Digite a palavra-chave

A busca é efetuada em todas as páginas do site e abrange todo o seu conteúdo.
Página principal




ARTIGOS



POLÍTICA CAMBIAL E SISTEMA MONETÁRIO GLOBAL

Alguns poucos cidadãos adquirem o poder de fazer políticas públicas. Todos, porém, têm o direito de criticá-las, escreveu Aristóteles (384-322 a.C.) em seu livro “Ética a Nicômaco” .

O governo federal, por meio do Decreto nº 6.983, de 19 out. 2009, introduziu o IOF, à alíquota de 2%, nas liquidações de operações de câmbio para ingresso de recursos no País, realizadas por investidor estrangeiro, para aplicação no mercado financeiro e de capitais.

2. Os objetivos da medida são frear a especulação no mercado de capitais e segurar o dólar, segundo Guido Mantega, ministro da Fazenda (Folha de S. Paulo, São Paulo, 20 out. 2009, p. B1).

3. Existe um crescente interesse pelo Brasil. Sólido e muito atrativo, o País vem recebendo grande fluxo de dinheiro. A preocupação é com os especuladores na bolsa e com o excesso de valorização do real. O câmbio apreciado é um problema. Prejudica os exportadores. Ameaça o emprego do trabalhador brasileiro. Não podemos perder a concorrência no mercado internacional. O fluxo de capitais tem de ser regulado, observa Mantega (id.).

4. O FMI apoiou a taxação do IOF instituída pelo Brasil. É preciso usar instrumentos de proteção contra o excesso de entrada de recursos, diz Nicolás Eyzaguirre, diretor do Fundo (Folha de S. Paulo, São Paulo, 24 out. 2009, p. B3).

5. A China adota política cambial fora das regras. O controle da taxa cambial impede a flutuação de sua moeda. O Brasil tem de defender-se de alguma forma, alerta Eyzaguirre (id.).

6. O mau comportamento da China é ameaça para o restante da economia mundial, diz Paul Krugman (id.).

7. O capital estrangeiro continuará vendo no Brasil uma das melhores oportunidades de investimento, mesmo com a taxação do IOF. Há excesso de liquidez no mundo, com taxas negativas em muitos países. Os investidores estão buscando alternativas, e o Brasil é a melhor opção, avalia Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do BCB (id., p. B6).

8. A queda do dólar (27%, desde o último dia de 2008) desestabiliza as relações de comércio exterior por prejudicar a competitividade das exportações, assinala Julio Gomes de Almeida, ex-secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda (id., p. A3).

9. O real forte já detonou um processo de desindustrialização, isto é, as indústrias deixam de produzir e passam a ser meras distribuidoras de produto importado de suas matrizes, adverte José Velloso, vice-presidente da Abimaq. A Cameron, dos EUA, é apenas um caso (Folha de S. Paulo, São Paulo, 25 out. 2009, p. B11).

10. Um dos ramos mais afetados pelo câmbio é o de máquinas e equipamentos, além do segmento de calçados, vestuário, têxtil, eletroeletrônico e o automobilístico (id.).

11. Além do câmbio, a indústria propõe a revisão total do sistema tributário. A tributação vigente exporta imposto e onera excessivamente empresas intensivas em mão-de-obra. A indústria reclama ainda dos gargalos em infra-estrutura, juros altos e falta de crédito (id.).

12. Os chineses continuam administrando grandes superávits comerciais e acumulando ativos. Porém o Yuan está permanentemente desvalorizado, porquanto permanece amarrado ao dólar, adverte George Soros (Folha de S. Paulo, São Paulo, 26 out. 2009, p. B4).

13. O sistema monetário mundial está quebrado e precisa ser reconstruído. Não temos condições de seguir com os desequilíbrios crônicos e crescentes nas finanças internacionais. É necessário um novo sistema de moedas, baseado nas linhas gerais dos direitos especiais de saque do FMI, calculados com base numa cesta de quatro divisas: o dólar, o euro, o iene e a libra esterlina. A gama da cesta de moedas do novo sistema deveria ser aumentada e incluir tanto o yuan como o real. A economia global em crescimento não pode ter uma única moeda mundial, pondera Soros (id.).

14. O Brasil tem a moeda mais volátil em ´ranking´ envolvendo 25 moedas internacionais, de acordo com estudo da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo – Fiesp. O índice de volatilidade do câmbio brasileiro é de 21,52% entre 2002 e 2009, ante 9,38% da Rússia e 6,31% da Índia. Em cinco dos oito anos pesquisados, o real está entre as três moedas mais voláteis. Para a Fiesp, o governo deve ser mais atuante na gestão do câmbio para conter a volatilidade exagerada. Existe um arsenal de medidas disponíveis para o controle do câmbio, um dos mais importantes indicadores da economia. A Fiesp não é contrária ao regime de câmbio flutuante, conclui Paulo Francini, diretor do Departamento de Pesquisas Econômicas da referida Entidade (Folha de S. Paulo, São Paulo, 25 jul. 2009, p. B2).

15. O real forte é problema a médio prazo para a indústria brasileira. A curto prazo, é possível conciliar com o câmbio. Mas num prazo maior a indústria perde competitividade e, por conseguinte, perde espaço no mercado interno e externo. A participação em volume das exportações brasileiras de manufaturados, de 2005 para cá, caiu 17% relativamente às exportações mundiais. O Brasil perdeu ´market share´ no mercado internacional de manufaturados, máxime por conta da apreciação cambial, avalia Francisco Eduardo de Souza, assessor do BNDES (Valor, São Paulo, 17 ago. 2009, p. A6).

16. O dólar caro é um veneno doce. Torcer pela disparada do dólar seria como torcer contra o País. É um erro criticar a valorização do real. Ela indica: as coisas por aqui vão bem. Uma moeda forte é bom sinal. Significa a volta da confiança e bom cenário para a indústria e para os investimentos. Mas a oscilação atrapalha, alerta Rolf-Dieter Acker, presidente da Basf (´Isto é dinheiro´. São Paulo: Três. n; 621. 02 set. 2009, p. 30).