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ARTIGOS



O CONHECIMENTO

O primeiro grau de conhecimento é o conhecimento vulgar, adquirido à medida das circunstâncias (casual), e o segundo grau do conhecimento é conhecimento científico, adquirido por conhecimento metódico (causal).

A ciência moderna surgiu no início do século XVII. Formulador de método científico, baseado na indução e na dedução, Francis Bacon (1561-1626) foi um dos primeiros a distinguir o conhecimento científico e outros tipos de conhecimento. Autor da frase "conhecimento é poder", defendeu o método científico e o uso do conhecimento para aumentar os bens do homem.

Outro grande pensador da fase inicial da ciência moderna foi Thomas Hobbes, 1588-1679, fundador do moderno materialismo. Influenciado por Galileu, Hobbes destaca-se como o primeiro filósofo a propor uma teoria totalmente mecanicista da natureza.

A Lógica é a ciência positiva dos signos, das formas e do processo do conhecimento. A Metodologia é o estudo dos diversos processos disciplinadores da pesquisa do real.

Origem

O homem (sujeito) adquire o conhecimento (objeto) pela razão, pois os fatos, por si sós, não são fonte de todos os conhecimentos, de acordo com os doutrinadores do racionalismo (René Descartes, 1596-1650, Baruch Spinoza, 1632-1677, Gottfried Leibniz, 1646-1716).

O homem adquire o conhecimento pela ordem dos fatos, ou a observação sensível ou a experiência sensorial, de acordo com os doutrinadores do empirismo (John Locke, 1632-1704, considerado a primeira mente moderna, George Berkeley, 1685-1753, David Hume, 1711-1776, Burke, 1729-1797).

"O conhecimento de nenhum homem aqui pode ir além de sua experiência", afirmou Locke, fundador do empirismo, iniciador da teoria do conhecimento.

O homem adquire o conhecimento pelo método crítico, de acordo com os doutrinadores do criticismo (Immanuel Kant, 1724-1804). No criticismo, o racionalismo e o empirismo se encontram.

O conhecimento empírico ou experiência sensível revela-se pela sensação ou pela percepção, ensinam alguns doutrinadores.

O racionalismo utiliza principalmente o método dedutivo, e o empirismo, o método indutivo.

A razão pode ser objetiva (o objeto do conhecimento ou a realidade é racional em si mesma) ou subjetiva (o sujeito do conhecimento e da ação é racional, e a razão é uma capacidade intelectual e moral do homem), ilustram alguns filosófos.

Essência

O homem conhece a "coisa", reconhecida como independente da consciência, dizem os doutrinadores do realismo (Aristóteles, Descartes, Hobbes); ou o homem só conhece a representação da "coisa" ou as idéias, afirmam os doutrinadores do idealismo (Locke, Berkeley, Hume, Hegel) ou, ainda, o homem só conhece os fenômenos ou os fatos suscetíveis de serem percebidos, opinam os doutrinadores do fenomenalismo (Kant, Spencer, Comte).

O realista conhece, e o idealista pensa. O empirismo é uma forma de idealismo.

O realismo afirma a existência da razão objetiva (a realidade é racional em si mesma, e só podemos conhecê-la por sermos racionais), e o idealismo afirma a existência da razão subjetiva (a realidade só podemos conhecê-la por meio das idéias de nossa razão).

Segundo Kant, o espaço e o tempo são independentes de nossa sensibilidade (realismo transcendental). O realismo empírico significa admitir a realidade exterior das coisas

Formas

O homem adquire o conhecimento de forma imediata ou de forma mediata.

A intuição (sensível) é processo de aquisição do conhecimento de forma imediata, e a intuição pode ser racional, emocional e volitiva, pois o homem pensa, sente e age. A estrutura do objeto do conhecimento pode ter aspecto de essência, de existência e valor, e a intuição pode ser "intuição de essência" (racional), "intuição de existência" (volitiva) e "intuição de valor" (emocional).

A analogia, a indução e a dedução são processos de aquisição do conhecimento de forma mediata.

A dedução e a indução permitem a aquisição de conhecimentos novos por meio de conhecimentos já adquiridos. São procedimentos racionais também conhecidos como inferência.

A abdução é uma terceira modalidade de inferência: busca uma conclusão pela interpretação racional de sinais, de indícios, de signos (conclusão dos detetives, a intuição do artista).

A indução (dos casos particulares para a lei geral) e a abdução são procedimentos empregados para a aquisição de novos conhecimentos, e a dedução (da lei geral para os casos particulares) é empregada para verificar ou comprovar a verdade de um conhecimento já adquirido.

O homem também pode adquirir conhecimento pelo método crítico-transcendental (kant), dialético (Hegel) e histórico-axiológico.

Possibilidade

O homem tem a possibilidade de atingir, com certeza e sem limites, a verdade, dizem os doutrinadores do dogmatismo (Hegel); ou o homem tem uma atitude dubitativa ou de incerteza diante do conhecimento, afirmam os doutrinadores do ceticismo (Descartes)

O homem pode atingir o conhecimento de forma parcial, ensinam os doutrinadores do relativismo.

O relativismo assume várias formas: relativismo criticista (Kant), o positivismo (Comte), o convencionalismo gnoseológico (Ernst Mach, Avenarius e Poincaré) e o pragmatismo (Peirce, William James, John Dewey, Schiller).

Adquirimos nosso conhecimento não como expectadores, mas como participantes (pela ação), e buscamos o conhecimento como o mais importante instrumento na luta pela sobrevivência, observou Peirce (1839-1914). O conhecimento científico, disse ele, não é um corpo de certezas, mas um corpo de explicações, válidas enquanto funcionarem (o pragmatismo como teoria do significado).

James tratou o pragmatismo como uma teoria da verdade: uma proposição é verdadeira se atender a todas as exigências.

"Quanto mais interações observamos, melhor conheceremos o objetivo em questão", disse Dewey (1859-1952), pregador do "aprender fazendo". Considerava o saber de todo tipo como uma atividade humana.

Objetos do conhecimento

A Gnoseologia (origem do conhecimento, essência, formas, possibilidade) estuda o conhecimento pelo enfoque ao sujeito (conhece), ou as condições subjetivas.

A Ontologia estuda o conhecimento pelo enfoque ao objeto (algo conhecido, sujeito de um juízo), ou as condições objetivas.

A Gnoseologia e a Ontologia formam a Ontognoseologia, parte da Teoria do Conhecimento (gira em torno da relação sujeito-objeto), uma das três principais tarefas da Filosofia (Teoria do Conhecimento, Teoria dos Valores e Metafísica), ensina Miguel Reale.

Os objetos do conhecimento podem ser naturais e ideais (atemporais e a-espacias: nem no tempo, nem no espaço), e os naturais se subdividem em físicos (com espacialidade e temporalidade, sujeitos às leis causais) e os psíquicos (somente temporalidade: emoções, paixões, instintos, inclinações, desejos).

Valores

Os "valores" podem incluir-se entre os objetos ideais ou, para alguns, como Miguel Reale, podem constituir uma terceira esfera de objeto, e criam a distinção entre "juízos de realidade" e "juízos de valor". Os objetos ideais, estudados pelos matemáticos, lógicos e juristas (a norma), são quantificáveis, mas os valores não podem ser mensurados.

O valor pode ser explicado de modo subjetivo (prazer e desejo) e de modo objetivo (a interpretação sociológica, a ontológica e a histórico-cultural).