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ARTIGOS



TEORIA DO CISNE NEGRO

Antes de a Austrália ser descoberta, todos os cisnes do mundo eram brancos. A Austrália, onde existe o cisne negro (´cygnues atratus´), mostrou a possibilidade de uma exceção escondida de nós, da qual não tínhamos a menor idéia.

2. O meu cisne negro não é um pássaro, mas um evento com três características: 1ª) altamente inesperado; 2ª) tem grande impacto; e 3ª) depois de acontecer, procuramos dar uma explicação para fazê-lo parecer o menos aleatório e o mais previsível.

3. O cisne negro explica quase tudo no mundo, como a Primeira Grande Guerra. Era imprevisível, mas, depois de sua ocorrência, as suas causas pareceram óbvias para as pessoas. O mesmo aconteceu com a Segunda Grande Guerra. Esses fatos provam a incapacidade de a humanidade prever grandes eventos.

4. Mais recentemente, a internet é um cisne negro. Surgida como ferramenta de comunicação militar, ela transformou o mundo de maneira muito rápida. Ninguém imaginava essa possibilidade.

5. As descobertas causadoras de forte impacto na humanidade foram acidentes de percurso, ou seja, os cientistas estavam procurando uma outra coisa, como no caso do ´laser´, criado para ser um tipo de radar e não para ser usado em cirurgia nos olhos.

6. Ninguém poderá saber quando um cisne negro irá surgir, mas o fundamental é a pessoa não levar tão a sério o seu planejamento de vida. As coisas podem mudar quando a pessoa menos espera. O ´stress test´, um dos modelos de gerenciamento de risco, avalia o impacto já ocorrido e não o impacto a ocorrer. As variáveis utilizadas são tiradas do passado.

7. O grau de aleatoriedade depende do observador. A aleatoriedade é a compreensão ou a informação incompleta. Eventos como o 11 de Setembro de 2001, em Nova Iorque, não são aleatórios. Na verdade, terroristas planejaram e tinham conhecimento do 11 de Setembro.

8. A previsão de eventos sócio-econômicos é muito difícil. O histórico das previsões é lixo. O ´risk management´ (gestão de risco) é lixo. A tentativa de determinar causa e efeito dos fatos é continuamente obstruída por fenômenos imprevisíveis. As pessoas do mundo das finanças têm a ilusão de poder prever os fatos, porém elas não conseguem justificar suas previsões.

9. A indicação de ações para compra é postura de charlatões. Não são charlatões aqueles a recomendar o que não fazer no mercado, ao invés de dizer o que fazer. As pessoas podem fazer muitas coisas se souberem o que não fazer. Se as pessoas evitarem as técnicas mirabolantes, não vão depender das previsões do mercado.

10. As pessoas não devem depender dos ´measures of risk´, indicadores destinados a medir o risco. O importante é garantir ´portfólio´ estruturado de maneira a não ter ´downside risk´ (potencial de perdas) ou ´upside exposure´ (potencial de ganho), porquanto assim as pessoas poderão ganhar muito dinheiro se encontrarem um cisne negro.

11. As pessoas não devem sair à caça do cisne negro, mas, uma vez apareça, devem estar com sua exposição maximizada para ele. As pessoas devem acreditar na possibilidade de o mais inusitado acontecer. Tanto do lado positivo quanto do lado negativo.

12. O cisne negro é o risco dos grandes eventos, positivos ou negativos. Algumas coisas podem ser voláteis, mas não são um cisne negro necessariamente.

Entrevista com Nassim Nicholas Taleb, americano, autor de ´O cisne negro: o impacto do altamente improvável´ (´Black swan: the impact of the highly improbable´), há cinco semanas na lista dos livros mais vendidos do jornal ´The New York Times´ (Valor, São Paulo, 04 jun. 2007, p. F14).

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Embora criada juntamente com a Ásia, com a África e com a Europa, a América, porque esteve tanto tempo oculta, é chamada Mundo Novo: novo para nós, ditos sábios, mas para aqueles bárbaros, seus habitadores, velho e mui antigo, comenta padre Antônio Vieira (´História do futuro´. Brasília: Ed. Universidade de Brasília, 2005, p. 272).