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ARTIGOS



CRISE, FORÇAS E FRAQUEZAS

O presidente Lula é o melhor, o mais bem sucedido gestor político de um grande país na década, afirmou Jim O´Neill, chefe da área de pesquisa em economia global do Goldman Sachs, criador da sigla Bric para designar os principais países emergentes (Brasil, Rússia, Índia e China) (Época, São Paulo: Globo, 21 dez. 2009, p. 52).

2. No auge da crise, Lula, com coragem, advertiu(*): se a população não continuasse a consumir, perderia o emprego. Isso se provou algo eficaz, avalia Paulo Yokota, ex-diretor do Banco Central do Brasil (id.)

3. Com perspicácia e agilidade, o presidente Lula se movimentou a partir do aprofundamento da crise internacional em setembro de 2008, quando ocorreu a quebra do Lehman Brothers. O governo adotou medidas para estimular a atividade econômica, conhecidas tecnicamente como anticíclicas. A retomada do crescimento da economia foi rápida. O presidente ganhou reconhecimento pela forma como lidou com a crise e pelos resultados alcançados (id.).

4. O momento da crise foi aproveitado para mudar o foco da política econômica. A crise deu salvo-conduto e o governo abriu o armário. Começaram a sair coisas exóticas, medidas heterodoxas. Em algum momento, a festa financeira do governo terá de parar, diz Gustavo Franco, ex-presidente do BCB (id.).

5. As reformas pararam no tempo, lamenta Gustavo Loyola, ex-presidente do BCB (id.).

6. Os gastos com o pagamento dos servidores estão crescendo sete vezes mais em comparação com a taxa de investimento público na construção de estradas, pontes e portos. A tendência no aumento dos gastos públicos preocupa. A carga tributária, de 36%, é a maior dos mercados emergentes, e não há sinais no horizonte de mudança. Infelizmente, isso pode limitar nosso crescimento nos próximos anos. Nossos sonhos de desenvolvimento só se realizarão se a taxa de investimento aumentar bastante, alerta Armínio Fraga, ex-presidente do BCB (id.).

7. O governo avançou sobre o setor privado em vários setores, como petróleo, petroquímico e financeiro (id.).

8. Assim como seria um erro subestimar a força do Brasil, seria outro erro ignorar suas fraquezas. Algumas delas são depressivamente familiares. Os gastos governamentais crescem mais rápido em relação à economia. Os investimentos do setor público e do setor privado são muitos baixos. Deixam um ponto de interrogação sobre as previsões róseas de crescimento do País, questiona a revista ´Newsweek´ (id.).

9. Na crise, o otimismo do presidente Lula pode ter tido o seu efeito. A vantagem competitiva do Brasil foi a força do seu mercado interno, capaz de sustentar qualquer atividade, avalia Ivan Zurita, presidente da Nestlé, com faturamento de R$ 15,5 bilhões em 2009 (10% de crescimento em relação a 2008), 18 mil funcionários, 30 fábricas e 44 mil fornecedores (Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 dez. 2009, p. B4).

10. O investimento deve ter o papel de ´puxador´ do crescimento, explica Luciano Coutinho, presidente do BNDES (Valor, São Paulo, 17 dez. 2009, p. F14).

11. O investimento (continua Coutinho) assegura criação de capacidade produtiva no ritmo suficiente para prevenir o aparecimento de gargalos na oferta e, portanto, de pressões inflacionárias. A demanda deve continuar crescendo, mas o investimento deve ocorrer de maneira muito firme e antecipar a criação da capacidade produtiva (id.).

12. O crescimento do PIB no 3º trimestre de 2009, combinação ideal de crescimento, foi liderado pelo investimento, com ligeira desaceleração do consumo das famílias e desaceleração dos gastos do governo (id.).

13. Vamos lutar para a taxa de investimento chegar a 18,5% ou 19% em 2010. Vamos preparar o caminho para ela atingir mais de 23% ou 24%, nível compatível com crescimento de 6% ao ano, diz Coutinho (id.).

