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ARTIGOS



CRISE – 1 ANO (VITAMINAS AO INVÉS DE ANTIBIÓTICOS)

A crise deixa lições preciosas. Uma, com um toque de simplicidade, recomenda: em briga de pessimistas com otimistas, o realista não entra. Prefere acordar mais cedo, dormir mais tarde e trabalhar mais. Aldemir Bendine, presidente do Banco do Brasil S.A. (´A ação anticíclica do Banco do Brasil´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 set. 2009, p. A3).

Quase um ano depois do início da fase mais crítica da crise, o Banco Central do Brasil já começa a abandonar as medidas adotadas para estimular a retomada do crescimento. O primeiro passo foi a decisão de manter a taxa Selic em 8,75% ao ano (reduzida de 13,75% para 8,75% por meio de cinco quedas). O BC também estuda o fim das reduções no recolhimento compulsório anunciadas no final de 2008 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 03 set. 2009, p. B1).

2. Nem novos estímulos nem a retirada dos já dados para a retomada da economia. Aumentar impostos, em vez de reduzi-los, ou elevar os juros, em vez de diminuí-los, seria enviar o sinal errado aos agentes econômicos. Essa a avaliação do ministro Guido Mantega, da Fazenda, exposta em reunião dos Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) e EUA (Folha de S. Paulo, São Paulo, 05 set. 2009, p. B3). Não há mais motivos para estímulos à economia, mas, diante das incertezas no conjunto da economia mundial, não há razões para o início da adoção de ´estratégias de saída´ (desmonte dos pacotes fiscais e de injeção de recursos para ajudar setores da economia), explica o ministro.

3. Os Bric chegaram a duas conclusões principais sobre a crise: 1ª) apesar dos sinais positivos emitidos pela economia mundial, ainda não é hora de desmontar os pacotes de estímulos adotados, razão de ser da recuperação; 2ª) os mercados emergentes mostraram resiliência e ajudaram a economia mundial a absorver o impacto da deterioração do comércio, dos fluxos de crédito e da demanda. Timothy Geithner, secretário do Tesouro dos EUA, concordou com essas conclusões (id.).

4. O governo dos EUA, nos últimos doze meses, estatizou a maior parte de sua indústria automobilística, injetou bilhões de dólares em seu sistema bancário, assumiu as operações de enormes segmentos dos mercados de crédito anteriormente privados e entrou numa nova era fiscal deficitária numa escala de trilhões de dólares. Grande parte dessas medidas, sem precedentes no papel do governo dos EUA, foi concebida e executada por uma instituição cujos diretores são autoridades não eleitas e não referidas na Constituição. Estamos falando do ´Federal Reserve – FED´. Possivelmente a mais poderosa agência em Washington e ´quarto poder não oficial do governo´, na visão de David Wessel, autor de `In FED we trust´. As ações do FED foram consideradas uma ´cirurgia agressiva para um câncer agressivo´, na avaliação de Ben Bernanke, seu presidente (Valor, São Paulo, 03 set. 2009, p. D8).

5. A União, na qualidade de controladora, procura dar, como é natural, orientações quanto ao papel de banco público do BB. Mas não há ingerência política, afirma Aldemir Bendine, presidente do BB (Folha de S. Paulo, São Paulo, 06 set. 2009, p. B5).

6. Houve necessidade de atuação anticíclica no sistema financeiro. Existiu carência por crédito. O mercado não deu resposta. O BB então, dentro da boa prática bancária e sem ferir a governança corporativa, assumiu o papel de destravamento do crédito. A atitude apresentou resultados eficientes. Passou a ser um diferencial do BB (id.).

7. O Brasil consolidou o processo de retomada do crédito. O estoque de crédito já passa de 44% do PIB, percentual um pouco superior ao de antes da crise, revela Henrique Meirelles, presidente do BCB (Folha de S. Paulo, São Paulo, 07 set. 2009, p. B5).

