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ARTIGOS



EDUCAÇÃO E CRESCIMENTO ECONÔMICO

Os avanços nas salas de aula têm peso decisivo para a evolução dos indicadores econômicos de um país. No caso brasileiro, se as notas dos estudantes subissem apenas 15% nas avaliações, o Brasil somaria, a cada ano, meio ponto percentual às suas taxas de crescimento. A qualidade da educação, e não a simples quantidade de alunos na escola, impulsiona a economia. Sempre localizado nas últimas colocações em ´rankings´ internacionais de ensino, as chances de o Brasil crescer em ritmo chinês e tornar-se mais competitivo no cenário internacional são mínimas, avalia Eric Hanushek, professor da Universidade Stanford e doutor em Economia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts – MIT (Veja, São Paulo: Abril, n. 2078, 17 set. 2008, p. 19).

2. A massificação do ensino, por si só, tem pouco efeito na economia. A influência da educação passa a ser decisiva apenas quando ela é de bom nível, de acordo com os dados matemáticos. O bom ensino eleva rapidamente o padrão da força de trabalho de um país.

3. A relação entre boa educação e desenvolvimento econômico é antiga, mas a qualidade do ensino nunca foi tão relevante para o crescimento dos países. Em sociedades altamente tecnológicas, a produtividade passou a depender ainda mais das habilidades desenvolvidas na escola. Os profissionais devem ser capazes de lidar com novas tecnologias e de solucionar problemas de alta complexidade. Quantos mais profissionais preparados para enfrentar tais questões, mais chances um país terá de avançar.

4. A excelência na sala de aula diz respeito, entre todos os fatores, à capacidade de os professores de despertar a curiosidade intelectual dos alunos e transmitir-lhes conhecimentos. É algo básico, mas frequentemente ignorado.

5. Os diretores de escolas raramente aplicam os critérios certos para rastrear bons profissionais. Os diretores valorizam tempo de experiência e cursos de especialização, quando esses são fatores sem nenhuma relação relevante com a qualidade das aulas. Os diretores resistem a aceitar essa idéia, mas as pesquisas não deixam dúvidas: os Ph.Ds não são necessariamente os melhores professores e muitas vezes figuram entre os piores. É fácil identificar os professores mais eficientes: eles, ao término de um período escolar, conseguem melhorar o desempenho de seus alunos em relação ao patamar do qual partiram no início.

6. Além de educação de bom nível, dois outros fatores têm impacto decisivo sobre o ritmo de crescimento de um país: o grau de abertura de sua economia e a segurança institucional, medida pela capacidade de garantir o direito à propriedade privada.

7. Historicamente, os EUA sempre estiveram muito à frente dos demais países nesses dois quesitos. Outro antigo diferencial dos EUA são as universidades. Elas ocupam o topo do ´ranking´ da excelência e há décadas funcionam como um poderoso motor para o progresso científico e tecnológico, de valor inestimável para a economia do país. Até agora, esse conjunto de fatores ajudou os EUA a compensar o desempenho medíocre dos estudantes no ensino básico, conclui Eric Hanushek.

8. O milagre do desenvolvimento está na constância e não nas arrancadas. O desenvolvimento sustentável depende de uma lista de exigências razoavelmente extensa, mas os pontos cruciais são: 1º) melhorar a qualidade do capital humano do trabalhador brasileiro; 2º) melhorar o clima de negócio, ou seja, tornar os procedimentos burocráticos mais simples e céleres; 3º) reduzir o fardo do Estado sobre a sociedade por meio de reforma fiscal; 4º) devolver às agências reguladoras seu papel de ordenar e fiscalizar os grandes setores de infra-estrutura, porquanto, sem mais segurança institucional, não conseguiremos reduzir o enorme diferencial de infra-estrutura entre o Brasil e os países do leste asiático. Carlos Eduardo Soares Gonçalves, doutor em Economia, professor de Economia da FEA-USP, autor de ´Economia sem truques´ (´Bom, mas efêmero´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 set. 2008, p. A3).