14. Há razões para euforia. O Brasil foi um dos últimos países a sofrer com a crise e um dos primeiros a sair dela. O País tem crescido com inflação baixa e redução das disparidades de renda e das diferenças regionais. Mas há sinais de formação de novas bolhas nos países emergentes, principalmente na China. No Brasil, a recuperação da bolsa e a valorização do real devem persistir enquanto houver apetite por risco e perdurar o sentimento de continuidade da desvalorização do dólar. Em algum momento já na frente, o Federal Reserve – FED terá de subir os juros nos EUA. Veremos mais turbulência, adverte Eliana Cardoso, economista (Valor, São Paulo, 04 dez. 2009, Eu & fim de semana, p. 6).

15. Depois da crise, o Brasil ficou parecendo confiável no longo prazo. Passar bem pelas turbulências gera confiança para o investidor, assinala Sérgio Vale, economista (Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 dez. 2009, p. B1).

16. Para a concretização dos prognósticos favoráveis, o Brasil precisa estabelecer bom marco regulatório para as obras de infraestrutura, resolver os nós ambientais e formar mão de obra especializada, diz Gustavo Loyola (id.).

17. A falta de qualidade no sistema educacional brasileiro pode comprometer as perspectivas de crescimento nos próximos anos, avalia o prof. James Heckman, da Universidade de Chicago, EUA, ganhador do Nobel de Economia em 2000 (Valor, Fortaleza, 18 dez. 2009, p. A2). O Brasil precisa de uma força de trabalho mais preparada. Uma mão de obra mais educada é, não há dúvida, chave para uma economia mais produtiva (id.).

18. O Ibovespa subiu 82,7% em 2009. Chegou ao mínimo de 36.234 pontos (02 mar. 2009) e ao máximo de 69.349 pontos (14 dez. 2009). Ao final de 2009, estava nos 68.588 pontos. Para o investidor estrangeiro, responsável por dois terços dos negócios na BM&FBovespa, o investimento na bolsa brasileira, além do ganho de 82,7% em moeda local, rendeu 142,7%, considerada a variação de 33,9% do real em relação ao dólar. Com aumento de 142,7% em dólar, a Bovespa ofereceu aos investidores a maior valorização do mundo. A bolsa do Peru vem em 2º lugar com 116% de valorização. A alta da Rússia foi de 113,2%; da Índia, 87,2%; da China, 79,2% (Folha de S. Paulo, São Paulo, 31 dez. 2009, p. B1).

19. A Bovespa deve, finalmente, recuperar em 2010 o recorde de 73.516 pontos de maio de 2008. Há certo consenso de mercado. Os mais otimistas vêem o índice alcançar 80 mil pontos, 17% acima de 68.588. Com a queda ocorrida em 2008 (-41,22%), a chance de valorização em 2009 era bastante alta (id.).

20. O excepcional desempenho do mercado financeiro brasileiro é atribuído pelos analistas a uma conjunção de fatores positivos: saída mais rápida da recessão; mercado interno vigoroso; recuperação no preços das ´commodities´; e perspectiva de expansão de 5% a 6% em 2010, além da depreciação internacional do dólar dos EUA (id.).

21. O real valorizou-se 33,9% em relação ao dólar em 2009, a maior alta de uma moeda diante do dólar. Já a valorização do real em face do euro foi de 29,6%. O real lidera a lista de alta na comparação com todas as principais moedas do comércio global, segundo levantamento da Bloomberg com as 51 das principais divisas globais (Folha de S. Paulo, São Paulo, 31 dez. 2009, p. B3).

22. A saída do Brasil da crise e a volta do crescimento da economia foi a melhor notícia de 2009, de acordo com pesquisa Datafolha. Já a pior notícia foi a gripe suína (Folha de S. Paulo, São Paulo, 30 dez. 2009, Especial1).

23. O risco-país do Brasil, medido pelo Embi+ do JP. Morgan, chegou aos 197 pontos ao final de 2009. O índice do México terminou em 166 pontos; Peru, 168 pontos; e Argentina, 662 pontos.

(*) Noutra oportunidade: ´Nos EUA, a crise é um tsunami. Aqui, vai chegar uma marolinha, não vai dar nem para esquiar.´ Presidente Lula em 04 out. 2008.