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ARTIGOS



ANOMIA DE MERCADO

Diante dos escândalos envolvendo grandes empresas, como a Enron, ou em função de experiências cotidianas menores pelas quais nos sentimos fraudados, as pessoas criaram uma síndrome de `anomia de mercado´, caracterizada pela desconfiança, insegurança e cinismo em relação às leis e aos regulamentos, de acordo com estudo sobre a desonestidade da classe média, chefiado por Susanne Karstedt, professora de criminologia na Universidade Keele, comentado por Richard Tomkins no ´Financial Times´ (´A classe sem pudor´. Folha de S. Paulo, São Paulo, 19 nov. 2006, suplemento Mais!, p. 10).

A pessoa mente, engana e furta com a consciência tranqüila. Pequenos delitos são apenas uma maneira de revidar contra o lucro em excesso das empresas ou contra o sistema. O capitalismo de mercado, com sua ênfase na defesa do auto-interesse, nos teria transformado em pessoas sem escrúpulos, movidas pela cobiça e sempre buscando maximizar o próprio ganho, questiona Tomkins.

Pessoas da classe média fraudam impostos (escondem dinheiro fora ou fazem compras no exterior e escondem essas compras da alfândega); inventam ou exageram perdas para receber dinheiro indevido de seguros; compram produtos contrabandeados, com plena consciência do fato; adquirem cópias ilegais de ´softwares´ de computador; furtam toalhas de hotéis e academias de ginástica; fraudam despesas custeadas pelas empresas; praticam ato desonesto para conseguir vagas nas escolas para os filhos; levam para casa material de expediente dos empregos. A maioria dos crimes da classe média é cometida no mercado e nele se devem buscar as respostas, diz Karstedt.

Quase dois terços dos britânicos admitem cometer atos desonestos, tais como deixar passar o recebimento de troco em excesso, pagar empreiteiros em dinheiro vivo para evitar a cobrança de impostos ou comprar roupas para uma ocasião especial e devolvê-las depois pedindo reembolso, de acordo com estudo da Universidade de Keele.

Os piores infratores foram pessoas da classe média: 70% dos entrevistados das classes sociais A e B admitiram cometer fraudes e desonestidades no cotidiano, ante 53% dos entrevistados das classes D e E.

Pessoas da classe média deixaram de ser escrupulosamente honestas e podem hoje não considerar a respeitabilidade tanto quanto no sentido antigo do termo. No Reino Unido, aumenta cada vez mais a incidência de falências pessoais. A ruína pessoal já foi antigamente algo muito vergonhoso e determinava até o suicídio. Mas hoje o cavalheiro apenas vai até uma agência de administração de dívidas, assina um acordo de inadimplência e conta a seus amigos como foi tudo muito fácil.