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ARTIGOS



CRESCIMENTO, REFORMAS E INTERNACIONALIZAÇÃO

O Brasil pode estar próximo a ingressar na rota do crescimento prolongado, com reflexos positivos para o emprego e a renda da população.

2.    A performance atual da economia só foi possível graças ao controle da inflação, à liberdade cambial e de preços e à política de contenção da dívida interna por meio dos superávits primários. Esses avanços, se quisermos a continuidade do circuito da prosperidade, precisam ser preservados e até aprimorados, principalmente a questão fiscal. Cabe a volta das discussões sobre as reformas necessárias, como, por exemplo, a trabalhista, a previdenciária e a tributária, adverte Márcio Cypriano, presidente do Bradesco (´Devemos perseverar no que está dando certo´. Gazeta Mercantil, São Paulo, 07 dez. 2007, p. A3).

3.    O mercado de capitais deslancha, porquanto, de um lado, temos boas empresas em busca de recursos para expansão ou novos projetos e, de outro lado, encontramos investidores interessados em ampliar a rentabilidade de suas aplicações e vêem nas ações uma alternativa viável. Ademais, as empresas brasileiras possuem contabilidade clara e o modelo de administração é ético e transparente. Esses fatos tornaram o mercado de bolsa brasileiro um excelente negócio (id.).

4.    Hiato de produto - Fala-se do câmbio supervalorizado, da carga tributária, dos gastos públicos, da alta taxa nominal dos juros, mas o Brasil, assim como em 1967/68, reúne as condições para a repetição do ´milagre brasileiro´, embora a 6% ou 8% ao ano, ao invés de 10% ou mais ao ano, avalia Antonio Carlos Lemgruber, economista, ex-presidente do BCB (´Brasil, macroeconomia e política´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 15 dez. 2007, p. B2).

5.    Explica o economista: após 25 anos de baixo crescimento efetivo, o ´hiato do produto´ é certamente enorme e há espaço para o Brasil crescer durante vários anos a taxas superiores a 4% anuais, sem provocar a aceleração da inflação. Graças aos automóveis e aos imóveis, entre outros, a economia poderá voltar a crescer na faixa de 7% a partir de 2008.

6.    Gargalos - A expansão das exportações brasileiras depende da solução dos gargalos logístico, burocrático e fiscal (o mais difícil). A privatização dos portos e das estradas de ligação com eles poderia dar destravada monstruosa no comércio exterior. Em Amsterdã, um ´contêiner´ é embarcado em quatro horas. No Brasil, leva três dias, e essa demora significa menos competitividade, observa Luiz Olavo Baptista, advogado de comércio internacional, recém-eleito presidente do Tribunal de Apelação da Organização Mundial de Comércio (OMC) (Veja, São Paulo: Abril, n. 2039, 19 dez. 2007, p. 11).

7.    Veículos - O Brasil passou a ocupar o 9º lugar no ´ranking´ da venda de veículos. O ´ranking´ é liderado pelos EUA, seguidos pela China, Japão, Alemanha, Reino Unido, Itália, Rússia e França. As vendas brasileiras em 2007 deverão atingir mais de 2,4 milhões de veículos e superar em 23,5% o recorde anterior, registrado em 1997. Em relação a 2006, as vendas estão crescendo no ritmo de 29%. São diversas as razões para esse fantástico crescimento, mas se destacam a redução das taxas de juros, balizadas pela taxa SELIC, e a oferta de crédito em condições mais favoráveis. Além disso, o Brasil é um país privilegiado por ter o mais bem sucedido programa de combustível renovável do mundo, o Proálcool, e a oferta dos veículos ´flex fuel´, já respondendo por 85% das vendas dos veículos para passageiros, tem sido um forte estímulo para troca de um veículo usado por um novo, observa José Carlos Pinheiro Neto, vice-presidente da General Motors do Brasil (Gazeta Mercantil, São Paulo, 14 dez. 2007, p. C2). O setor automotivo é responsável por 5% do PIB brasileiro e 18%do PIB industrial.

