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ARTIGOS



NOVO GIGANTE BRASILEIRO: ITAÚ-UNIBANCO

Um banco não se faz com capital. Ele é construído por homens e idéias. Esses dois elementos são o seu maior lastro´. Olavo Egydio Setubal (1923-2008)

O Itaú e Unibanco em 04 nov. 2008 anunciaram associação e daí surgirá o ´Itaú Unibanco Holding S.A., com controle compartilhado entre os dois grupos por meio da IU Participações.

2. O processo de negociação da fusão entre o Itaú e o Unibanco começou em agosto de 2007. Foram umas 15 a 20 reuniões ao longo de 15 meses envolvendo somente Roberto Setúbal e Pedro Moreira Salles. O mundo de hoje exige plataformas globais. O novo banco pretende partir para a internacionalização, a exemplo da AmBev, Votorantim, Gerdau, Odebrecht e Vale. O negócio é uma demonstração de oportunidade do mercado e de solidez do nosso sistema, conclui Pedro Moreira Salles, presidente do Unibanco, originário da Casa Bancária Moreira Salles, fundada em 1924 em Poços de Caldas, MG, por João Moreira Salles (Folha de S. Paulo, São Paulo, 04 nov. 2008, p. B4).

3. Num mundo cada vez mais globalizado, o poder de escala das empresas é fundamental, assim como sua capacidade de internacionalização. Esse o norte da associação entre o Itaú e o Unibanco. Muitas indústrias brasileiras já conseguiram dar o salto para o exterior, mas não existe uma única multinacional financeira brasileira, embora os bancos nacionais sejam tão bem administrados, afirma Pedro Moreira Salles (´Entrevista´. Veja, São Paulo: Abril, n. 2086, 12 nov. 2008, p. 17).

4. O Brasil certamente merece um banco de dimensão internacional, e o Itaú Unibanco Holding pode vir a ser esse banco. Esse o nosso grande sonho e motivação, confirma Roberto Setúbal, presidente do Itaú, originário do Banco Central de Crédito, fundado em 1943 por Alfredo Egydio de Sousa Aranha (id.).

5. A operação da venda do Real ao Santander criou um grande competidor global muito forte no mercado local e deflagrou a rodada de negociações para a associação entre o Itaú e o Unibanco, iniciada em agosto de 2007, ressalta Setúbal (id.).

6. Ter escala e ser reconhecido como líder e banco forte abre o acesso ao mercado internacional e faz a preferência dos clientes, avaliam Salles e Setúbal (id.).

7. Em valor de mercado, o Itaú Unibanco Holding será o 12º ou o 16º maior banco do mundo, dependendo da cotação diária das ações. Terá o maior índice de capitalização entre os trinta maiores bancos do mundo (15% de participação de capital próprio, ante 8% de participação mínima exigida), complementam eles (id.).

8. O Itaú Unibanco Holding poderá olhar para o mundo e identificar para onde faz sentido a presença de um banco brasileiro. Essa presença não deve limitar-se a atender às operações internacionais das empresas brasileiras, como já ocorre hoje, e sim de fato ter operações bancárias relevantes em alguns mercados externos. Esse novo modelo permitirá uma instituição maior, com mais acesso a fundos, explica Setúbal (id.).

9. Daqui para a frente, teremos a etapa da integração. Logo em seguida, vem a etapa da ida para o exterior, ou seja, começar a longa tarefa da construção de um banco global, assinala Roberto Setúbal (Folha de S. Paulo, São Paulo, 09 nov. 2008, p. B5).

10. A nossa plataforma financeira será equilibrada: 65% a 70% do negócio no varejo e o saldo no atacado. Esse equilíbrio permitirá ter distribuição de risco adequada, pulverização do crédito e da captação e capacidade de atendimento às grandes contas sem excesso de concentração, observa Moreira Salles (Valor, São Paulo, 10 nov. 2008, p. C12).

11. Seremos imbatíveis em talentos internos pela qualidade das pessoas e pelas equipes excelentes. A soma vai dar uma empresa imbatível, arremata Setúbal (id.).

12. O Banco Itaú Holding Financeira S.A. passará a denominar-se Itaú Unibanco Banco Múltiplo S.A. e terá de 10 a 14 membros na composição do Conselho de Administração e de 15 a 20 membros na composição da Diretoria, conforme Edital de Convocação de 12 nov. 2008 à Assembléia Geral Extraordinária de 28 nov. 2008 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 nov. 2008, p. C5).

13. O Itaú e Unibanco juntos apresentaram o 2º maior lucro entre os bancos das Américas, com base no 3º trimestre de 2008. O Wells Fargo, dos EUA, destaca-se em 1º lugar no ´ranking´, seguido do Itaú/Unibanco, 2º; Bank of America, 3º; Bradesco, 4º; e BB, 5º (Folha de S. Paulo, São Paulo, 18 nov. 2008, p. B4).

14. O Bradesco não pretende retomar a qualquer custo a liderança do setor bancário privado, perdida após o anúncio da fusão entre o Itaú e o Unibanco. Perdeu a liderança em ativos, mas o Bradesco mantém o primeiro lugar em depósitos à vista, poupança, pontos de atendimento e número de clientes, além de seguros e previdência. Não haverá corrida desenfreada por aquisições e, também, não há planos de internacionalização, diz Márcio Cypriano, presidente do Bradesco (Valor, São Paulo, 26 nov. 2008, p. C10).

15. A fusão Itaú-Unibanco é uma decisão positiva, avalia Henrique Meirelles, presidente do Banco Central do Brasil (Isto É Dinheiro. São Paulo: Três, n. 583, 03 dez. 2008, p. 30). Essa decisão mostra a consolidação do sistema financeiro brasileiro e sua maior capacitação para a competição internacional, complementa Meirelles.

16. Do ponto de vista teórico (prossegue Meirelles), se por um lado a diminuição do número de instituições parece sugerir menor grau de concorrência, por outro o aumento do número de instituições de grande capacidade competitiva reforça a própria concorrência. Vários países têm um nível de concentração bancário superior ao do Brasil, como Reino Unido, Canadá, França e Espanha, e exibem grau de competição mais intenso. Numa avaliação preliminar, instituições mais fortes podem aumentar a competição no Brasil.

O Banco Itaú, a instituição financeira mais internacionalizada, figura na 29ª posição no ´ranking´ das empresas brasileiras mais internacionalizadas. O Banco do Brasil ocupa a 40ª posição (Valor Especial – Multinacionais Brasileiras, nov. 2008).