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ARTIGOS



GERENCIAMENTO DE RISCO & CRISES

A crise financeira nos EUA só terminará quando os preços dos imóveis se estabilizarem. Há no momento cerca de 600 mil imóveis residenciais destinados à venda, em virtude da troca de moradia própria por aluguel, a partir da segunda metade 2006, incluindo os casos de execução hipotecária. Há ainda à venda mais de 200 mil unidades, concluídas pelas construtoras após o início da crise. Esse estoque excedente faz recuar rapidamente os preços dos imóveis. O nível de preços provavelmente se estabilizará com a redução desse estoque, mas tal momento está ainda a um número indeterminado de meses de distância. O mercado exige clareza na avaliação dos prejuízos, mas só teremos a clareza necessária após a estabilização de preços, avalia Alan Greenspan, ex-presidente do FED, 1987 - 2006 (´Jamais termos um modelo perfeito de risco´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 18 mar. 2008, p. B6).  
2. Os sistemas de administração de riscos deveriam proteger os bancos contra prejuízos de grande dimensão.  Mas a crise no mercado de hipotecas dos EUA está a determinar a diversos bancos grandes prejuízos imprevistos em transações com títulos de devedores ´subprime´. A administração de riscos jamais atingirá a perfeição. Ela sempre terminará por fracassar. Uma realidade perturbadora será exposta exigindo resposta descontínua, inesperada e intensa. Jamais seremos capazes de antecipar todas as descontinuidades nos mercados. Elas necessariamente representam surpresas (id.).
3. Na crise atual, como em crises anteriores, podemos aprender muito. E as futuras decisões econômicas serão influenciadas por essas lições. Mas não podemos esperar, de forma confiante, a antecipação de detalhes de futuras crises (id.).
4. Os modelos atuais, tanto de administração de riscos quanto de previsão econométrica, apesar da complexidade atingida, ainda assim são simples demais para capturar a ampla gama de variáveis da realidade econômica mundial (id.).
5. Esses modelos não capturam com exatidão as respostas humanas, em razão das quais há oscilação entre euforia e medo, a repetir-se de geração em geração, com poucos indícios de aprendizagem. As bolhas nos preços dos ativos se acumulam e explodem hoje como o fazem desde o começo do século XVIII, quando os mercados competitivos modernos começaram a evoluir. Tendemos a classificar essas respostas comportamentais como não-racionais. Mas as preocupações de quem realiza previsões não deveriam limitar-se à racionalidade ou não das respostas humanas e, sim, apenas tornar essas respostas passíveis de observação, de forma sistemática (id.).
6. Quaisquer reformas e ajustes à estrutura do mercado e sua regulamentação não devem inibir nossas mais confiáveis e efetivas salvaguardas contra os erros econômicos cumulativos: a flexibilidade do mercado e a livre competição, conclui Alan Greenspan (id.).
7. Toda crise financeira é diferente, mas há elementos comuns a todas: alavancagem, medo e falência. Em algum momento, quando os preços das ações despencam, em vez de mais pessoas apresentarem-se para comprar (ajudando a estabilizar a crise), mais pessoas querem vender (contribuindo para desestabilizar). Essa a dinâmica se instala nas crises, observa Lawrence Summers, ex-secretário do Tesouro dos EUA (governo Clinton) (Folha de S. Paulo, São Paulo, 19 mar. 2008, p. B5).
8. Introduzida pelos órgãos reguladores dos EUA em 1993 e, depois, incorporada às normas internacionais de contabilidade (“International Financial Reporting Standards - IFRS”), a marcação a valor de mercado de ativos e passivos (ou valor justo) tem sido criticada por causa da volatilidade provocada nos balanços (no Brasil, foi introduzida pelo Banco Central do Brasil por meio da Circular nº 3.068, 08 nov. 2001, aplicável a títulos e valores mobiliários) (Folha de S. Paulo, São Paulo, 20 mar. 2008, p. B3).
9. Na atual crise do mercado de hipotecas dos EUA, a regra da marcação vem sendo utilizada pelos bancos para explicar as enormes perdas registradas em seus balanços. Mas a marcação não tem culpa nesse cartório, defende Nelson Carvalho, presidente do Conselho Consultivo de Normas do ´International Accounting Standards Board - IASB´, entidade responsável pela elaboração das IFRS. É uma métrica muito superior à anterior, ou seja, ao custo histórico. Ela não introduz volatilidade, apenas mostra a volatilidade existente, complementa Nelson Carvalho (id.).
10. A marcação a mercado pode provocar o efeito de causação circular. A instituição comunica a posição ruim e aí fica cada vez pior. Numa situação contrária: a instituição não comunica uma transação significativa e distorce a percepção do investidor, ameaçado então por um risco não conhecido, explica Wagner de Aquino, da Superintendência de Normas Contábeis e de Auditora da CVM (id.).  
11. Os bancos, corretoras e fundos de ´hedge´ dos EUA deverão registrar US$ 460 bilhões em prejuízos com créditos decorrentes do colapso do mercado de crédito imobiliário de alto risco (DCI, São Paulo, 26 mar. 2008, p. A11).