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ARTIGOS



GEORGE SOROS, INVESTIDOR

Quando me tornei administrador de fundos hedge (´Quantum Fund´), especializei-me em situações ´distantes do equilíbrio´ nos mercados financeiros. Fiz minha fortuna compreendendo-as melhor que a maioria dos outros participantes do mercado, revela George Soros, investidor, autor de `A era da insegurança´ , São Paulo: Campus/Elsevier, 2007 (Valor, São Paulo, 23 mar. 2007, suplemento Eu & Fim de Semana, p. 4).

A análise de Soros a respeito do funcionamento da economia contrasta com a teoria econômica tradicional, baseada na premissa do comportamento racional, ou seja, a mão invisível do mercado determina o preço do equilíbrio dos ativos, proposição defendida pelos fundamentalistas do mercado, adeptos da crença no ´laissez-faire´. Para Soros, o comportamento racional é uma absoluta fantasia, alimentada por acadêmicos com a ambição de transformar a economia numa ciência exata. O comportamento racional é apenas uma condição ideal para eliminar conseqüências imprevisíveis. No mundo real, vive-se a léguas de distância desse cenário idealizado. Sua característica é oferecer alternativas aos participantes, mas os participantes não têm a virtude do conhecimento perfeito. O preço do equilíbrio nem sempre pode ser determinado no mercado financeiro. Graças à volatilidade de opiniões sobre como se dará o sobe-e-desce dos papéis, o mercado não tende ao equilíbrio e não foi criado para promoção da justiça social (id.).

Os fundamentalistas do mercado fazem ocorrer curtos-circuitos na economia, processo chamado de ´boom-bust´ por Soros (ciclos curtos de expansão e forte contração). O mercado, sozinho, tende ao caos, opina Soros numa perspectiva heterodoxa (id.).

Os EUA vivem uma bolha imobiliária. O ´boom´ imobiliário está fora de ordem. Com os preços dos imóveis subindo a dois dígitos com taxa de juros de um dígito, muitos imóveis foram comprados e mantidos por especuladores. Ao mesmo tempo, o crescimento do preço das casas alimentou o consumo. Quando o efeito riqueza da bolha imobiliária passar, os consumidores vão aumentar a poupança e gastar menos. A maré deverá virar em 2007 e a pisada do freio será transmitida ao resto do mundo por meio de um dólar mais fraco, adverte Soros (id.).

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A corrupção, ao comprometer a atração de investimentos, é um problema sério. Torna-se um problema maior porque funciona como um imposto extra para as pessoas comuns. O Brasil está num caminho construtivo. O problema é o grau de corrupção ampliado sob o governo Lula, comenta George Soros, investidor (Valor, São Paulo, 23 mar. 2007, suplemento Eu & Fim de Semana, p. 4).

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O etanol é uma alternativa válida como fonte de energia, especialmente porque não polui. Como investidor, sou provavelmente um dos maiores produtores de etanol no Brasil por meio da Adeco, comenta George Soros, investidor (Valor, São Paulo, 23 mar. 2007, suplemento Eu & Fim de Semana, p. 4).