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ARTIGOS



CRISE NOS MERCADOS FINANCEIROS

O cenário para 2008 é preocupante com a probabilidade de desaceleração da economia dos EUA (estimada de 50% para cima), a partir dos problemas da bolha imobiliária, motivada por um mercado imobiliário superaquecido (nos últimos 6 ou 7 anos, os preços dos imóveis subiram 60% em relação à renda do cidadão), fomentado por exageros do mercado de crédito. A reversão das tendências assusta e os preços dos ativos caem (os preços dos imóveis já caíram 5% e podem cair mais 20% ou 25%). Pessoas e empresas menos capitalizadas são obrigadas a liquidar posições e forçam ainda mais a queda dos preços. Os bancos centrais estão ampliando a provisão de liquidez. Mas um sistema bancário mais tímido parece inevitável. O quadro de crise e os prejuízos dos bancos com a reavaliação das carteiras imobiliárias manterão pressão baixista muito grande na oferta de crédito, incluindo o crédito para países emergentes, avalia Armínio Fraga (Entrevista. Valor, São Paulo, 18 dez. 2007, p. A16).

2. Se houver uma crise maior lá fora, o crescimento será mais baixo aqui, em conseqüência de dificuldades normais de um país situado num mundo em momento de desaceleração, de problemas cíclicos, conclui Armínio Fraga (id.).

3. O custo de captação médio dos bancos, medido pela taxa Libor, está muito acima do custo das taxas do Tesouro dos EUA. Para o período de um mês, está mais de 2% acima. Num prazo mais longo, de 2 anos, ainda está 0,90% acima, quando o normal é em torno de 0,30% (id.).

4. O Banco Central Europeu (BCE) anunciou a injeção de até US$ 500 bilhões no sistema bancário sob sua influência para enfrentar a crise internacional desencadeada no mercado habitacional (operações ´subprime´) dos EUA. O valor é quase a metade do PIB brasileiro e pode não resolver a crise, observa J. Carlos de Assis, economista (´O resgate bancário de US$ 500 bi na Europa´. Valor, São Paulo, 07 jan. 2008, p. A12).

5. Citigroup e Merrill Lynch receberam, para superar os problemas com as perdas no segmento ´subprime´ do mercado hipotecário, novo aporte de recursos, no valor de US$ 21 bilhões, proveniente na maior parte de fundos de governos estrangeiros (`Estrangeiros resgatam bancos dos EUA´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 16 jan. 2008, p. B3).

6. O Citigroup observou o aumento do calote em todas as áreas, além da imobiliária, e está, por prudência, cortando a concessão de cartão de crédito e de financiamento para carros. O FED tenta o aumento da liquidez, enquanto os bancos com prejuízos fazem o oposto. A restrição do crédito provoca a queda do consumo, observa Mirian Leitão (´Hora da razão´. Diário do Nordeste, Fortaleza, 17 jan. 2008, Negócios, p. 7).

7. O sistema de cálculo de risco do crédito não está funcionando e estamos sendo derrotados pelo excesso de otimismo, avalia Thomas Trebat. Ele trabalhou no Citi e hoje é professor da Universidade de Colúmbia. Distante do mercado, apesar de conhecê-lo, não está prisioneiro da tendência do mercado por excesso de otimismo, o chamado ´wishful thinking´ (mais desejo que razão) (´Hora da razão´. Diário do Nordeste, Fortaleza, 17 jan. 2008, Negócios, p. 7).

8. O presidente Bush anunciou os princípios do pacote contra a recessão nos EUA, em decorrência da crise no mercado de crédito por conta dos prejuízos com as operações no segmento ´subprime´ do mercado imobiliário. As medidas prevêem recursos de US$ 150 bilhões, 1% do PIB dos EUA, em redução de impostos e isenções fiscais (Folha de S. Paulo, São Paulo, 19 jan. 2008, p. A1).

9. Após uma das maiores derrocadas das bolsas na década (verificada nos pregões de 21 jan. 2008), o Federal Reserve (FED), nos EUA, reduziu em 22 jan. 2008 os juros básicos de 4,25% para 3,50% ao ano. A Bovespa reagiu com alta de 4,45%, ante a queda de 6,6% no dia anterior (21 jan. 2008) (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 jan. 2008, p. A1).

10. O corte nos juros (o maior desde 1984) considerou o enfraquecimento das perspectivas econômicas e os crescentes riscos quanto a crescimento insuficiente, segundo o FED. O crédito se tornou mais difícil para algumas empresas e domicílios, acrescentou a nota do FED (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 jan. 2008, p. B3).

11. A atual crise financeira, deflagrada pelo estouro da bolha no mercado habitacional dos EUA a partir das operações contratadas com tomadores com histórico de crédito inseguro, teve seu choque final quando o mercado de operações interbancárias, o coração do sistema financeiro, foi desestabilizado. Os bancos não podiam confiar em seus contrapartes, e os bancos centrais tiveram de injetar um montante sem precedentes de dinheiro no sistema. A expansão do crédito precisa agora ser seguida por um período de contração, porque alguns dos novos instrumentos e práticas creditícias são irresponsáveis e insustentáveis, avalia George Soros em seu artigo ´O furacão financeiro´, de 23 jan. 2008.

