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ARTIGOS



FELICIDADE

Segundo pesquisa Datafolha, 76% dos brasileiros se consideram felizes; 22% se descrevem mais ou menos felizes e apenas 2% se acham infelizes. Mas só 28% dos entrevistados consideram a população em geral feliz. Não há contradição na resposta às duas questões, de acordo Eduardo Giannetti, autor do livro ´Felicidade´. Na primeira questão, as pessoas olham para ´dentro de si´; na segunda, as pessoas avaliam condições objetivas, como emprego e segurança. O índice de felicidade é de 87% para as pessoas com ganho acima de 20 salários mínimos e de 72% para as pessoas com ganho de até dois salários mínimos (Folha de S. Paulo, São Paulo, 10 set. 2006, p. A1).

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Quando nascemos, choramos por nos vermos neste imenso palco de loucos, observou William Shakespeare (1564 – 1616) (´O rei Lear´. Porto Alegre: L&PM, 1997, p. 114). O mundo é uma roda de tortura (id., 139).

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O meio para o homem conquistar a felicidade é a virtude, ou seja, o controle das paixões e a busca do conhecimento, ensinou Sócrates, para o qual a felicidade pouco tem a ver com a posse de bens materiais e os prazeres. Quanto menos necessidades se tenha, mais nos aproximamos da felicidade (Bittar, Eduardo. ´Curso de filosofia do direito´, 4a. ed., São Paulo: Atlas, 2005, p.67).

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A vida é feita de caminhos, e esses caminhos nos trazem e levam sonhos, alegrias, tristezas, amores e esperanças. Nada vem ou vai sem caminho, parte integrante de nossas vidas. Nossos primeiros passos foram treinados e aperfeiçoados para conquistar caminhos. Alguns fazem bom proveito; outros, se perdem. Uns tiveram tudo para caminhar; outros, muitas dificuldades. Certamente fomos feitos para abrir caminhos, romper barreiras, ultrapassar limites e vencer (Lincoln Ferreira).

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Eu estou onde estou porque todos os meus planos deram errado. Construí pontes para chegar aonde queria, mas elas ruíram uma após a outra, e fui obrigado a procurar caminhos não pensados. Por vezes, nem mesmo segui, por vontade própria, os caminhos alternativos à minha frente. Escorreguei. A vida me empurrou. Fui literalmente obrigado a fazer o não desejado. Cheguei onde estou por caminhos não planejados. É um lugar feliz com o qual nunca sonhei. Nunca me passou a idéia de vir a ser escritor. Sou ruim em gramática e erro a acentuação, mas é melhor escrever errado a coisa certa a escrever certo a coisa errada, como disse Patativa do Assaré (Rubens Alves in ´Se eu pudesse viver novamente a minha vida ...´).

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Ninguém determina, do princípio ao fim, o caminho a seguir na vida. Só decidimos por trechos, na medida de nossos avanços, observou Montaigne (Giannetti, Eduardo. ´O valor do amanhã`. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 157).

Animal avaliador por excelência, o homem valora, mede e pondera, segundo Nietzsche. Os termos de troca entre o presente e o futuro são os juros (positivos, negativos ou nulos) inerentes a uma determinada decisão (Giannetti, Eduardo. ´O valor do amanhã`. São Paulo: Companhia das Letras, 2005, p. 273).

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Nunca favoreças quem te adula mais, mantém sim perto de ti quem se arrisca a desagradar-te para o teu próprio bem. Nunca esqueças os negócios por causa do prazer, organiza a tua vida de modo a teres tempo para relaxar e divertir-se. Dá toda a tua atenção à governação. Informa-te ao máximo antes de tomar uma decisão. Faz todos os esforços por conhecer homens distintos, a fim de poderes recorrer a eles quando tiveres necessidade. Sê cortês com toda a gente, não ofendas ninguém. Esses foram alguns dos princípios orientadores de Luís XIV, rei da França, escritos em carta ao seu neto, quando partiu para tornar-se rei da Espanha (Gombrich, E. H. ´Uma pequena história do mundo´. Lisboa: Ed. Tinta da China, 2006).

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‘Por que, Deus, o senhor permaneceu em silêncio? Como pôde tolerar tudo isso? Onde estava Deus naqueles dias? Como pôde ele permitir esse massacre sem fim, esse triunfo do mar?’, perguntou o papa Bento XVI em visita ao antigo campo de concentração de Auschwitz, na Polônia, onde morreu 1,5 milhão de pessoas, judeus em sua maior parte (Veja, São Paulo, n. 1.959, 07 jun. 2006, p. 106).

