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ARTIGOS



CRISE – BOLHAS, RISCOS E DUBAI

Sem o crédito, o comércio seria um pássaro sem asas. Para mover-se, o comércio precisa das asas do crédito, avaliou Rudolf von Jhering (´A finalidade do direito´ - Tomo I. Campinas: Bookseller, 2002, p. 115).

A falta de liquidez e o risco sistêmico são primos próximos, alerta Markus Brunnermeier, professor da Universidade de Princeton, EUA, ganhador do prêmio Bernacer dado a economistas-revelação (Valor, São Paulo, 10 nov. 2009, p. C8).

2. As condições da liquidez (prossegue Brunnermeier) são de primeira importância no entendimento do risco sistêmico, explicado principalmente pelo efeito dominó: a quebra de um banco puxa a quebra de outro banco.

3. O risco de liquidez é minorado com o financiamento dos ativos mais no longo prazo. A instituição financeira não terá de refinanciar suas posições com tanta freqüência.

4. O sistema financeiro das sombras (ativos fora dos balanços dos bancos), com carteira de ativos de mais US$ 6 trilhões, é financiado com recursos de prazo médio de 7 dias.

5. Num processo de desalavancagem, a venda de ativos deprime os preços e erode o balanço de outras instituições.

6. O setor financeiro e suas fricções em geral não importam muito para a macroeconomia, de acordo com a maioria dos modelos de macroeconomia. Mas essa presunção foi abalada pela crise atual. Os impactos do setor financeiro deverão ser considerados nos modelos de macroeconomia no futuro.

7. A atual crise também mostrou inúmeros defeitos na arquitetura financeira vigente. A regulação bancária não deve focar o risco de um banco isoladamente e ignorar os efeitos de contágio. A regulação também deve ser contracíclica. Quando os mercados estão indo bem e o setor financeiro não se impõe restrições, a regulação deve ser restritiva. Quando os mercados se estão impondo constrangimentos de capital, a regulação deve ser mais leniente, recomenda Brunnermeier.

8. Há três tipos de bolhas, com componentes concomitantes e similares, mas com algumas características diferentes: 1ª) bolhas de crédito, as mais perigosas, responsáveis por maiores prejuízos; 2ª) bolhas passíveis de correção tempestiva; e 3ª) bolhas intermediárias (não são bolhas de crédito, mas decorrem de expansão monetária além do desejável). A atual crise é exemplo de bolha de crédito. O sistema financeiro dos EUA financiou a bolha imobiliária como uma bolha de crédito. Toda a sociedade americana estava superalavancada, analisa Henrique Meirelles, presidente do Banco Central do Brasil (Valor, São Paulo, 09 nov. 2009, p. C8).

9. Em relação às ´commodities´, uma das coisas mais difíceis da análise econômica (continua Meirelles) é definir quando existe ou não bolha. A fixação do preço adequado, num mundo em transformação como este, com a incorporação da massa de consumidores asiáticos no mercado e com a alta demanda, é difícil. A bolha de ´commodities´ só se conhece quando ela estoura.

10. Estamos alertando no momento sobre sinais de possíveis componentes de euforia tanto no mercado acionário como no mercado de câmbio. Há movimentos de investidores baseados em pouca análise. Um certo comportamento de manada, adverte Meirelles.

11. O componente preço se torna importante quando ele passa a ser relevante como garantia do crédito, ou seja, o BC olha prudencialmente o mercado de crédito. Não pode estar tentando controlar os preços da economia, conclui Meirelles.

12. A maior distorção da economia brasileira são os juros. A queda dos juros viria a trazer o efeito desejado sobre a taxa de câmbio, ou seja, evitar mais apreciação. O ideal é o governo segurar os gastos e o crédito público para deixar mais espaço para a política monetária reduzir os juros, opina Armínio Fraga, presidente do Conselho de Administração da BM&F Bovespa, ex-presidente do BCB (Valor, São Paulo, 08 nov. 2009, p. B4).

13. A bolsa cumpre seu papel de levantar capital para investimento e geração de emprego, porque dá preço e liquidez a ativos. O valor da nossa bolsa está a 12 vezes o lucro esperado das empresas para 2010. Não está barato, mas não é bolha. O quadro reflete a nossa situação, relativamente boa, e a abundante liquidez global, complementa Fraga.

14. As crises agora são mais intensas, mas passam com mais rapidez. O Estado e os mecanismos de controle conseguem realmente corrigir os problemas, observa Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Banco Bradesco S.A. (Folha de S. Paulo, São Paulo, 21 nov. 2009, p. B7).

15. Uma regulamentação exagerada em resposta à crise financeira global poderá o crescimento na economia. A adoção de políticas ortodoxas e a exigência de mais capital para os bancos poderão ter efeitos perversos sobre a economia e a sociedade, disse Stephen Green, presidente do Conselho de Administração do HSBC (Valor, São Paulo, 20 nov. 2009, p. C2).

16. O aperto indiscriminado das regras pode ser contraproducente, pondera Emilio Botín, presidente do Conselho de Administração do Santander (id.).

17. Dubai, um dos sete Emirados Árabes Unidos, concentrou nos últimos anos a imagem de um destino turístico bem sucedido e de um paraíso artificial. Hotéis cinematográficos e lojas de alto luxo nasceram em pleno deserto da Arábia. Ressoa agora nos mercados globais: Dubai ameaça dar calote (´Dubai, a queda´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 nov. 2009, p. A2).

18. A Dubai World, ´holding´ controlada pelo governo e presidida pelo sultão Bin Sulayem, um dos principais responsáveis pela transformação de Dubai num centro financeiro e comercial regional, acumula dívidas estimadas em US$ 60 bilhões. Adotou como lema ´O sol nunca se põe em Dubai World´. A ´holding´ sugeriu aos credores um acordo para paralisar os pagamentos. Os investidores temem ´default´ (Valor, São Paulo, 27 nov. 2009, p. C8).

19. A moratória por parte de Dubai pode levar a uma parada brusca no fluxo de capital para os mercados emergentes e ser um grande passo para trás na recuperação da crise financeira global, avalia Benoit Anne, analista do Bank of America (Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 nov. 2009, p. B12).

20. A crise em Dubai não terá impacto importante nos mercados. Ela quase não será sentida no Brasil. Não vai ter maiores conseqüências, disse o ministro Guido Mantega, da Fazenda (id.).

21. Os bancos brasileiros não estão expostos à divida de Dubai, complementou Henrique Meirelles (id.).