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ARTIGOS



CRISE – LUZ AMARELA

Nos EUA, os índices continuam caindo, mas estão recuando menos. Se apresentassem o mesmo ritmo de queda dos últimos meses de 2008, não estaríamos numa recessão, mas numa depressão profunda. Os índices da economia para acompanhar a recuperação são os relativos a consumo, investimento das empresas, produção industrial e mercado imobiliário. Esses índices ainda não apontam luz verde, mas luz amarela. Vamos sair desta crise no próximo ano, avalia Nouriel Roubini, professor da Universidade de Nova Iorque (Folha de S. Paulo, São Paulo, 22 maio 2009, p. B10).

2. No Brasil, o desempenho será positivo no 2º trimestre de 2009, após fortes quedas nos dois trimestres anteriores (queda de 3,6% do PIB no 4º trimestre de 2008). A sorte do Brasil é possuir um mercado doméstico robusto a ser explorado. Já as exportações dependem mais da recuperação do preço das ´commodities´ (id.).

3. A escalada recente das bolsas não deve ser sustentável, porque o movimento está indo além dos dados da recuperação da economia. Pode haver uma correção (id.).

4. O momento é bastante complexo. Iniciada em dez. de 2007, a crise financeira enfrentada é a pior desde a Grande Depressão. Nos últimos dezoito meses, aconteceram mais coisas que nos 70 anos anteriores (id.).

5. Os bancos dos EUA apressam-se para figurar na primeira leva de instituições financeiras a reembolsar os recursos de socorro concedidos pelas autoridades monetárias (Folha de S. Paulo, São Paulo, 20 maio 2009, p. C11).

6. O Banco Central Europeu – BCE reduziu os juros básicos de 1,25% para 1,00% ao ano numa tentativa de frear o declínio econômico. A economia européia deve encolher 4% em 2009. O BCE também anunciou a decisão de efetuar a compra direta de ativos e destinou 60 bilhões de euros para a aquisição de títulos emitidos por empresas da zona do euro (Folha de S. Paulo, São Paulo, 08 maio 2009, p. B10).

7. O Brasil sairá da crise antes da maior parte dos países. O mercado internacional já aposta nesse sentido, e alguns setores do mercado mostram excesso de euforia, alerta Henrique Meirelles, presidente do BCB, diante da enxurrada de dólares de investidores estrangeiros provocando a valorização do real, de US$ 2,536 em 04 dez. 2008 para US$ 2,037 em 21 maio 2009 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 22 maio 2009, p. B4).

8. A valorização do real, em face da volta do fluxo da moeda americana, é preocupante, embora seja sinal de robustez, avalia Guido Mantega, ministro da Fazenda (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 maio 2009, p. B3).

9. Vários países em desenvolvimento já entram na rota da recuperação, incluindo o Brasil. Nas economias avançadas, a recuperação será muito mais lenta, segundo o Instituto de Finanças Internacionais – IIF (sigla em inglês) (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 maio 2009, p. B3).

10. O movimento de forte valorização nas bolsas nos últimos meses é visto. por muitos economistas, como tentativa prematura de antecipar o início da retomada. Os brotos da recuperação ainda são muito verdes e frágeis (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 maio 2009, p. B3).

11. A crise pode ser desdobrada em duas: uma, a crise financeira; a outra, a crise do clima ou do aquecimento global. A crise do clima também é resultado da ação dos países industrializados no passado. Não basta cuidar da crise financeira. Para ser competitivo, criar empregos e lidar com os efeitos climáticos, o Brasil tem uma oportunidade de revisar sua estratégia de crescimento, a partir de três áreas: 1ª) gastos do governo; 2ª) inovação; e 3ª) recursos naturais. Na área dos gastos do governo, o Brasil destina mais recursos aos bens privados (subsídios a capital, crédito dirigido, previdência e gastos burocráticos), em detrimento dos bens públicos (incluem infraestrutura, educação, ambiente, etc.). Na área da inovação, o Brasil investe pouco. O setor privado precisa embarcar, não o governo. Na área dos recursos naturais, o Brasil precisar ampliar os investimentos em práticas sustentáveis. Poderia ser líder em combinar infraestrutura com preservação ambiental. Não é necessário eliminar os recursos naturais para se desenvolver. Na Índia e na China não sobrou muita coisa. A área de recursos naturais é a de maior força do Brasil no mundo. Esses recursos serão cada vez mais valorizados nos próximos 50 anos, conclui Vinod Thomas, diretor do Bird (Folha de S. Paulo, São Paulo, 24 maio 2009, p. A24).

12. O PIB dos países integrantes da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento – OCDE, formada por 30 das maiores economias globais, encolheu 2,1% no 1º trimestre de 2009, a maior queda desde o início da pesquisa em 1960 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 26 maio 2009, p. B5).

13. Faz parte da natureza humana a subestimação dos riscos, especialmente os grandes riscos. Somos bons para prever a chuva, mas não o furacão. O mundo é um lugar instável, no qual as coisas são complicadas. Não compreendemos o mundo a nos cercar, e essa idéia é aterrorizante. Ainda não compreendemos bem a crise de 2008, avalia Daniel Kahneman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 2002 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 31 maio 2009, p. B7).

14. As pessoas trabalham com estatísticas erradas sobre o mundo e ignoram o risco de eventos aleatórios e imprevisíveis. Esses eventos, no entanto, acabam governando o mundo. São esses os cisnes negros, de acordo com Nassim Taleb, autor de ´O cisne negro´ (id.).

15. Quando um evento não esperado acontece, as pessoas o compreendem e podem explicá-lo. Somos grandes contadores de histórias ... (id.).

16. Os investidores institucionais atuam de forma muito diferente da psicologia do investidor individual. Eles têm mais informação, além de utilizarem pesquisas e tecnologia para detectar oportunidades. Os investidores institucionais e os investidores individuais não respondem da mesma forma às mesmas notícias. O investidor institucional é mais estável e costuma tomar vantagem do investidor individual. Na tentativa de acertar, o investidor individual reage demais e erra mais e mais (id.).

17. A recente alta do mercado financeiro talvez sirva para demonstrar a diferença de direção entre os investidores institucionais e os investidores individuais. Após as perdas, os investidores individuais deverão tornar-se cada vez mais conservadores, como ocorreu depois da Grande Depressão por um longo período (id.).