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ARTIGOS



BRASIL MUDA DE PATAMAR

O Brasil muda de patamar. Antes, nos bons momentos, éramos vistos como um bom destino pelas multinacionais com presença consolidada no País e pelos investidores em papéis de renda fixa, em função das taxas de juros. Depois, numa primeira fase, os investidores começaram a migrar da renda fixa para aplicações de risco, como a bolsa de valores, em decorrência da queda real dos juros. Agora, numa surpreendente velocidade, estão chegando os ´private equity´ com investimento direto em participações minoritárias de empresas grandes, médias ou pequenas.

2. A presença dos ´private equity´ transmite algumas mensagens básicas: a) estabilidade e previsibilidade; b) tendência de crescimento; e c) institucionalidade (o investidor aposta em tratamento correto pelo acionista controlador).

3. Anos atrás, quando eu falava para investidores no exterior, estavam lá especialistas em renda fixa. Hoje, só aparecem os ´private equity´.

4. A China e a Índia continuarão a exercer grande atração, mas o Brasil é a nova descoberta e tem algumas vantagens competitivas, como, por exemplo, independência do Judiciário, mercado de capitais mais desenvolvido e democracia consolidada.

5. O desafio do Brasil agora é outro. O apetite dos investidores está muito grande e está faltando projeto. O jogo está com os empresários. O grande capital ora em busca de retorno não irá saciar seu apetite em empresas consolidadas, mas sim em companhias pequenas, de grande potencial, avalia Henrique Meirelles, presidente do Banco Central do Brasil, eleito ´Banqueiro central do ano´ pela revista Euromoney (Isto É Dinheiro. São Paulo: Três, n. 527, 31 out. 2007, p. 20).

6. Depois de anos de estagnação e baixo crescimento, a América Latina começa finalmente a deslanchar com as maiores taxas de expansão desde os anos 1970. As taxas de 2007 devem ficar em torno de 5%. O Brasil e o México são os destaques, enquanto a Argentina (comprometida com o maquiamento da inflação) e a Venezuela são as exceções O Brasil vai muito bem e o ritmo de crescimento deve ser mantido, avalia Alan Greenspan, ex-presidente do Federal Reserve (FED), EUA (Valor, São Paulo, 01 nov. 2007, p. C12).

7. O Brasil está apresentando suas credenciais para receber investimentos. E quem já colocou bastante recursos na China e na Índia agora quer diversificar. Muitos investidores já perderam bastante dinheiro na América Latina, principalmente na Argentina. Agora, eles começam a prestar mais atenção nas diferenças entre o Brasil e os demais países da região. As áreas mais atraentes do Brasil são setores nos quais há carências históricas, como os de educação, saúde e infra-estrutura, ou setores nos quais o País tem claras vantagens em comparação com os demais, como o de recursos naturais. Há ainda os serviços financeiros e o consumo. Estamos vendo a emergência de uma camada considerável da população com capacidade para poupar e consumir. O Brasil tem um mercado financeiro bastante maduro e há abundância de profissionais em áreas como bancos de investimento, advocacia e auditoria, observa Paul Fletcher, presidente do Actis, fundo de ´private equity´ britânico, com US$ 4 bilhões de investimentos ao redor do mundo (Exame. São Paulo: Abril, n. 905, 07 nov. 2007, p. 162).

8. O Brasil é um dos três países emergentes mais atraentes do mundo, diz David Rubenstein, fundador do Carlyle, o maior fundo de ´private equity´ do planeta, administrador de recursos da ordem de US$ 75,6 bilhões. O Carlyle já contratou equipe de profissionais para caçar empresas brasileiras de todos os tamanhos. Segundo Rubenstein, o Carlyle fará de tudo um pouco no Brasil: compras de empresas inteiras, aquisição de participações minoritárias e privatizações. ´Quero ter uma presença sólida no Brasil antes que meus concorrentes façam o mesmo´ (os cinco maiores são: Carlyle, KKR, Goldman Sachs, Blackstone e TPG), concluiu Rubenstein (Exame, São Paulo: Abril, n. 906, 21 nov. 2007, p. 28).