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William Shakespeare (1564-1616), em ´Timão de Atenas`, introduz a psicologia do dinheiro. No tempo da bonança, Timão ouve a todos, menos seu gerente financeiro, representado pelo mordomo naquela época. O patrão é surdo aos apelos do mordomo e benevolente com jantares, festas e presentes para os amigos. Timão só escuta o mordomo quando está na mais profunda inadimplência, resultado de seu hedonismo. Ele abandona a humanidade depois de ser repelido pelos amigos. Ajudou os amigos na fortuna, mas eles lhe negaram a gratidão quando foi à bancarrota. (Valor, São Paulo, 01 set. 2006, Fim de Semana, p. 14).

Molière (1622-1673), em ´O avarento´, também trata do papel do dinheiro na existência do homem. Enquanto Timão fere as relações pessoais por causa de sua ´exuberância irracional´, Harpagon, o personagem de Molière, corrói qualquer sentimento humano à sua volta com a avareza, o outro extremo. Se ´a casa muito farta um dia fecha´, como afirmou Shakepeare, a cobiça pode, da mesma maneira, arruinar o indivíduo. Harpagon rouba aveia de seus cavalos e, por sua aversão à palavra ´dar´, passa a usar a saudação ´eu lhe empresto um bom-dia´. (id.).

Certamente por ter testemunhado a era de formação do capitalismo, Shakespeare elegeu o dinheiro como o âmago de uma suas melhores peças, ´O mercado de Veneza´. Conta a história de Shylock, um judeu. Ele esperava receber, em pagamento de uma dívida, um naco da carne do devedor. (id.).

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O dinheiro, em sua forma material, corresponde a apenas 8% de todos os dólares do mundo, afirma Ednaldo Michellon, autor de ´O dinheiro e a natureza humana – como chegamos ao moneycentrismo´, Rio de Janeiro: MK Ed. O dinheiro ocupa o centro de todas as decisões e se tornou a medida de todas as coisas, segundo Michellon (Valor, São Paulo, 30 jun. 2006, Eu & Fim de Semana, p. 4).

Quando falamos do mercado, falamos o mercado está agitado ou o mercado está nervoso, e damos uma identidade e personalidade a alguma coisa invisível, embora se faça presente e real, avalia Ricardo Bitun, professor de sociologia jurídica e sociologia da religião na Universidade Mackenzie O mercado passou a orientar a vida. O deus mercado orienta e vocaciona os jovens para as carreiras conferidoras de ´status´ e altas remunerações. Algumas religiões prosperam com a pregação de reinclusão das pessoas no mercado de consumo (ou ´bençãos materiais´, segundo o livro ´Vida em abundância´, do bispo Edir Macedo), ao invés de propor o confronto fazendo prevalecer a regra do amor, assinala Bitun (Valor, São Paulo, 30 jun. 2006, Eu & Fim de Semana, p. 4).

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A cidadania, projeção política da dignidade da pessoa humana, vai sendo esvaziada de sentido numa sociedade de consumidores (e não de cidadãos), na qual a pessoa vale pelo seu poder aquisitivo (Magalhães Filho, Glauco Barreira. Teoria dos valores jurídicos, uma luta argumentativa pela restauração dos valores clássicos. Belo Horizonte: Mandamentos, 2006, p. 15).

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A palavra Deus em algumas outras línguas: alemão, Gott; árabe, Ilah; dinamarquês, Gud; espanhol, Dios; grego, Theós; hebraico, El; holandês, God; inglês, God; italiano, Dio; japonês, Kami; russo, Bokh; turco, Tanri (Diário do Nordeste, Fortaleza, 24 jul. 2006, Caderno 3, p. 3).

