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ARTIGOS



DESAFIOS DA ECONOMIA BRASILEIRA

A economia brasileira enfrenta três desafios: 1º - elevação da capacidade de poupança e investimento para sustentar o crescimento por meio da criação de oferta suficiente; 2º - incorporação da capacidade de inovação; e 3º - melhoria da capacidade de planejamento, regulação e desenvolvimento institucional, isto é, pensar o médio e o longo prazo. O BNDES tem a importante tarefa de ajudar na sustentação do investimento, afirma seu presidente, Luciano Coutinho (´Entrevista´. Valor, São Paulo, 14 abr. 2008, p. A14).

2. O nível de uso da capacidade industrial está alto o suficiente para estimular o investimento e ampliar a oferta. Mas ainda está numa faixa confortável para não produzir estresse inflacionário. As pressões inflacionárias têm vindo mais de fatores externos e acidentalidade (ver opinião de Leo Abruzzese adiante). Os elementos internos de formação do preço não mostram excitação alarmante, observa Coutinho (id.).

3. Assustou a velocidade de deterioração da conta comercial. Não devemos permitir a expansão do déficit em conta corrente(*) em níveis de modo a indicar a retomada de acelerado processo de endividamento em moeda forte. Se ocorrer a retomada desse processo, será desfeita a robustez externa, alerta Coutinho (id.).

4. O populismo cambial do primeiro mandato de FHC provocou gravíssimo desajuste nas contas externas. A dívida externa líquida subiu de 17,3% do PIB em 1994 para 40,2% do PIB em 2002. No governo Lula, a dívida e a vulnerabilidade externas foram drasticamente reduzidas. As exportações saltaram de US$ 60 bilhões em 2002 para US$ 160 bilhões em 2007, enquanto o balanço de transações correntes passou de um déficit acumulado de US$ 187 bilhões, no governo anterior, para um superávit de US$ 47,1 bilhões, no governo atual. Em relação às finanças públicas, a relação dívida interna líquida/PIB caiu de 59,6% em 2002 para 42,8% em 2007. Quanto ao PIB, o governo atual mantém crescimento médio de 4,53% (2004-2007) contra 2,3% na era FHC. Na área social, o governo Lula diminui as desigualdades. A renda dos 50% mais pobres teve, nos últimos três anos, crescimento de 32% e 17 milhões de brasileiros deixaram a miséria, observa Aloizio Mercadante, senador (´Dizem, ainda´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 06 abr. 2008, p. A3).

5. No 1º trimestre de 2008, a importação deu um salto de vara (42%), contra mero salto de altura da exportação (14%). O saldo comercial trimestral caiu 67% (de US$ 8,7 bilhões, em 2007, para US$ 2,8 bilhões, em 2008). O saldo comercial de 2007 chegou a US$ 40 bilhões, enquanto o de 2008 deverá restringir-se a US$ 27 bilhões para o Banco Central ou US$ 10 bilhões para o Iedi. Em conseqüência, o déficit no balanço de transações correntes deverá chegar a US$ 12 bilhões em 2008, de acordo com o Banco Central. A situação vai ficar preta com iminente alta de juros e suas conseqüências: dólar despencando, saldo comercial encolhendo, déficit corrente engordando. A melhoria dos nossos fundamentos nos protegerá, dizem. Porém essa proteção se resume, no fundo, ao nível das reservas, originárias, por sua vez, do êxito do desempenho comercial, sem perspectiva de repetição. A inflação aleija, mas o câmbio mata, ensinou Mario Henrique Simonsen, citado por Rubens Ricupero (´Revogando as leis da economia´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 13 abr. 2008, p. B2).

6. As exportações cresceram 26% em 2007, enquanto as importações, 65%. A tendência de queda do superávit da balança comercial deve-se ao real sobrevalorizado. A sobrevalorização do câmbio retira a competitividade de nossos produtos. A queda dos juros ajudaria a diminuir essa sobrevalorização e, também, a reduzir os gastos do governo federal. O Brasil tem de deixar de ser tão atrativo à entrada do dólar especulativo a buscar somente os juros mais altos dos mundo, pondera Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) (´Entrevista´. Gazeta Mercantil, São Paulo, 16 abr. 2008, p. A6).

7. O aumento da inflação ora verificado nos países emergentes é provocado pela disparada dos preços das ´commodities´ devido ao crescimento da demanda dos países asiáticos. Mas, se a economia mundial (envolvendo a China e a Índia) entrar em desaceleração com a recessão nos EUA, as pressões inflacionárias serão arrefecidas, de acordo com a análise de Leo Abruzzese, diretor para as Américas da ´Economist Intelligence Unit´, braço de pesquisas do grupo responsável pela revista ´The Economist´ ´Entrevista´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 20 abr. 2008, p. B6).

8. O Brasil tem histórico de hiperinflação. Quando há alguma ameaça de alta de preços, o BC sobe os juros e manda a mensagem de estar atento à situação. Mas, se o Brasil deseja crescer num ritmo forte, o caminho tem de ser baixar os juros. Se a taxa permanecer alta, o País nunca vai realizar todo o seu potencial. Um aumento de 1,5% na taxa SELIC, até o final de 2008, é demais e poderá desaquecer a economia muito acima do desejado. O BC sabe da desaceleração prevista para a economia mundial, conclui Leo Abruzzese (id.).

9. A alta nos preços dos alimentos já se configura numa ´crise global´ e ameaça o crescimento e a segurança mundiais, disse Ban Ki-moon, secretário-geral das Nações Unidas (Folha de S. Paulo, São Paulo, 26 abr. 2008, p. B10).

10. Os preços do arroz praticamente triplicaram na Ásia somente em 2008. Aumento da demanda por parte de países em desenvolvimento, expansão do cultivo para biocombustíveis e enchentes e secas em países produtores estão entre as razões apontadas para o aumento dos preços dos alimentos (id.).

11. A crise atual no setor de alimentos abre grandes oportunidades para o Brasil. O País pode ser um dos principais fornecedores de alimentos e biocombustíveis, principalmente por deter a maior disponibilidade de terras agricultáveis do mundo (Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 abr. 2008, p. B4).

12. O único impacto real e comprovado dos biocombustíveis nos preços dos alimentos é o dos biocombustíveis dos EUA à base de milho. Desde o início, em 2007, provocaram um verdadeiro choque no México, quando o preço da tortilha aumentou cerca de 50%. A queima em motores de cereais ou oleaginosos é uma política insensata. Há uma diferença essencial em relação ao álcool brasileiro, porquanto produzido a partir da planta inteira (biomassa) e não a partir do grão, observa Bruno Parmentier, professor da Escola Superior de Agricultura de Angers, a mais importante do setor na França, e autor de ´Alimentar a humanidade´ (Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 abr. 2008, p. B5).

(*) Um dos principais indicadores de sustentabilidade externa da economia, a conta corrente do balanço de pagamento acusou, no 1º trimestre de 2008, saldo negativo de US$ 10,7 bilhões (muito próximo da previsão de US$ 12 bilhões para 2008), ante saldo positivo de US$ 241 milhões no 1º trimestre de 2007. A balança comercial explica 53% dessa virada rápida e intensa (Valor, São Paulo, 29 abr. 2008, p. C1).