8.    Contas externas - O crescimento da economia e a valorização do real estão mudando a tendência de cinco anos nas contas externas e, pela primeira vez desde 2002, deverá haver déficit em 2008 no saldo das transações correntes, estimado em US$ 3,5 bilhões pelo BCB (previsão de superávit de US$ 2,4 bilhões em 2007). De nov. 2006 a nov. 2007, as importações cresceram 31% e as exportações, 17%, enquanto o saldo comercial baixou 12% (Folha de S. Paulo, São Paulo, 21 dez. 2007, p. A2).

9.    Inquietação - A contração do saldo comercial e a volta do déficit em conta corrente inquietam porque no momento, no mercado internacional, a liquidez míngua e a aversão ao risco cresce, alerta Rubens Ricupero (´Rumos desencontrados´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 dez. 2007, p. B2).

10.    A valorização do real em relação ao dólar diminuiu a rentabilidade dos exportadores ao menor patamar em duas décadas e já começa a afetar os embarques de produtos industrializados, como celulares, automóveis e motores de carros (Folha de S. Paulo, São Paulo, 25 dez. 2007, p. B1).

11.    Reformas - O Brasil precisa enfrentar com seriedade a questão da previdência (já consome 13% do PIB) e da redução do crescimento do gasto público, adverte Armínio Fraga (Entrevista. Valor, São Paulo, 18 dez. 2007, p. A16).

12.    Para um crescimento maior, o País tem de resolver as questões de infra-estrutura e investir mais na qualidade da educação. O País carece de ambiente legal regulatório mais favorável para atrair investimentos na  área de infra-estrutura (id.).

13.    Cenário para 2008 - O cenário para 2008 é preocupante com a probabilidade de desaceleração da economia dos EUA (estimada de 50% para cima), a partir dos problemas da bolha imobiliária, motivada por um mercado imobiliário superaquecido (nos últimos 6 ou 7 anos, os preços dos imóveis subiram 60% em relação à renda do cidadão), fomentado por exageros do mercado de crédito. A reversão das tendências assusta e os preços dos ativos caem (os preços dos imóveis já caíram 5% e podem cair mais 20% ou 25%). Pessoas e empresas menos capitalizadas são obrigadas a liquidar posições e forçam ainda mais a queda dos preços. Os bancos centrais estão ampliando a provisão de liquidez. Mas um sistema bancário mais tímido parece inevitável. O quadro de crise e os prejuízos dos bancos com a reavaliação das carteiras imobiliárias manterão pressão baixista muito grande na oferta de crédito, incluindo o crédito para países emergentes (id.).

14.    Se houver uma crise maior lá fora, o crescimento será mais baixo aqui, em conseqüência de dificuldades normais de um país situado num mundo em momento de desaceleração, de problemas cíclicos, conclui Armínio Fraga (id.).

15.    Inflação e gasto público - O Brasil tem problemas na educação e em infra-estrutura. Esses problemas devem ser atacados, mas nada é tão importante quanto o regime de metas de inflação. Esse instrumento permitiu ao Brasil transformar-se numa economia dinâmica. A estabilidade de preços traz muitos ganhos. O ciclo brasileiro de expansão será longo se o governo mantiver o regime de metas de inflação e se fizer mais para reduzir o gasto público, avalia Jim O´Neill, chefe da área de pesquisa da Goldman Sachs (Entrevista. Isto É Dinheiro, São Paulo: Três, n. 535, 26 dez. 2007, p. 16).

16.    Estabilidade - O Brasil investiu na consolidação da estabilidade com base no sistema de metas de inflação, no câmbio flutuante e na responsabilidade fiscal. Aproveitamos parte do momento favorável da economia internacional para consolidar os fundamentos da economia, acumulando valor confortável de reservas internacionais, invertendo a trajetória da relação ´dívida/PIB´ e ancorando firmemente as expectativas de inflação, assinala Henrique Meirelles, presidente do Banco Central do Brasil (´O desafio global´. Isto É Dinheiro, São Paulo: Três, n. 535, 26 dez. 2007, p. 35).

17.    A conquista do mercado internacional é agora um dos desafios a serem vencidos pelas empresas brasileiras para sobreviverem num mundo globalizado (id.).

18.    Internacionalização - A internacionalização cria condições competitivas para as empresas brasileiras poderem ampliar seu mercado de atuação quando a escala de produção no mercado interno alcança a estabilidade, assinala Jorge Gerdau Johannpeter (´Chance de ouro´. Isto É Dinheiro, São Paulo: Três, n. 535, 26 dez. 2007, p. 39).

