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ARTIGOS



CRISES E BOLHAS

A partir de 2003, os EUA entraram num ciclo de crescimento acelerado, conjugado com taxas de inflação muito baixas, lembra Eliana Cardoso, economista, professora da FGV (Folha de S. Paulo, 15 dez. 2008, p. A17).

2. O pico das atividades (prossegue Eliana Cardoso) foi em meados de 2007. Houve enorme otimismo, e os economistas, movidos por esse otimismo, vieram a iludir-se com a idéia de terem aprendido a domar os ciclos econômicos.

3. Imaginaram a política monetária muito poderosa: se houvesse desemprego, bastava diminuir os juros; se houve necessidade de reduzir o nível de atividade e de controle da inflação, bastava aumentar os juros. Se houvesse alguma outra dificuldade, o governo tinha os instrumentos para lidar com ela.

4. Em 2007, quando surgiram os sinais da crise atual, ainda permaneceu a ilusão do controle do ciclo econômico pelo governo. Somente em 2008, ela começou a ser desfeita, após os grandes cortes nas taxas de juros e do socorro ao mercado financeiro.

5. O governo pode reduzir o impacto, mesmo assim em condições limitadas. O governo ainda não tem a receita grandiosa capaz de resolver todos os problemas em qualquer circunstância. Os economistas têm de ser mais humildes e reconhecer a limitação dos instrumentos.

6. O Brasil lida bem com a crise, porque o BC tem recursos e pode manobrar as diversas políticas. Estamos lidando com uma situação difícil, mas ela não saiu do controle. Poderemos enfrentar uma recessão sem passar por um desastre, uma vez o governo mantenha a sensatez e o compromisso com o atual regime, ou seja, o sistema de câmbio flexível com meta de inflação e superávit primário, garantidor de bons frutos, conclui Eliana Cardoso.

7. As crises são um componente intrínseco do sistema capitalista. Não existe capitalismo sem crises, adverte Roberson de Oliveira, co-autor de ´História do pensamento econômico´ (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 dez. 2008, Fovest, p. 6).

8. A ´ganância dos especuladores´ pode acelerar os efeitos das crises, mas não é propriamente a sua causa.

9. As crises têm-se manifestado periodicamente, desde as etapas iniciais do capitalismo, na transição do século XVII para o XIX. Entre 1795 e 1937, houve dezessete crises de duração e intensidades diferentes (em média, a cada oito anos e quatro meses).

10. A crise iniciada em 1929 produziu efeitos marcantes na história do capitalismo. A sua principal consequência foi uma alteração no rumo do desenvolvimento capitalista. As idéias liberais, patrocinadoras do livre mercado e contra o intervencionismo, saíram desmoralizadas e iniciou-se um período no qual o Estado passou a ter papel na regulação, orientação e planejamento do desenvolvimento econômico. Esse período durou até a década de 1980, finaliza Roberson de Oliveira.

11. A quebra do Lehman Brothers determinou uma súbita parada na economia mundial. Como resultado, depois de 15 set. 2008, quase todos os indicadores econômicos e financeiros passaram a exibir sinais de parada cardíaca, assinala Mohamed El-Erian, co-presidente-executivo e de Investimentos da Pimco (Folha de S. Paulo, São Paulo, 14 dez. 2008, p. B2).

12. No final de 2009, como resultado do plano de recuperação econômica do presidente Obama, a economia dos EUA deve começar a fase de estabilização, segundo Paul Krugman (´A vida sem bolhas´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 dez. 2008, p. B7).

13. Após a bolha das ações, veio a bolha da habitação, garantidora de fase de prosperidade nos anos Bush. Um novo ´boom´ nos negócios poderá surgir de algo novo capaz de alimentar a demanda privada. Por isso, a manchete no jornal satírico ´The Onion´: ´País em crise de recessão procura nova bolha para investir´ (id.).

14. Os mercados financeiros são propensos a criar bolhas de ativos. As autoridades regulatórias devem aceitar a responsabilidade de prevenir seu crescimento excessivo. É impossível impedir a formação de bolhas, mas deve ser possível contê-las em limites razoáveis. O fundamentalismo de mercado se tornou o credo dominante a partir da década de 1980, e esse credo conduziu à desregulamentação, à globalização e às inovações financeiras baseadas na falsa suposição segundo a qual os mercados tendem ao equilíbrio. Estamos atravessando a pior crise financeira desde os anos 1930, crise essa gerada pelo próprio sistema financeiro, assinala George Soros (´Regulamentação revisitada´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 01 jan. 2009, p. B4).