12. Os mercados financeiros não tendem ao equilíbrio. Visões tendenciosas e errôneas entre os participantes no mercado introduzem incerteza e imprevisibilidade, não apenas nos preços de mercado, mas também nos fundamentos desses preços. Deixados a seu bel-prazer, os mercados tendem a extremos de euforia e desespero. Devido a essa instabilidade potencial, os mercados financeiros não são deixados a seu bel-prazer. Ficam sob a responsabilidade de autoridades cuja missão é manter os excessos dentro de limites. Mas as autoridades também são humanas e sujeitas a visões tendenciosas e errôneas. A disposição de conceder financiamentos sem o nexo reflexivo com o valor das garantias foi a premissa errônea da atual crise no mercado habitacional dos EUA, observa George Soros (id.).

13. Os EUA vivem além de seus meios. Famílias e governo gastam muito a partir de amplo mercado de crédito, com baixas taxas reais de juros. Mas esse país, o maior produtor mundial (28% da produção mundial) e, também, o maior comprador e o maior devedor, enfrenta sérios problemas de confiança de investidores e de consumidores. A China é para alguns uma possível nova âncora mundial. Mas a economia chinesa ainda não chega a 18% do tamanho da dos EUA, responsáveis por mais de 30% das exportações do referido país asiático. Estamos todos num mesmo oceano revolto. O Brasil pode estar melhor preparado, mas deve ser afetado no caso de recessão nos EUA, conclui Márcio Holland, professor da Escola de Economia de São Paulo (FGV-EESP) (´A crise e a hipótese indefensável´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 26 jan. 2008, p. B2).

14. A participação dos EUA no PIB mundial é de 19,7%, com base em 2006, de acordo com o FMI. A participação da China é de 15,1%; da Zona do euro, 14,7%; da Índia e do Japão, 6,3%; do Reino Unido, 3,2%; e do Brasil e da Rússia, 2,6%. Do total das exportações brasileiras, 16% vão para os EUA (Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 jan. 2008, p. B3).

15. A normalização da liquidez interbancária já dá sinais. O diferencial entre a ´Libor` (taxa interbancária de Londres) e os ´treasuries´ (títulos do Tesouro dos EUA) subiu muito em agosto, mas já está próximo de um mínimo. Além da queda nos juros, o FED adotará outras ações no sentido de a desaceleração da economia dos EUA não ser exacerbada por uma diminuição da liquidez. As recessões por falta de crédito são muito mais prolongadas, avalia Sergio Werlang, ex-diretor do Banco Central do Brasil (Entrevista. Folha de S. Paulo, São Paulo, 27 jan. 2008, p. B5).

16. Uma conseqüência importante da crise das hipotecas foi um estrago na credibilidade das agências de ´rating´. Elas têm um papel-chave na engenharia do ´subprime´. As políticas de reconhecimento de perdas e a análise do risco de crédito também deverão mudar, observa Charles Calomiris, professor da Universidade Columbia, especialista em risco bancário (Entrevista. Folha de São Paulo, São Paulo, 27 jan. 2008, p. B5).

17. A crise internacional desencadeada pelo estouro da bolha das hipotecas de alto risco nos EUA deve levar ainda todo o ano de 2008 para ser digerida. A economia brasileira será afetada, mas apenas marginalmente. Afinal, o País está inserido no mundo e o preço das exportações sofrerá os efeitos da crise. Pode haver ainda reflexo no crédito. O impacto não será maior porque o Brasil está relativamente blindado a crises externas. Agora, a conta corrente, a parte fiscal e macroeconômica são favoráveis, assinala Roberto Setúbal, presidente do Banco Itaú (Valor, São Paulo, 28 jan. 2008, p. C6).

18. O Brasil vai sentir um arranhão com a crise externa, mas nada capaz de afetar o desempenho da economia. O PIB pode sofrer uma redução no ritmo de crescimento neste ano, em relação a 2007, mas mantendo expansão ainda elevada, em torno de 4,5%. Os juros não vão cair e devem encerrar o ano no atual patamar de 11,25% ao ano. A inflação deverá manter-se dentro da meta. O IPCA deverá fechar em 4,5% em 2008, conclui Márcio Cypriano, presidente do Bradesco (Diário do Nordeste, Fortaleza, 29 jan. 2008, Negócios, p. 8).

19. Os bancos brasileiros não aplicaram recursos no segmento ´subprime´ do mercado habitacional dos EUA e estão de fora da crise internacional. As taxas de risco do Brasil superam às dos papéis do ´subprime´, razão pela qual esses papéis não chegaram a entrar no Brasil. Lá fora, em razão do excesso de liquidez, os bancos precisavam de alternativa de aplicação para poderem remunerar a captação, de acordo com análise de Márcio Cypriano, presidente do Bradesco (Entrevista. Folha de S. Paulo, São Paulo, 03 fev. 2008, p. B3).

20. O índice de inadimplência das hipotecas ´subprime´ nos EUA é de 24% (atrasos e execuções), ante 4% das hipotecas ´prime´. O índice de todas as hipotecas é de 7,3%, o mais alto desde 1979, quando se iniciaram os registros (Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 fev. 2008, p. B8).