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ARTIGOS



RIQUISTÃO

O Riquistão (Riquistan, em inglês) é um país imaginário dentro dos EUA, formado por 10 milhões de famílias, responsáveis por um movimento de US$ 17 trilhões ou 30% mais do valor do PIB dos EUA (o PIB dos EUA é de US$ 13,2 trilhões, enquanto o do Brasil é de US$ 967 bilhões).

O Riquistão está dividido em quatro níveis, segundo a riqueza acumulada: 1) baixo Riquistão, as pessoas entre US$ 1 milhão e US$ 10 milhões (75% da população); 2) médio Riquistão, as pessoas entre US$ 10 milhões e US$ 100 milhões (1,4 milhão das famílias); e 3) alto Riquistão, as pessoas entre US$ 100 milhões e US$ 1 bilhão (na casa dos milhares); e 4) ´billionaireville´ (cerca de mil pessoas).

No período de 1995 a 2004, nunca antes na história tantos americanos ficaram tão ricos rapidamente. O motivo desse fenômeno é a combinação de três grandes eventos econômicos: 1) crescimento da tecnologia da informação; 2) globalização, responsável pela criação de grandes mercados; e 3) expansão dos mercados financeiros. Esse trio criou uma economia do tipo ´o vencedor-leva-tudo´, na qual as pessoas e os empresários ganham dinheiro em níveis recordes.

O comportamento das pessoas (atitude, tipo de investimento, filantropia, família, etc.) muda de acordo com o nível de riqueza. As três forças (globalização, tecnologia e expansão financeira) só aceleram as desigualdades. Veremos cada vez mais bilionários nos EUA e no resto do mundo.

O riquistanês tem termos próprios, como iate-fantasma (´shadowboat´), o barco para acompanhar o iate apenas com acessórios; gerente-do-lar (´house-hold manager´), eufemismo moderno para o moderno; luxo de massa (´mass luxury´) versus ´hiperluxo (´hyperluxury´), diferença, por exemplo, entre os automóveis Jaguar e Mercedes e, de outro lado, os Bentley e Maybach (reservados às pessoas do alto Riquistão); empreendedor instantâneo (´instapreneur´), pessoa capaz de iniciar uma empresa e, em pouco tempo, atrair a atenção de investidores e do público para, em seguida, vender essa empresa; evento de liquidez (´liquidity event´), a porta de entrada para o Riquistão, viabilizada por altos salários ou por herança, mas principalmente pela compra de uma empresa e sua venda por várias vezes o preço pago.

A filha de um riquistanês, cansada dos jatos particulares, solicitou ao pai de aniversário ´uma viagem num avião de verdade, daqueles grandes, com pessoas estranhas e saindo de um aeroporto cheio de gente´. Os mais ricos do Riquistão estão começando a comprar jatos comerciais usados e a transformá-los em mansões flutuantes com camas ´king size´ e banheiras jacuzzi.

O Riquistão foi fundado por Robert Frank, criador do termo, colunista de ´Wall Street Journal´, autor de ´Richistan – a journey through the american wealth boom and the lives of the new rich´ (Riquistão – uma viagem pelo ´boom´ de riqueza americano e as vidas dos novos ricos), EUA: Crown (Folha de S. Paulo, São Paulo, 17 jun. 2007, p. B9 e B11).

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O Brasil é o 14º lugar no ´ranking´ dos países com mais milionários, com base em 2005 (18º lugar em 2000), de acordo com ´The Boston Consulting Group (BGG)`. Os especialistas entrevistaram 150 gestores de fortunas em 62 países. O Brasil tem 130 mil milionários e cada um possui pelo menos US$ 1 milhão em investimentos no mercado local ou no exterior. A fortuna conjunta é de US$ 573 bilhões, mais da metade do PIB nacional. O Brasil deixou para trás a Índia e a Rússia e só perde para a China (Folha de S. Paulo, São Paulo, 15 jul. 2007, p. B1). O Brasil tem 18.541 milionários em 2003, segundo a Receita Federal (id., p. B3).