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ARTIGOS



CRISE & BROTOS VERDES

Seus cargos na direção de sociedades profissionais e honorárias atestam suas habilidades sociais, altamente valorizadas numa empresa, observou Henry Ford II (1917 – 1987), presidente da Ford Motor Company (“Os gênios dos negócios”. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004, p.36).

Nos países em desenvolvimento, os sinais de aumento na produção e de recuperação no emprego e no crédito vão ficando cada vez mais consistentes. A Ásia puxa o bloco da recuperação. Já nos países desenvolvidos, e principalmente nos EUA, os dados econômicos continuam contraditórios. Essas economias vêm-se sustentando ainda basicamente por estímulos artificiais, como gastos públicos sem precedentes e injeções de recursos no mercado por meio dos bancos centrais. As economias emergentes e as mais avançadas começam a se ´descolar´. Há uma separação cada vez mais nítida entre emergentes e desenvolvidos. A grande dúvida é se os emergentes conseguirão sustentar ou acelerar o crescimento sem os países ricos saírem logo da recessão (Folha de S. Paulo, São Paulo, 05 jul. 2009, p. B5).

2. O mundo já ensaia sair da pior recessão do pós-Segunda Guerra, mas uma recuperação mais firme poderá demandar mais tempo além do previsto, segundo o FMI. Em nova revisão de suas previsões, o Fundo elevou de 1,9% para 2,5% a expectativa de crescimento global de 2010, mas também aumentou de 1,3% para 1,4% o tamanho da contração esperada para 2009. Os fatores a empurrar a economia global para baixo estão perdendo força, mas ainda é muito fraca a força dos fatores a empurrar a economia global para cima, avalia Olivier Blanchard, economista-chefe do FMI (Folha de S. Paulo, São Paulo, 09 jul. 2009, p. B1).

3. Há sinais de estabilização, incluindo recuperação nos mercados de ações, declínio nos ´spreads´ e mais confiança por parte dos homens de negócio e consumidores. Não obstante os incipientes sinais de recuperação (´brotos verdes´), a situação econômica permanece incerta e subsistem significativos riscos para a estabilidade econômica e financeira, diz o documento da cúpula do G8 (EUA, Japão, Alemanha, França, Reino Unido, Itália e Canadá, além da Rússia) (Folha de S. Paulo, São Paulo, 09 jul. 2009, p. B3).

4. As 500 empresas integrantes do índice S&P-500 da Bolsa de Valores de Nova Iorque devem ter resultados 35,5% piores no 2º trimestre de 2009, ante igual período de 2008. Os resultados do 1º trimestre de 2009 encolheram 33% (Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 jul. 2009, p. B6).

5. A dinâmica da economia global é a mesma. Não há ruptura, apenas o mundo passará a crescer menos, porque o crédito global será menos abundante. As economias reagem bem aos incentivos dados no auge da crise e já estão em processo lento de recuperação, assinala Octávio de Barros, diretor de Pesquisas Econômicas do Bradesco (Folha de S. Paulo, São Paulo, 21 jul. 2009, p. B5).

6. A crise teve dois efeitos: 1º - mostrou o não descolamento do Brasil e de outros emergentes em relação aos EUA, ou seja, não estão independentes dos EUA; 2º - o Brasil está muito mais resistente para enfrentar crises, em comparação com o passado, e tem uma poderosa base de crescimento dentro do País (id.).

7. O Brasil se recupera melhor da crise por suas virtudes macroeconômicas, pela solidez do sistema financeiro e pela inexistência, aqui dentro, das causas da deflagração da crise lá fora. A surpresa é a velocidade da recuperação, avalia Roberto Setubal, presidente-executivo do Itaú-Unibanco (Folha de S. Paulo, São Paulo, 26 jul. 2009, p. B1).

8. Na área do crédito, estamos provavelmente passando pelo pico da inadimplência neste momento. O nível deve cair daqui para frente. Todos os fatores são favoráveis. O nível de demanda de crédito, outro fator importante da ativação da economia, já começa a subir (id.).

9. O Brasil adquiriu alto nível de maturidade política e de equilíbrio econômico. Houve uma institucionalização das políticas econômicas. Não há risco de revermos 2002 na campanha eleitoral de 2010, analisa Setubal (id.).

