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ARTIGOS



MISCIGENAÇÃO

A formação do caráter nacional brasileiro decorreu da miscigenação do indígena nativo, do português colonizador e do negro africano escravizado. Em seu livro ´Miscigenação nos trópicos´, o prof. Ednilo Gomes de Soárez investiga se dessa miscigenação resultou um povo alegre ou triste (o valor da alma nacional brasileira é a cordialidade, segundo Sérgio Buarque de Holanda). Pretos e índios foram aqui supliciados (nas palavras de Darcy Ribeiro), enquanto os portugueses, sem se desligarem de Portugal, tinham no enriquecimento a única via de compensar a limitação por viverem no Brasil. A escravidão não azedou a alma do escravo, nem suscitou o ódio recíproco entre opressores e oprimidos, ponderou Joaquim Nabuco. A miscigenação brasileira fez nascer um povo novo, com entidade ética e configuração cultural próprias. Ainda nas expressões de Darcy Ribeiro, essa miscigenação distribalizou índios, desafricanizou negros e deseuropeizou brancos.

O prof. Ednilo Soárez relembra Vianna Moog, autor da obra ´Bandeirantes e pioneiros´, de 1954, na qual tentou explicar a distância a separar os EUA do Brasil na marcha pelo desenvolvimento. Nessa tentativa, afastou-se das teorias monocausais ou unilaterais em moda na passagem do século XIX para o século XX, como a teoria antropogeográfica de Ratzel (o homem é o produto do meio), a teoria etnográfica de Gobineau e Chamberlain (existência de raças superiores e raças inferiores), e a teoria do determinismo histórico de Marx (a estrutura econômica depende unilateralmente das manifestações de cultura). Moog manteve sua doutrina apoiada em Durkheim e Max Weber, a melhor tese sociológica da época: o fato social é produzido por ´n´ causas, dentre as quais as físicas, as biológicas, as psicológicas e as econômicas. Assim, a miscigenação havida nos EUA, envolvendo brancos, índios e negros, foi diferente da ocorrida no Brasil, mas não explica, sozinha, a diferença entre as duas culturas. Os EUA foram mais favorecidos pela geografia e a hidrografia (infinidade de lagos e maior rede de rios navegáveis do mundo, além de se beneficiarem de dois oceanos). A ética protestante calvinista também beneficiou os EUA (ela pregava o enriquecimento como a melhor forma de agradar a Deus), além de outros valores, como o associativismo e a dignificação do trabalho.