19.    A internacionalização das empresas brasileiras é benéfica à economia. Além de render divisas, fortalece as empresas por meio da expansão de seus mercados, do aprimoramento de sua eficiência, da aprendizagem para competir melhor e da possibilidade de obtenção de recursos financeiros a taxas mais competitivas (id.).

20.    A elevada carga tributária, as altas taxas de juros, a falta de clareza nas regras do jogo são, entre outros, entraves a determinar a perda de competitividade das empresas brasileiras perante a concorrência global. Esses entraves também reduzem a atratividade do ambiente brasileiro de negócios para o capital privado, fundamental para gerar mais empregos e reduzir a desigualdade social. Para 2008, o grande desafio será avaliar nossas práticas e definir o Brasil desejado para os próximos 10-20 anos (id.).

21.    Lentidão - As reformas sempre caminham com muita lentidão no Brasil à falta de rupturas internas. Não houve ruptura na Independência e muito menos na proclamação da República. Na escravidão, embora o imperador fosse contra, o processo se foi arrastando até sermos o último país a promover a abolição, também concretizada de forma tranqüila. Com a falta de rupturas internas, o Brasil perde tempo e vai-se atrasando nas reformas necessárias. O País teve raros momentos com algo parecido com um processo de ruptura. Um deles foi a Revolução de 1930, quando o País começou a mexer-se e surgiu o Brasil moderno, baseado numa de política de industrialização, alicerçada na substituição de importações, analisa José Murilo de Carvalho, historiador (´Entrevista´. Veja, São Paulo: Abril, n. 2040, 26 dez. 2007, p. 11).

22.    Investimentos estrangeiros diretos (IED) - O Brasil foi o 2º maior investidor externo entre os países emergentes em 2006 (o 1º é Hong Kong), conforme estudo da Fundação Dom Cabral e pela Universidade de Colúmbia. As vinte principais múltis brasileiras têm US$ 56 bilhões de ativos no exterior (20% do total), geram 77,0 mil empregos no exterior (19% do total) e faturam US$ 30 bilhões no exterior (16% do total), com base em 2006. A lista é liderada pela Vale, seguida pela Petrobras, Gerdau, Embraer, Votorantim e CSN. A Gerdau lidera o ´ranking´ da transnacionalidade (participação de ativos, empregados e vendas externas no total de negócios). O índice de transnacionalidade da Gerdau é de 54%. Ainda é minúsculo o grau de inserção de capitais brasileiros, chinês, indiano e russo nas economias estrangeiras  (Folha de S. Paulo, São Paulo, 03 dez. 2007, p. B4).

23.    Competitividade - O Brasil é o 3º com mais empresas competitivas entre os países emergentes, de acordo com o Boston Group, consultoria norte-americana. Atrás da China (41) e da Índia (20), o Brasil tem 13 empresas no ´ranking´ das cem empresas mais competitivas entre países emergentes: Brasken, Vale, Coteminas, Embraer, Gerdau Steel, JBS-Friboi, Marcopolo, Natura, Perdião, Petrobras, Sadia, Votorantim e WEG. O México aparece na lista com 7 empresas; a Rússia, com 6; e Argentina e Chile, com apenas 1 (Folha de S. Paulo, São Paulo, 06 dez. 2007, p. B19).

24.    Movimento - Nos últimos cinco anos (a partir de out. 2002), a classe D/E encolheu de 46% do total da população para 26%, enquanto a classe C cresceu de 32% para 49% e a classe A/B, de 20% para 23%, de acordo com pesquisa Datafolha. No mesmo período, a classe recebeu cerca de 20 milhões e já soma hoje 125 milhões de pessoas com mais de 16 anos (Folha de São Paulo, São Paulo, 16 dez. 2007, p. B1).

25.    O movimento de ascensão da classe D/E deve continuar, muito apoiado na ampliação da oferta de crédito no comércio e no crescimento econômico, e a classe média agora deve começar a recuperar-se. Esse processo poderá dar novo ímpeto para a economia,  segundo Sérgio Vale, economista-chefe da MB Associados (id.).