Digite a palavra-chave

A busca é efetuada em todas as páginas do site e abrange todo o seu conteúdo.
Página principal




ARTIGOS



JUROS, PREVISIBILIDADE E NOVOS HORIZONTES

Os juros dos bônus em reais emitidos pelo Tesouro brasileiro, com vencimento em jan. 2016, situaram-se em 9,90% ao ano no mercado internacional.

Esse preço de mercado é um indicador claro das mudanças verificadas na economia brasileira.

Estamos vivendo a conjugação de três fatos realmente extraordinários, nunca ocorridos pelo menos nos últimos 40 anos: (1) um título denominado em nossa moeda, sem nenhuma proteção contra inflação e flutuação da taxa de câmbio, é (2) negociado no mercado internacional (3) com juros de apenas um dígito.

Essa inusitada situação determinará reflexos positivos para nossa economia e para a vida dos brasileiros, tais como:

1) ampliação dos horizontes da atividade econômica, em face de uma curva de juros de longo prazo, denominada em moeda nacional e sem nenhuma proteção contra inflação e flutuação da taxa de câmbio; a taxa interna de retorno dos investimentos deve-se equilibrar em algo próximo a 12% ao ano, nas novas condições do mercado, e liberará novos investimentos na economia;

2) viabilização de novos mecanismos de divisão e pulverização de riscos por meio do mercado financeiro futuro, capazes de permitir uma redução importante da intensidade das crises em momentos de turbulência; a partir de um estrutura a termo de taxas de juros mais consistente, uma série de derivativos financeiros irá desenvolver-se e a eficiência da economia brasileira terá um aumento significativo via um mercado financeiro mais sólido;

3) aumento da oferta de crédito de prazos mais longos via instituições financeiras privadas e mercado de capitais; e

4) migração de recursos para investimentos em ações e outros instrumentos do mercado de capitais, em decorrência convergência dos juros para o nível das taxas internacionais.

Além desses ganhos, uma estrutura a termo de taxas de juros via mercado cria uma camisa-de-força para a condução da política econômica, a permanecer refém da racionalidade embutida na construção da curva de juros. O risco de aventuras populistas fica muito reduzido, diante da pena a ser imposta pelo mercado por qualquer desvio significativo no comportamento dos juros.

Luiz Carlos Mendonça de Barros (economista-chefe da Quest Investimentos) in ´Brasil: ainda as mudanças na economia´ (Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 mar. 2007, p. B2).

***

O cenário de previsibilidade na economia no Brasil aumentou de forma significativa, principalmente como resultado da combinação de dois fatores: 1) a robustez das contas externas, a garantirem fluxo abundante de dólares para o País e a contribuírem para maior estabilidade do câmbio; e 2) a condução firme da política monetária, por meio da qual se conseguiu reduzir os índices de preços e controlar as expectativas de inflação. A inflação continuará em nível baixo e com pouca volatilidade, por bom tempo. Nesse cenário, cresce significativamente a segurança de empresários e consumidores para tomarem decisões de longo prazo. Um sinal importante do aumento da previsibilidade ocorreu em janeiro, quando o Tesouro conseguiu vender R$ 267,5 milhões em títulos prefixados de dez anos, com juros de 12,47% ao ano, o papel mais longo já emitido pelo Tesouro no mercado doméstico com taxas pré-determinadas até o vencimento. Com o aumento da previsibilidade proporcionado pela redução da incerteza inflacionária, alongam-se os horizontes de planejamento e criam-se as condições para o investimento, a melhoria da produtividade e a ampliação da capacidade produtiva, diz Rodrigo Azevedo, diretor de Política Monetária do BCB (Lamucci, Sergio. ´Horizontes enfim claros e constantes´. Valor, São Paulo, 09 mar. 2007, suplemento ´Eu & fim de semana´, p. 8).

***

Para integrar-se de vez ao fluxo internacional de capitais, o Brasil precisa: 1) tornar-se uma sociedade com inflação baixa numa perspectiva de longo prazo; e 2) dar mais segurança aos investidores mediante a adequação de leis e regulamentos, bem como evidenciar características de comportamento de governo, segundo a opinião de Jim O´Neill, chefe do Departamento de Pesquisas Econômicas Globais do Goldman Sachs, dos EUA, criador da sigla BRIC. Para manter-se no BRIC, o Brasil, segundo O´Neill, precisa crescer entre 3% e 3,5% ao ano pelas próximas décadas. Se isso acontecer nas próximas quatro décadas, o País será a sexta maior economia do mundo (Veja, São Paulo, n. 1999, 14 mar. 2007, p. 11).