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ARTIGOS



RUMOS DA ECONOMIA

Os principais problemas do mundo no momento são os alimentos e a energia. O Brasil conjuga uma série de características virtuosas para enfrentar este momento, observa Dilma Rousseff, ministra-chefe da Casa Civil (´Entrevista´. Valor, São Paulo, 05 maio 2008, p. F3).

2. Não somos só o celeiro do mundo, mas também temos uma capacidade estarrecedora nessa área. Dispomos de reserva enorme de terras agricultáveis e de forte capacidade de produção do agronegócio, além de uma agricultura familiar extremamente produtiva. A China, a Índia e a África começaram a consumir mais alimentos e isso está pressionando os preços (id.).

3. No caso de energia ou combustíveis em geral, temos uma produção relativamente estável. Não somos exportadores de petróleo, mas também não somos mais importadores em grande escala. Temos uma balança de combustíveis muito flexível e a arte da segurança energética é ter capacidade de oferecer substitutos (id.).

4. Outras vantagens: o Brasil só aproveitou 27% de sua capacidade hídrica; possui reserva de urânio com capacidade de viabilizar um programa de energia nuclear de forma consistente; tem possibilidade de ter gás; e pode dar-se ao luxo de ter bioeletricidade (id.).

5. Não há risco de falta de energia nos próximos anos. Voltamos a investir em energia hidrelétrica, resolvemos parte do problema do gás e diversificamos a matriz energética. Dobramos a capacidade de transmissão de energia. Quando faltou energia no apagão de 2001, a capacidade de receber e enviar energia era de 2,5 mil megawatts médios. Tínhamos sobra de energia no Rio Grande do Sul, mas não conseguíamos transmiti-la para outras regiões (id.).

6. O Brasil tem crescimento sustentado. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF) cresce na frente, puxando violentamente a indústria (a FBCF está crescendo 2,5 vezes o PIB). A taxa de investimento está em torno de 19,5% do PIB. Deveria estar em torno de 23% do PIB, mas vamos chegar lá (id.).

7. Do ponto de vista da indústria, pode haver gargalos, mas não temos situação estrutural de desequilíbrio. São gargalos solucionáveis. Há, por exemplo, demanda pesadíssima por aço e cimento (id.).

8. O governo está alerta ao déficit do balanço de pagamentos. A inflação aleija, mas o câmbio mata, dizia Mário Henrique Simonsen. Ele tinha toda a razão. Haverá forte incentivo às exportações. Há algo muito importante na história do déficit: a qualidade de nossa importação. Temos de importar bens de capital para modernizar as nossas plantas industriais. Esses bens melhoram a qualidade da produção e das exportações e resolvem gargalos (id.).

9. A economia brasileira amadureceu condições de sustentação do crescimento ou, melhor, até de aceleração do crescimento. São elas: 1ª) a estabilidade cambial e a robustez externa; 2ª) a capacidade de manter a inflação sob controle; 3ª) a situação fiscal sob controle, com queda da relação ´dívida pública/PIB´; 4ª) setor privado saudável, com altas taxas de rentabilidade; e 5ª) aumento do crédito por parte do setor bancário e mercado de capital dinâmico. A combinação desses fatores, além de outros, resulta perspectiva positiva para a economia brasileira nos próximos anos, afirma Luciano Coutinho, presidente do BNDES (´Entrevista´. Valor, São Paulo, 05 maio 2008, p. F7).

10. Manter a inflação sob controle, manter o crescimento acelerado e manter a balança de pagamento em equilíbrio, essa trilogia sempre foi muito difícil para o Brasil alcançá-la. Estivemos desfrutando-a nos últimos anos. Preocupa no momento, no entanto, o ritmo de redução do superávit comercial e a manifestação de um déficit em conta corrente capaz de criar problema embaraçoso às vésperas da eleição de 2010, se tudo mais for mantido constante. Também estamos enfrentando a inflação dos alimentos (´commodities´), impulsionada pela força da demanda de países asiáticos e também por um crescimento muito limitado da oferta, alerta Edmar Bacha, consultor sênior do Banco Itaú BBA (´Entrevista´. Valor, São Paulo, 05 maio 2008, p. F9).

11. O aspecto mais importante do grau de investimento é possibilidade de financiamento mais confortável do balanço de pagamentos daqui para a frente. Retira uma incerteza de médio e longo prazos sobre o câmbio. Para 2008, estima-se déficit em transações correntes de US$ 23 bilhões ou 1,4% do PIB. A mudança de superávit para déficit foi muito rápida. Também não faz o menor sentido o Brasil, classificado como grau de investimento, manter durante muito tempo os juros reais elevados, atrás apenas da Turquia. Os juros futuros mais longos já estão caindo. O grau de investimento favorece, mas não determina um crescimento maior. A aceleração do crescimento depende da perseverança nas reformar, sem perder o sentido de urgência. Estimo em 4,8% o crescimento do PIB em 2008. Para 2009, 4,5%, conclui Octávio de Barros, diretor de estudos econômicos do Bradesco (Folha de S. Paulo, São Paulo, 04 maio 2008, p. B4).