15. A maioria dos norte-americanos vivia com gastos superiores à renda e usava os imóveis e outros valores como garantia das dívidas. A economia norte-americana operava sob o estímulo do endividamento excessivo. Agora chegou a hora do doloroso processo de desalavancagem, explica Joseph E. Stiglitz, Prêmio Nobel de Economia em 2001 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 29 dez. 2008, p. B6).

16. Observações sobre a situação atual, segundo Olivier Blanchard, economista-chefe do Fundo Monetário Internacional – FMI (´Como sair da crise neste ano´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 02 jan. 2009, p. B4): 1ª) nos países avançados, o pior da crise provavelmente já passou, ou seja, os piores dias de congelamento dos mercados monetários e de ´spreads´ de risco obscenos provavelmente ficaram para trás; 2ª) infelizmente, a crise financeira se transferiu para países emergentes por conta das realocações de carteiras de investimento e da corrida para ativos mais seguros; além de custo mais altos para o crédito, os países emergentes sofrem adicionalmente com a redução da demanda por exportações, em face da queda de produção dos países avançados; e 3ª) as pessoas não só revisaram seus planos de gastos como em muitos casos postergaram compras à espera de mais esclarecimentos sobre a situação; em consequência, vem ocorrendo queda acentuada na produção e no emprego.

17. Os preços das casas nos EUA, medidos pelo índice de preços residenciais Standard & Poor´s/Case-Shiller, caíram mais de 40% em termos reais, em algumas das principais cidades do País, desde seu pico por volta do início de 2006. Em termos nacionais e incluindo todas as cidades, a queda é da ordem de 25%. Essa queda de preços tão severa tem resposta nos padrões menos severos dos financiamentos concedidos para a compra de casa. Depois do pico, as instituições financeiras adotaram critérios mais rigorosos para os financiamentos, observa Robert Shiller, professor de economia na Universidade Yale (´A grande implosão dos imóveis em 2008´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 03 jan. 2008, p. B6).

18. Em 2004, no auge do ´boom´ dos imóveis, James Surowiecki, por meio de livro ´The wisdom of crowds´ (´A sabedoria das multidões´), defendeu a ´teoria dos mercados eficientes´, segundo a qual o julgamento coletivo dos mercados financeiros, baseado em tão sublime aglutinação de informações, necessariamente transcende o de qualquer mortal (id.).

19. Sob a influência dessa idéia incorreta e, também, da crença da valorização dos imóveis e das ações no longo prazo, surgiu o ´boom´ da habitação entre 2003 e 2006, quando então houve a disposição das instituições financeiras em reduzir os seus padrões de crédito, a disposição das autoridades regulatórias em permitir esse afrouxamento, a disposição das agências de classificação de crédito de oferecer classificações elevadas para os títulos hipotecários e a disposição dos investidores em adquirir esses títulos (id.).

20. Nos EUA, o FED, para tentar reanimar a economia, reduziu os juros básicos de 1,00% ao ano para uma banda entre 0 e 0,25%, o menor patamar da história (Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 dez. 2008, p. B1).

21. Na China, o Banco do Povo cortou a taxa de juros em 0,27 ponto percentual, o quinto desde setembro. A taxa anual passou de 5,58% para 5,31% (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 dez. 2008, p. B7).

22. Na Índia, após quatro cortes a partir de out. de 2008, os juros foram reduzidos de 9% para 5,5% (Folha de S. Paulo, São Paulo, 03 jan. 2009, p. B4).

23. O Ibovespa encerrou 2008 aos 37.550 pontos. A maior pontuação ocorreu em 20 maio 2008: 73.516 pontos; a menor pontuação em 27 out. 2008: 29.435 pontos.

24. O dólar encerrou 2008 a R$ 2,33. O maior valor do dólar foi registrado em 04 dez. 2008: R$ 2,536; o menor valor (desde 1999) em 01 ago. 2008: R$ 1,559.

25. O Brasil encerrou 2008 com saldo de US$ 206,8 bilhões em reservas internacionais, ante US$ 180,3 bilhões em 2007.

26. O superávit da balança comercial do Brasil em 2008 fechou em US$ 24,7 bilhões, 38,2% abaixo de 2007, o menor resultado desde 2002. As exportações totalizaram US$ 197,9 bilhões, 23,2% acima de 2007, e as importações, US$ 173,2 bilhões, 43,6% acima de 2007.