8. O governo estuda medidas para aumentar a competitividade da indústria brasileira. Faremos novas medidas de caráter de redução de custo financeiro e de custo tributário em 2010. No cenário pós-crise, o mundo será diferente. A competição será muito mais forte no comércio exterior. Uma das medidas é a redução do custo da folha de pagamento, garante Guido Mantega, ministro da Fazenda (Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 set. 2009, p. B6).

9. O Brasil registrou crescimento de 1,9% no PIB no 2º trimestre de 2009, o quinto maior avanço entre as vinte principais economias mundiais. A liderança coube à Turquia, seguida da Rússia, Coreia do Sul e Indonésia (Folha de S. Paulo, São Paulo, 12 set. 2009, p. B7).

10. A Bolsa de Valores de São Paulo chegou a 58.867 pontos e acumula valorização de 100% em relação ao pior momento da crise global (29.435 pontos em 27 out. 2008) (Folha de S. Paulo, São Paulo, 15 set. 2009, p. A1).

11. A crise econômica está vencida. Agora não é mais o momento de dar antibióticos. É hora de dar vitaminas, disse o presidente Lula na reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Valor, São Paulo, 16 set. 2009, p. A4).

12. A recessão nos EUA muito provavelmente terminou, disse Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve – FED (Valor, São Paulo, 16 set. 2009, p. A8). As vendas no varejo cresceram em ago.-2009 num ritmo mais rápido em mais de três anos.

13. A crise financeira global consistiu num colapso dos mercados internacionais de crédito e interbancário, explicou Henrique Meirelles, presidente do BCB (´O Brasil pós-crise: desafios e oportunidades´. Disponível: <http://www4.bcb.gov.br / pec / appron / Apres / IDP_%2017-09-2009_%20v06.pdf>. Acesso em: 19 set. 2009).

14. No Brasil, esse colapso determinou: aperto de crédito; severa restrição de crédito para exportadores; demanda extra no mercado doméstico de crédito, em face das necessidades das empresas anteriormente atendidas nos mercados internacionais; recessão em setores sensíveis ao crédito, como automóveis; estresse severo de instituições financeiras pequenas e médias; deterioração de crédito devido à exposição a derivativos de câmbio (id.).

15. As autoridades monetárias adotaram as seguintes medidas anticrise: redução de depósitos compulsórios (R$ 99,8 bilhões); liquidez a instituições menores (R$ 41,8 bilhões); criação do recibo de depósito bancário com garantia de até R$ 20 milhões pelo Fundo Garantidor de Créditos – FGC; injeção de liquidez em moeda estrangeira (leilões a exportadores, venda de dólares no mercado à vista; leilões de ´swaps´ cambiais) (id.).

16. A crise econômica internacional reforçou o perfil de concentração do sistema bancário brasileiro. As maiores instituições financeiras ampliaram a sua fatia de participação. Os dez maiores bancos passaram a concentrar 88,9% dos ativos totais, com base em 30 jun. 2009, ante 84,3% em 30 jun. 2008. Os cinco maiores bancos passaram a concentrar 77,4%, com base em set. 2008, ante 66,3% em jun. 2009 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 22 set. 2009, p. B1).

17. O momento mais delicado da crise foi sexta-feira, 11 out. 2008(*), quando, em Washington, participando de reunião do FMI, recebi informações sobre a liquidez do sistema financeiro. A liquidez estava caindo rápido e bancos já estavam com problemas. Na segunda-feira, o Banco Central anunciou uma série de medidas. Elas foram decisivas para evitar danos severos ao País. Na fase inicial da crise, coube ao Banco Central adotar medidas para a normalização do mercado de crédito. A primeira delas foi o anúncio da liberação de R$ 100 bilhões de recolhimentos compulsórios. Os bancos públicos cumpriram o seu papel quando fizeram um movimento contracíclico. Após as ações no mercado de crédito, veio na hora certa o impulso fiscal (**). A recessão acabou. O Brasil já está crescendo, embora muitas das conseqüências da crise permaneçam, avalia Henrique Meirelles, presidente do Banco Central do Brasil (Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 set. 2009, p. B6).

