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ARTIGOS



BANCO MEDICI

O Banco Medici foi fundado em 1397, com sede em Florença e filial em Roma, por Giovanni di Bicci de Medici (1360-1429) e mais dois sócios. A instituição veio a ter várias outras filiais (Avignon, Basiléia, Bruges, Londres, Lyon, Milão, Nápoles, Pisa, Veneza e outras).

2. O banco entrou em colapso em 1494 com a invasão francesa a Florença, cidade-Estado, uma das cinco potências italianas.

3. Após a aposentadoria de Giovanni di Bicci, o banco foi dirigido por seu filho Cosimo de Medici (1389-1464), investido aos 31 anos, responsável pela construção do Palazzo Medici, em Florença.

4. Na sequência: a partir de 1464, por Piero di Cosimo de Medici (1416-1469), filho de Cosimo; a partir de 1469, por Lorenço de Medici, o Magnífico, investido aos 21 anos (1449-1492), filho de Piero di Cosimo; e, por fim, a partir de 1492 (completando cinco gerações), por Piero di Lorenzo de Medici (1472-1503), filho de Lorenço.

5. Vivendo sensatamente, sem alarde, Giovanni di Bicci garantiu a expansão inicial do banco.

6. Cosimo deu-lhe maior amplitude e lucratividade, mas quando morreu a instituição já havia iniciado um declínio do qual nunca se recuperaria. Entrou decisivamente na política. Foi amigo de filósofos, arquitetos e pintores, além de patrono das artes e benfeitor de grandes obras públicas.

7. Piero di Cosimo dirigiu os negócios por apenas cinco anos e deixou a fortuna mais ou menos intacta.

8. Lorenço de Medici, o Magnifíco, poeta, diversificou os investimentos além das finanças e do comércio, sem resultados. Exerceu o governo de Florença. O banco somente serviu para o financiamento de guerras e do consumo de mercadorias de luxo por uma aristocracia endividada. Será sempre perigosa a concessão de empréstimo a pessoas cuja reputação e posição não dependem do cumprimento de suas dívidas. A instituição financeira descambou para um declínio irreparável.

9. Piero di Lorenço, o último entre os cinco, teve apenas dois anos na condução dos negócios. A fortuna da família foi confiscada e o banco entrou em colapso.

10. Somente após catorze anos da invasão francesa de 1494, os Medici, agora montados no poder do Vaticano, regressaram a Florença e derrubaram a república.

11. Giovanni di Lourenço de Medici (1475-1521), filho de Piero di Lorenço e neto de Lorenço de Medici, cardeal aos 13 anos (1489), depois papa Leão X, enfrentou em seu pontificado a rebelião de Martinho Lutero.

12. Na época da fundação do banco, a usura era pecado (o Concílio de Latrão de 1179 negou enterro cristão aos usurários, decisão confirmada pelo Concílio de Lyon de 1724). A partir de 1437, os cristãos de Florença foram completamente proibidos de dedicar-se ao negócio da usura. O penhorista era considerado ´usurário manifesto´.

13. Quando a Igreja pedia dinheiro emprestado, o banco não podia cobrar juros sob o pretexto do pecado. Mas, no caso de depósito, havia sempre o interesse de ganho pelo bispo ou cardeal ou pelo próprio papa. A solução era o depósito discricionário (contratado com discrição e com previsão de dádiva ou doação, embora essa obrigação não fosse formalizada). Alguns teólogos não consideravam o arranjo como usura, mas outros sim, como o arcebispo Antônio de Florença (a doação era combinada e tratava-se de ´usura mental´).

14. A Inglaterra legalizou a usura após a reforma protestante.

15. Usura significa empréstimo de dinheiro a juros. Não tem nada a ver com taxas exorbitantes, como na acepção moderna.

Bibliografia: Parks, Tim. ´O banco Medici´. Rio de Janeiro: Record, 2008.