Digite a palavra-chave

A busca é efetuada em todas as páginas do site e abrange todo o seu conteúdo.
Página principal




ARTIGOS



CRISE & SISTEMA CAPITALISTA

O capitalismo perdeu boa parte de seu prestígio no período entre as guerras mundiais, quando muitos países na Europa ocidental optaram por sistemas corporativistas. Mas as promessas de uma maior prosperidade com menos oscilações não foram cumpridas, e os países afastados do capitalismo geraram menos inovação e mais desemprego, enquanto os países mantenedores do capitalismo terminaram por voltar a apresentar um bom desempenho após promoverem reformas, observa Edmund Phelps, Prêmio Nobel de Economia em 2006 (´Incerteza perturba até os melhores sistemas´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 19 abr. 2009, p. B5).

2. O capitalismo está enfrentando sua segunda crise. Mas, após a reestruturação do setor financeiro e do setor de negócios, deveremos fazer o capitalismo voltar a funcionar bem. O capitalismo foi capaz de oferecer vidas recompensadoras a crescente número de pessoas (id.).

3. Mesmo em países operando sistemas em larga medida capitalistas, parece inexistir, entre os agentes econômicos e os responsáveis por sua fiscalização, ampla compreensão sobre suas vantagens e seus riscos. O capitalismo não é ´livre mercado´. Os sistemas capitalistas funcionam menos bem sem proteção estatal aos investidores, credores e empresas contra monopólios, trapaças e fraudes. Em resumo, os sistemas capitalistas são um mecanismo por meio do qual as economias são capazes de gerar um crescimento propelido pelo conhecimento, mas com muita incerteza no processo. A expansão do conhecimento leva ao aumento da renda e da satisfação no emprego, enquanto a incerteza torna o mercado sujeito a súbitas oscilações (id.).

4. Um sistema capitalista funcional é como uma organização de base ampla, criada de baixo para cima, oferecendo oportunidades a diversas novas idéias. Esse ´procedimento de descoberta´ torna o capitalismo muito mais inovador em relação ao corporativismo, geridos de cima para baixo, burocráticos demais para aprender com idéias de escalões mais baixos (id.).

5. Mas, numa economia inovadora, não existem precedentes suficientes para calcular a probabilidade deste ou daquele desfecho. Os empreendimentos criativos causam incerteza não só aos empresários, mas também aos demais participantes da economia (id.).

6. Qualquer economia moderna, capitalista ou dirigida pelo Estado, é uma grande sopa de ´know how´ privado disperso na visão de Friedrich Hayek, nos anos 1930. Ninguém, nem mesmo uma agência estatal, é capaz de acumular todo o conhecimento de cada participante. Só o capitalismo resolve o problema do conhecimento. Num sistema capitalista funcional, graças às percepções especializadas adquiridas por cada pessoa, um executivo ou um trabalhador pode um dia ´imaginar´ uma inovação comercial, incapaz de vir de pessoa de fora da linha de trabalho (id.).

7. A escolha da moeda dos EUA como moeda de referência internacional foi resultado de decisão coletiva dos agentes financeiros e comerciais ao longo dos anos. Refletiu a ascensão econômica dos EUA a partir do início do século XX. Antes, durante todo o século XIX, a libra esterlina dominou os mercados mundiais, num reflexo da supremacia inglesa após a Revolução Industrial. A libra começou a perder espaço para o dólar depois da I Guerra Mundial (1914-18). Em 1925, o dólar já representava mais da metade das reservas internacionais. Após o fim da II Guerra Mundial (1939-45), com a Europa arrasada, a predominância do dólar cresceu ainda mais. O dólar é a moeda mais forte do mundo porque o mercado determina isso, não só pela participação de 25% dos EUA no PIB global, mas também porque são transparentes e oferecem segurança jurídica, explica Nathan Blanche, sócio-diretor da Tendências Consultoria (Veja, São Paulo: Abril, n. 2107, 08 abr. 2009, p. 84).

8. Um novo sistema monetário para a economia mundial, baseado não somente no dólar, é defendido por Zhou Xiaochuan, presidente do Banco Central da China. A desvalorização do dólar preocupa os chineses (a maior parte das reservas internacionais chinesas está depositada nos EUA). A China deseja a continuidade dos EUA como pais confiável e assegurando a proteção dos ativos chineses, frisa Wen Jiabao, primeiro-ministro (id.).