18. O pior da crise financeira global já passou. Resta saber a velocidade da recuperação da economia após a retirada dos estímulos monetários e fiscais aplicados pelos governos do mundo inteiro. No Brasil, a continuidade do crescimento econômico dependerá da redução da carga tributária, diminuição dos juros para os financiamentos mais longos e corte nos gastos correntes, além da promoção da reforma tributária como forma de desburocratizar os negócios, observa Gustavo Loyola, ex-presidente do Banco Central do Brasil, em palestra na Câmara de Dirigentes Lojistas – CDL-Fortaleza (Diário do Nordeste, Fortaleza, 17 set. 2009, Negócios, p. 3).

19. A quebra do Lehman Brothers, marco simbólico da atual crise financeira internacional, completou um ano. O Brasil foi aprovado, com louvor, no verdadeiro teste de estresse representado por esta crise, observa Fábio Barbosa, presidente da Febraban (´Sistema financeiro: um ativo do Brasil´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 set. 2009, p. A3).

20. O desempenho admirável do País pode ser explicado por três questões: 1ª) entramos fortalecidos na crise, em razão da estabilidade macroeconômica e institucional, do crescimento econômico sustentado dos últimos anos e de uma sólida posição de reservas cambiais; 2ª) a ação rápida e competente do governo na contenção dos impactos sobre os demais setores da economia; e 3ª) a solidez do sistema financeiro. Aqui, os bancos não receberam dinheiro público (id.).

21. Uma revisão dos chamados acordos de Basileia, reguladores das atividades dos bancos, reduzirá os limites de alavancagem dessas instituições e introduzirá a exigência de uma espécie de ´colchão de capital´ para ser usado em momentos de absorção de perdas (capital provisional). A decisão foi aprovada pelos presidentes de bancos centrais das 27 principais economias do mundo (Folha de S. Paulo, São Paulo, 07 set. 2009, p. B5).

22. O Lehman Brothers estava em curso de colisão contra um ´iceberg subprime´ de dimensão jamais vista, mas Dick Fuld, seu CEO, e Joe Gregory, seu número 2, não tentaram alterar o rumo, diversamente do capitão do Titanic. Soaram inúmeras advertências, como a de Michael Gelband, diretor mundial de renda fixa. O mercado imobiliário estava dopado como um atleta habituado a esteróides, declarou Gelband durante reunião realizada em 2005. Depois desse alerta, Lawrense G. McDonald, então vice-presidente do Lehman, passou a espionar corretores com atuação no mercado ´subprime`. Nosso trabalho é vender contratos de financiamento habitacional, depois o problema é dos outros, diziam os corretores, chamados por McDonald de praticantes do ´atletismo imobiliário´. Antes celebrado banco de investimentos, o Lehman desmoronou em 15 set. 2009 e deflagrou uma crise financeira por conta da qual a economia mundial entrou em parafuso. A causa da quebra foi a disfunção empresarial e a liderança arrogante, conclui McDonald, autor do livro ´A colossal failure of common sense´, vice-presidente do Lehman de 2004 a 2008 (Valor, São Paulo, 30 jul. 2009, p. D8).

23. Em mar. 2008, o Bear Stearns, 5º maior banco de investimentos dos EUA, é comprado pelo JPMorgan. Em 14 set. 2008, o Merrill Lynch é vendido ao Bank of America. Em 19 set. 2008, o Tesouro dos EUA envia ao Congresso proposta de pacote de US$ 700 bilhões para socorrer o sistema bancário. Em 24 nov. 2008, o governo dos EUA socorre, pela segunda vez, o Citigroup, 2º maior banco. A ajuda soma US$ 45 bilhões (Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 set. 2009, Mais!, p. 5).

(*) Em Washington, reunião do G7 não chega a consenso sobre as ações concretas do plano contra a crise. A semana registrou queda recorde do Dow Jones (18%).

(**) A principal medida fiscal foi a redução de IPI a automóveis e eletrodomésticos da linha branca.