12. Eu não daria grau de investimento para o Brasil, em face de sua situação fiscal: arrecada 40% do PIB em tributos e mantém gastos num ritmo de crescimento de 10% reais ao ano. Mas o viés das agências de risco é somente a capacidade de pagamento da dívida externa pelo País. As conseqüências do grau de investimento são benéficas: perspectivas de mais recursos externos e de queda dos juros dos títulos mais longos. Num primeiro momento, há a reavaliação dos mercados, avalia Luis Stuhlberger, da Hedging-Griffo, responsável pelo Verde, um dos maiores fundos de ´hedge´ do mundo (Valor, São Paulo, 05 maio 2008, p. D2).

13. Os produtos agrícolas durante 30 anos puxaram a inflação para baixo e, agora, estão puxando para cima, fenômeno no qual temos pouco a interferir porquanto não é nosso e pressiona o mundo inteiro. A inflação está aumentando em todos os países e pode ser explicada sob dois aspectos: um é o aumento da demanda; outro, a pressão de custos por causa do petróleo, cujo preço dobrou no mercado internacional. Em conseqüência, adubos e defensivos também dobraram o preço e ainda tem o custo do transporte, assinala Reinhold Stephanes, ministro da Agricultura (´Entrevista´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 06 maio 2008, p. B12).

14. Uma semana após ser classificado como grau de investimento pela S&P, o Tesouro do Brasil conseguiu colocar US$ 500 milhões em títulos (Global 2017) no mercado internacional com juros efetivos de 5,299% ao ano (1,4 ponto percentual acima dos títulos do Tesouro do EUA), a menor taxa já paga por um papel brasileiro. Em 05 abr. 2008, o Tesouro do Brasil lançou US$ 525 milhões com juros efetivos de 5,888% ao ano (Folha de S. Paulo, São Paulo, 08 maio 2008, p. B1).

15. A inflação de uma cesta de produtos primários está afetando o mundo todo. Chega também a China e a outras economias da Ásia. Produtos intermediários importantes como fertilizantes, aço e resinas estão refletindo o aumento continuado dos preços das ´commodities´. Em pouco tempo, esses preços mais elevados chegarão ao fim da cadeia produtiva e afetará os produtos finais, alerta Luiz Carlos Mendonça de Barros (´Do chuchu ao feijãozinho´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 09 maio 2008, p. B2).

16. O aumento dos preços dos alimentos, responsável por turbulências globais e políticas desde o ano passado, começou a demonstrar os primeiros sinais de estabilização. O índice de preços de alimentos, calculado pela Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), considerado a melhor taxa de medição para a inflação mundial dos produtos alimentícios, acusou em abril de 2008 o primeiro declínio em 15 meses (de 217 pontos em mar. para 216,7 pontos em abr. 2008). Nos últimos 12 meses, o índice acusa alta de 52% (Folha de S. Paulo, São Paulo, 15 maio 2008, p. B7).

17. O Brasil torna-se, a cada dia, um País mais seguro. Sua economia atravessa um período bastante positivo, fruto de um processo continuado de ajustes macroeconômicos, combinado com um cenário externo muito favorável, observou d. Yolanda Queiroz, presidente do Grupo Edson Queiroz, em seu discurso de 22 maio 2008, em Nova Iorque, por ocasião do recebimento do prêmio ´Personalidade do Ano´ outorgado pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos (Diário do Nordeste, Fortaleza, 23 maio 2008, p. 20).

18. A carne do frango, reconhecida à época como a âncora verde do Plano Real por sua grande contribuição para o combate à inflação, é um dos principais produtos do agronegócio brasileiro. A produção cresceu de 3,4 milhões para 10,2 milhões de toneladas (cerca de 200%), de 1994 para 2007. O Brasil é o maior exportador mundial (responsável por 40,5% das vendas no mercado externo, embora não seja o maior produtor (fica atrás dos EUA e da China). As exportações brasileiras (32% de nossa produção) destinam-se principalmente para a União Européia, Japão e Arábia Saudita. A demanda mundial vem crescendo a ritmo superior ao da produção, avalia Roberto Rodrigues, ex-ministro da Agricultura (´Frango, um ovo cheio de milho que voa´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 10 maio 2008, p. B2).