37 bilhão, em out. de 2009. Serviu para financiar o consumo. Para a frente, teremos necessidade de financiar a infraestrutura. Os investimentos devem aumentar para sustentar o crescimento da economia de 5% ao ano, sem pressão inflacionária. O financiamento da infraestrutura será realizado pelo mercado financeiro local e internacional e pelo mercado de capitais. Veremos uma participação maior do sistema financeiro no financiamento dos investimentos, afirma Fábio Barbosa, presidente da Febraban (Folha de S. Paulo, São Paulo, 03 jan. 2010, p. B4).

2. O crescimento de 2010 será acelerado. Terá como motor o investimento, ao invés do consumo, indutor do crescimento num primeiro momento. O principal fator a contribuir para o crescimento em 2010 será o crédito, notadamente o destinado às pequenas e médias empresas, com expansão prevista de 28% a 32%. A carteira de crédito aumentou 6,8% em 2009, ante 33,4% em 2008. Para 2010, a estimativa é de 25%. A inadimplência (atrasos acima de 90 dias) se situou em 4,9% em dez. de 2009, diz Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco (Folha de S. Paulo, São Paulo, 29 jan. 2010, p. B4).

3. O FMI vê a recuperação global mais rápida. O crescimento do PIB mundial poderá alcançar 3,9% em 2010. Para o Brasil, a estimativa é de 3,6%. O PIB brasileiro poderá chegar a 5,3%, de acordo com a pesquisa Focus (Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 jan. 2010, p. B1).

4. Os esforços artificiais de resgate funcionaram. Mal passado um ano da quebra do Lehman Brothers, os mercados financeiros se estabilizam, os mercados de ações se recuperam e a economia demonstra sinais de retomada. As pessoas desejam retornar ao ritmo usual dos negócios e acreditar ter sido apenas um pesadelo o ´crash´ de 2008. Infelizmente, a recuperação deve perder o pique e pode até ser seguida por uma segunda desaceleração econômica, embora eu não esteja seguro se ela ocorrerá em 2010 ou em 2011. Minhas opiniões estão longe de únicas, mas contrariam o clima dominante, diz George Soros (Folha de S. Paulo, São Paulo, 03 jan. 2010, p. B5).

5. Sob várias comparações estatísticas, o Brasil e seu mercado interno têm, hoje, características dos EUA nas décadas de 1940 e 1950. São exemplos:

Brasil

ano

EUA

década

passageiros domésticos embarcados per capita por ano

0,94

2008

0,22

1950

expectativa de vida ao nascer (anos)

72,9

2008

72,3

1970

presença de televisão (% de domicílios)

96,4

2008

96,7

1970

presença de rádio (% de domicílios)

87,9

2008

85,2

1940

presença de telefone (% de domicílios)

82,1

2008

83,8

1960

veículos automotores emplacados per capita

0,29

2008

0,25

1940

uso de energia per capita (T BTUs)

0,05

2008

0,23

1940

pedidos de patente (por 1.000 habitantes)

0,02

2008

0,37

1950

formados no ensino médio (% da população)

32

2008

29

1940

formados em universidade (% da população)

9

2008

10

1960

PIB per capita (US$ mil)

6,5

2008

9

1930

FONTE: Folha de S. Paulo, São Paulo, 31 jan. 2010, p. B7

6. A partir dessas comparações, se o Brasil prolongar o atual índice de crescimento com aumento de renda, em especial para a base da pirâmide, o País poderá passar, nos próximos 20 anos, pelo mesmo período de progresso experimentado pelos EUA nas décadas de 1950, 1960 e 1970, até a crise do petróleo, conclui estudo da consultoria Bain & Company (Folha de S. Paulo, São Paulo, 31 jan. 2010, p. B6).

7. A comparação é interessante, mas suas conclusões devem ser inseridas no contexto histórico, observa Márcio Pochmann, presidente do Ipea. Os EUA se industrializaram na primeira metade do século XIX. A industrialização do Brasil ocorreu quase 80 anos depois (id.).

8. O saldo das operações de crédito, por conta da utilização de cartões de crédito, atingiu R$ 26,3 bilhões em 2009, crescimento de quase 20% sobre 2008 – R$ 22,1 bilhões, quase o dobro de 2006 – R$ 13,4 bilhões, de acordo com BCB (Folha de S. Paulo, São Paulo, 25 jan. 2010, p. B2).

9. A indústria de cartões de pagamento tem aprovado R$ 500 bilhões em linhas de crédito para utilização por seus clientes. A indústria já responde por cerca de 8% a 10% do total das operações de crédito. A taxa de inadimplência (acima de 90 dias de atraso) é de 10% (Folha de S. Paulo, São Paulo, 01 fev. 2010, p. B1).

10. Vejo o ano de 2010 com muita preocupação para a agricultura brasileira, principalmente por causa do câmbio. Os insumos para a plantação da safra foram comprados com o dólar perto de R$ 2,00. Na colheita, o dólar deverá estar abaixo desse valor, determinando defasagem entre custo e valor de produção. Além disso, o dólar nessa faixa tira a competitividade de vários produtos brasileiros, como a carne bovina, avalia Roberto Rodrigues (Isto É Dinheiro, São Paulo: Três, n. 641, 20 jan. 2010, p. 24).

11. A soja, ´commodity´ mais exportada pelo País, terá a oferta aumentada e enfrentará pressão de preços para baixo. A safra será recorde nos EUA e na Argentina. O mercado depende da China, compradora da metade de toda a soja produzida no mundo. A situação das ´commodities´ depende muito do comportamento do mundo (id.).

12. A produção mundial de alimentos vai precisar ser 70% maior em 2050 para atender à demanda, de acordo com projeção de nov. 2009 da ´Food and Agriculture Organization – FAO´, órgão das Nações Unidas. Fatia de 30% desse aumento deverá vir de novas áreas cultiváveis. O Brasil, maior exportador mundial de café, açúcar, frango, carne e suco de laranja, além de um dos maiores vendedores de soja e minérios, está preparado para suprir a demanda (id.).