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A sabedoria é temer o Senhor e apartar-se do mal é o conhecimento (livro de Jó, p. 33). Na grande sabedoria, há grande pesar, e quem cresce em saber, cresce em dor (Eclesiastes 1, p. 37). A mão da civilização ocidental tem cinco dedos desiguais: Moisés, Sócrates, Jesus, Shakespaeare e Freud (p. 50). Rei Lear, a mais trágica das tragédias shakespearianas, foi o maior avanço da literatura (exceto a Bíblia) em relação ao transcendental e extraordinário. A vida humana, em qualquer lugar, encerra a condição por força da qual muito é para ser suportado e pouco é para ser desfrutado (p. 120/125). O ensaio pessoal pertence a Montaigne, assim como o teatro pertence a Shakespeare, o épico a Homero e o romance a Cervantes (p. 141). “Se cortarmos as palavras, elas sangram; são vasculares e vivas”, observou Emerson sobre a linguagem de Montaigne, defensor do relativismo, porque somos impérvios a idéias de ordem diferente das nossas (p. 145/151). Para Montaigne, grande conhecedor de si mesmo, conseguir pensar e gerir a própria vida é a maior das tarefas. Nossa grande obra-prima é viver adequadamente. O restante são pequenos acréscimos e acessórios. O conhecimento mais difícil de ser adquirido é saber viver bem a vida. A mais cruel das enfermidades é desprezar o nosso ser. O mundo é rico em significado porque é rico em equívocos (Nietzsche, p. 248). No Evangelho de Tomás, Jesus, mestre da sapiência, nos convida a conhecer, não a crer, pois a fé não leva, forçosamente, à sabedoria (p. 294). Ler bem é a imitação autêntica de Deus e dos anjos. Somente o livro é capaz de alimentar o pensamento e a memória, bem como a sua complexa interação (Agostinho, 314). Não precisamos estudar a morte, pois saberemos muito bem como agir, chegada a hora (Montaigne, p. 315). A sabedoria vem a ser a capacidade de ignorar as questões não possíveis de serem superadas (noção de William James para atravessarmos os dias mais difíceis ou desventurados, p. 319). Excertos do livro “Onde encontrar a sabedoria?”, de Harold Bloom (Rio de Janeiro: Objetiva, 2005).

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A vida é a arte do encontro, embora haja tanto desencontro pela vida. É preciso encontrar as coisas certas da vida para a vida ter o sentido desejado. A escolha de uma profissão também é arte de um encontro, porque uma vida só adquire vida quando a gente empresta nossa vida para o resto da vida (Vinicius de Moraes).

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O intelecto não é como o olho, limitado a ver as coisas; o intelecto é como a mão: ao tomar um pouco de argila, a mão logo imprime-lhe a forma dos dedos, disse Cossio (‘La plenitud del orden jurídico y la interpretación judicial de la ley’. Buenos Aires: Editorial Losada, 1939, p. 41-42). ‘A justiça não deve encontrar o empecilho da lei’ (‘O salão dos passos perdidos’).

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Somos transeuntes, e como transeuntes vivemos num tempo e num espaço. No tempo, desconhecemos a imensidação do passado e do futuro.

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´Navegar é preciso, viver não é preciso´, expressão possivelmente utilizada como lema da lendária Escola de Sagres, berço das grandes navegações e das descobertas nos séculos XV e XVI, imortalizada por Fernando Pessoa, usada por Caetano Veloso numa de suas músicas, é interpretada no Brasil de forma mais poética, enquanto em Portugal o sentido realmente é o da precisão. Por meio dos instrumentos, navega-se com precisão e a viagem torna-se coisa certa. Para a vida, porém, inexistem instrumentos capazes de torná-la tão precisa, com rumos tão certos e sem contratempos (Mirian Leitão, Diário do Nordeste, Fortaleza, 09 jan. 2007, Negócios, p. 3).

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´A quem pouco não basta, nada basta´, disse Epicuro (341 a.C.-270 a.C.) (Época, São Paulo: Globo, n. 453, 22 jan. 2007, p. 70).

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Diante da miséria humana ou das dificuldades da vida, Heráclito (540 a.C.-470 a.C.) chorava e Demócrito (460 a.C.-370 a.C.) ria. Sêneca (4 a.C.-65 d.C.) comparou a atitude de Heráclito e Demócrito e optou por rir das coisas, em vez de chorar. Montaigne (1533-1592) fez a mesma comparação e resolveu também defender o sorriso (Época, São Paulo: Globo, n. 453, 22 jan. 2007, p. 67).

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Não sondes o fim tramado pelos deuses para a sua vida. O que será, será. Decanta o vinho a ansiar quanto é cabível. Frui já teus dias sem contar nem com o seguinte {´Carpe diem´ (aproximadamente: desfrute o presente). Horácio, 65 a.C. – 8 a.C., seu primeiro livro}.

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O percurso é melhor que a chegada (Quixote, figura de Cervantes, no fim de suas andanças), observa Darrin M. McMahon em seu livro ´Felicidade – uma história´ (Ed. Globo, 2007) (Valor, São Paulo, 12 abr. 2007, p. D6).

A felicidade chegou ao Novo Mundo de forma mais explícita na Declaração da Independência dos EUA, redigida em 1776 por Thomas Jefferson, lembra Darrin M. McMahon em seu livro ´Felicidade – uma história´ (Ed. Globo, 2007). Segundo esse documento, são verdades evidentes por si: todos os homens foram criados iguais; foram dotados, por seu Criador, de direitos inalienáveis e, entre esses direitos, estão a vida, a liberdade e a busca da felicidade (Valor, São Paulo, 12 abr. 2007, p. D6).