10. O sistema financeiro nacional se havia resguardado para qualquer contingência e, assim, respondeu prontamente à crise. Não precisou de recursos públicos como em outros países. A inadimplência aumentou, mas não está desestabilizando o sistema, assinala Lázaro de Mello Brandão, presidente do Conselho de Administração do Bradesco (Valor, São Paulo, 27 jul. 2009, p. C8).

11. O índice de confiança do consumidor brasileiro é o 4º mais alto em ´ranking´ envolvendo 28 países, segundo pesquisa da Nielsen realizada entre mar. e jun. de 2009. O ´ranking´ é liderado pela Indonésia, Índia e Filipinas (Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 jul. 2009, p. B1).

12. A recessão brasileira terminou em maio último. Após dois trimestres seguidos de retração (-3,6% no 4º trimestre/2008 e -0,8% no 1º trimestre/2009), a economia brasileira voltou a expandir-se em maio/2009, segundo estudo do Bradesco e do Itaú-Unibanco. Pelo Bradesco, o PIB aponta crescimento de até 2,2% no 2º trimestre/2009, em comparação ao 1º trimestre. Pelo Itaú-Unibanco, de 1,5% a 2% (Folha de S. Paulo, São Paulo, 28 jul. 2009, p. B1).

13. A saída da recessão é para ser comemorada. Mas a recuperação do Brasil e de alguns emergentes já era previsível por conta dos mercados domésticos, comenta Octávio de Barros, diretor de pesquisas do Bradesco (id.).

14. Os preços das residências nos EUA subiram 0,5% em maio/2009, ante abr./2009. Essa alta foi a primeira desde jul./2006, quando a bolha imobiliária começou a murchar. O pior da recessão pode ter ficado para trás (Folha de S. Paulo, São Paulo, 29 jul. 2009, p. B7).

15. Ben Bernanke, presidente do Federal Reserve – FED, perdeu até cerca de um terço do seu patrimônio entre 2008 e 2007, em face da desvalorização da carteira de um fundo de pensão no qual aplicava. No mesmo período, o S&P 500 (envolvendo as 500 das maiores empresas) da Bolsa de Valores de Nova Iorque recuou 36% (Folha de S. Paulo, São Paulo, 29 jul. 2009, p. B7).

16. A economia dos EUA está começando a estabilizar-se em várias regiões do país, anunciou o FED (Folha de S. Paulo, São Paulo, 30 jul. 2009, p. B9).

17. A iminência de colapso não se vê, mas as conseqüências da crise ainda são vivas. A taxa de desemprego aumentou: nos EUA, 18%; na Espanha, 17%; no Brasil, acima de 8%. Houve esforço descomunal dos bancos centrais nos EUA, na Europa, na China e até mesmo no Brasil para evitar a paralisação do ciclo do crédito e, em consequência, a elevação ainda maior do desemprego. Houve também perda imensa do comércio internacional, avaliou FHC, ex-presidente da República em palestra no Centro Industrial do Ceará – CIC (Diário do Nordeste, Fortaleza, 31 jul. 2009, Negócios, p. 11).

18. O ´momento Minsky´ da atual crise financeira, nascida dos excessos de especulação nos EUA, ocorreu, segundo Paul McCulley, em 09 ago. 2007, uma quinta-feira emblemática, quando o BNP Paribas, terceiro maior banco francês, suspendeu o resgate de cotas de três fundos sob a alegação de não saber como avaliar os preços de seus ativos (Valor, São Paulo, 31 jul. 2009, p. A1).

19. Criada em 1998 durante a crise da dívida russa pelo mesmo McCulley, diretor-gerente da Pacific Investment Management Company – Pimco, a expressão ´momento Minsky´ refere-se ao ponto quando se instaura o pânico em mercados desorientados. Passa-se da disposição irrefreável para o risco à negação de qualquer risco. O crédito estanca em ondas de desconfiança.

20. Hyman Philip Minsky (1919-1996), economista dos EUA, estudou as instabilidades ou crises financeiras, fenômeno a repetir-se como inerente à natureza do capitalismo. Elas são geradas aos poucos e em silêncio. Em determinado momento, vem o desastre com o rompimento da estabilidade. Em seguida, nasce novo regime de estabilidade com a intervenção de governos ou mesmo com auto-organização dos mercados.