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ARTIGOS



JUÍZOS

Três são os juízos: 1) o juízo de si mesmo; 2) o juízo dos homens; e 3) o juízo de Deus.

O juízo de si mesmo emenda-se. O juízo dos homens despreza-se. O juízo de Deus revoga-se

O homem sempre erra no juízo de si mesmo, porque nunca acabamos de conhecer-nos. Com os olhos para fora, não nos vemos como somos interiormente. Olhamos para nós com os olhos de um mais cego que os cegos. A maior de todas as nossas vitórias é o conhecimento de si mesmo. Somos pouco maiores que as ervas e fingimo-nos tão grandes com as árvores. Somos a coisa mais inconstante do mundo e imaginamos ter raízes. O homem se avalia tão caro, mas se vende tão barato. Com tantas presunções, Adão se deu e deu todos os seus filhos por uma maçã. O homem deve emendar o juízo de si mesmo com o conhecimento de si mesmo.

O juízo dos homens não nos faz mais maus nem mais bons. Se sou mau, por mais que me julguem bem os homens, não me podem fazer bom. Se sou bom, por mais que me julguem mal os homens, não me podem fazer mau. O juízo dos homens deve ser desprezado. Disse Semei a el-rei David, em seu próprio rosto, injúrias não cabíveis de dizer ao homem mais vil. Logo os acompanhantes do rei quiseram tirar a língua e a vida de Semei. Mas David deixou-o dizer as injúrias até o fim. As injúrias são a música dos penitentes. No dia da Paixão, choviam testemunhos e blasfêmias contra Cristo. Mas o Senhor, para admiração de Pilatos, ouvia como se não ouvira.

No juízo de Deus, último e universal juízo, hão de ser julgados todos os homens, sem apelação nem agravo. Mas a sentença desse juízo supremo pode ser revogada. Basta o homem voltar o coração para Deus. Diz Deus: Voltai o coração a mim, ou voltai-vos a mim com o coração, e toda a sentença contra vós ficará revogada. Nínive foi notificada de sua destruição no prazo de 40 dias pelo profeta Jonas. Mas Deus revogou a sentença porque o rei e o povo de Nínive permaneceram, naqueles 40 dias, em contínua oração e clamores ao Céu.

Padre Antônio Vieira in ´Sermão da Quarta Dominga do Advento´ (Sermões – volume I. Porto - Portugal: Lello & Irmão Ed., 1959, p. I/245).