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ARTIGOS



JUÍZO DE ENTENDIMENTO E JUÍZO DE VONTADE

Deus permite as injustiças no mundo para a inocência ter coroa e a imortalidade, prova.

O juízo dos homens é mais temeroso que o juízo de Deus. Quem primeiro entendeu essa verdade foi o profeta David, quando disse: ´Senhor, julgai-me vós e decidi a minha causa´. Mais adiante, acrescentou David: ´Julgai-me vós, Senhor, livrai-me de me julgarem os homens´.

Cinco razões demonstram ser o juízo dos homens mais temeroso que o juízo de Deus:

1ª) Deus julga com o entendimento, os homens julgam com a vontade (o entendimento acha o que há, a vontade acha o que quer). Em Deus, o entendimento julga, a vontade dá; nos homens, a vontade serve para dar e serve para julgar. Pilatos declarou a inocência de Cristo e devolveu as acusações ao juízo da vontade de Caifás. Como Cristo foi julgado no juízo de vontade, logo Lhe acharam causa para O crucificar;

2ª) no juízo de Deus geralmente basta só o testemunho da própria consciência, no juízo dos homens a própria consciência não vale como testemunha. Os homens vêem só os exteriores, porém Deus penetra os corações. José era inocente e a egípcia, a culpada. Mas a culpada mostrava os indícios na capa, e o inocente tinha as defesas no coração. Ela então triunfou e ele padeceu;

3ª) no juízo de Deus as nossas boas obras defendem-nos, no juízo dos homens o maior inimigo são as nossas boas obras (um grande delito muitas vezes acha piedade, mas um grande merecimento nunca lhe falta a inveja); Saul condenou tantas vezes David à morte, porque se cantava nas ruas de Jerusalém ser David mais valente que Saul, pois David tirou o prêmio de matar um grande gigante com uma pedra;

4ª) Deus julga os pensamentos, mas os conhece, os homens não podem conhecer os pensamentos, mas os julgam (nunca passou pelo pensamento de José atrever-se à honra de seu senhor);

5ª) Deus não julga senão no fim, os homens não esperam pelo fim para julgar. Embora conhecendo os futuros, Deus jamais julgou nem condenou a ninguém senão depois das obras. Para o juízo de Deus, a certeza do futuro não basta para o castigo e basta a emenda do passado para o perdão.

Padre Antônio Vieira in ´Sermão da segunda dominga do advento´ (Sermões – volume I. Porto - Portugal: Lello & Irmão Ed., 1959, p. I/159).

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REIS

Guiados por uma estrela, os reis Gaspar, Balthasar e Belchior vieram do Oriente adorar a Jesus no Presépio, em Belém. Os reis tributaram a Jesus com ouro, porque O reconheceram como Senhor. Os reis consagraram a Jesus com incenso, porque O reconheceram como Deus. Os reis presentearam a Jesus com mirra, porque O reconheceram por homem em carne mortal. Para não darem informações a Herodes, os reis não retornaram por Jerusalém. Mas, poucos dias depois, para livrar-se da morte sentenciada por Herodes, Jesus precisou fugir para o Egito. O Evangelista não registrou a cor dos reis (Gaspar e Balthasar eram brancos, enquanto Belchior era pretinho), porque os três vieram a adorar a Jesus e os três se fizeram cristãos. E entre cristãos não há diferença de nobreza nem diferença de cor. Padre Antônio Vieira in ´Sermão da Epifânia ou do Evangelho´ (´Sermões escolhidos´. São Paulo: Ed. Martin Claret, 2004, p. 141).

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LADRÃO, PIRATA E REI

Diógenes, na Grécia, tudo via com a mais aguda vista dentre os homens. Ao ver passar uma grande tropa de varas e magistrados levando a enforcar uns ladrões, começou a bradar: ´Lá vão os ladrões grandes enforcar os pequenos´. Padre Antônio Vieira in ´Sermão do bom ladrão ou da audácia´ (´Sermões escolhidos´. São Paulo: Ed. Martin Claret, 2004, p. 111).

Alexandre navegava numa poderosa armada pelo mar Eritheu, à conquista da Índia, quando trouxeram à sua presença um pirata, acusado de roubos aos pescadores. Repreendeu-o muito Alexandre por tão mau ofício. Mas o pirata, nem medroso nem lerdo, respondeu: Porque roubo numa barca, sou ladrão; porque roubas numa armada, és imperador? Sêneca, romano, sabia bem distinguir as qualidades do homem. Disse ele: Se o rei de Macedônia, ou qualquer outro, fizer as mesmas ações do ladrão e do pirata, todos, o ladrão, o pirata e rei, têm o mesmo lugar e merecem o mesmo nome (id.).

Na Lei Velha (Antigo Testamento), o preceito da restituição era rigoroso. Se não tivesse condições de restituir o furto, o homem não era considerado impossibilitado da restituição nem desobrigado dela. Possuidor da liberdade, o homem haveria de restituir com o preço de si mesmo, ou seja, a venda da própria pessoa. Sem restituição do alheio não pode haver salvação (id.).

Zacheu recebeu, com demonstrações de alegria, Jesus em casa. Ofereceu-Lhe mesa abundante de iguarias e muito mais em boa vontade, melhor prato para Cristo. Zacheu era rico e tinha roubado a muitos. Apesar de alegar muitas boas obras, somente quando prometeu restituir o mal adquirido, Jesus lhe anunciou a salvação (id.).

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´Se obras como juiz, toma conhecimento da causa, mas se obras como rei, manda o que quiseres´ (Medeia a el-rei Creonte). Padre Vieira in ´Sermão da terceira dominga´ (´Sermões´ - volume I. Porto (Portugal): Lello & Irmão Editores, 1959, p. II/116).

A justiça, como a definem os teólogos e juristas, não é outra coisa senão uma perpétua e constante vontade de dar a cada um o seu direito ou merecimento (Sermões – volume I. Porto - Portugal: Lello & Irmão Ed., 1959, p. III/289).

Tácito prova a verdade de sua história por ter longe as causas do amor e do ódio, mas veio a convencer-se também por ter longe as informações de verdade. As informações podem vir envoltas em muitos erros, motivados pela ignorância ou pela malícia. Todos na tinta de escrever misturam as cores de seus afetos (Vieira, padre Antônio. ´História do futuro´. 2a. ed. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1992, p. 152).

Mesmo longe das causas do amor e do ódio, mas movidos pela ambição de seu próprio juízo, alguns julgadores formam os processos para as sentenças, e não as sentenças sobre os processos (Vieira, padre Antônio. ´História do futuro´. 2a. ed. Rio de Janeiro: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1992, p. 152).

A Apelante afastou as informações eivadas de erros arroladas pelo Apelado, assim como apresentou as informações verdadeiras.